Stieg Larsson



Recebi este livro pelo Natal, oferta do meu amigo João (como estás?...). Acho que posso dizer que foi a primeira vez que li um policial, se descontarmos aqueles livros da Enid Blyton lidos durante a minha infância/adolescência... E os livros de "Uma Aventura"... Ok, mas isso são livros infanto-juvenis, não conta! Bem, voltando ao assunto (e não dispersando). O João ofereceu-me este livro pelo Natal e eu resolvi pegar nele logo no início do ano. Como já tinha escrito por aqui, a minha veia de leitora andava um pouco adormecida... Mas acordou, e de que maneira, com este livro de Stieg Larsson, o primeiro da trilogia Millenium, que o escritor sueco entregou à sua editora pouco antes de morrer, aos 50 anos, vítima de um enfarte (ou algo desse género).
As persongens principais desta trilogia são Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. Ele é jornalista financeiro e ela uma delinquente juvenil com um talento extraordinário para descobrir tudo o que é possível sobre qualquer pessoa. Neste primeiro capítulo, vão investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, sobrinha-neta de um poderoso empresário, Henrik Vanger, que ocorreu há mais de 40 anos.
A história é altamente viciante, a escrita fluida e interessante. Li o livro, de mais de 500 páginas, num ápice. E, logo de seguida, fui procurar o segundo volume da série. Daí se percebe o facto do livro, rapidamente, se ter tornado um best-seller, um pouco por todo o mundo.

Mau Tempo (no canal)...

Este fim-de-semana, rumei a Norte, até ao Porto. Primeira visita do ano, já tinha saudades... A estadia foi curta, e o tempo esteve cinzento, mas deu para tirar algumas fotografias bonitas ao mar agitado, em Leça da Palmeira...









Fotografias da autoria de Rita Barbosa (tiradas com a máquina nova que teve pelo Natal!!!)

Neve em Cinfães

Caros amigos, tinha-me esquecido de partilhar convosco umas belas fotografias de Cinfães coberta por um branco manto de neve! É verdade que eu, pessoalmente, não tive oportunidade de presenciar tal facto (e a última vez que nevou assim em força foi em 1994), mas vibrei com o acontecimento como se tivesse lá estado a fazer bonecos-de-neve!!! Simplesmente, lindo. :)


Largo da Pesqueira


Feira das Vacas (ou Jardim da Fonte dos Amores)


A minha casa!!!


Jardim Serpa Pinto

Todas as fotografias - autoria Marta Teixeira

Previsões para 2009



Um destes dias, a Rita C leu-me o Tarot (ela é pró nestas coisas, tem imensos baralhos e fichas explicativas), para ver como vai correr o meu ano de 2009. Para o efeito, escolhi o Tarot com ilustrações do Bosch, que é um pintor que eu gosto bastante (embora algo assustador...).
Deixo-vos aqui uma fotografia exemplificativa das cartas que me calharam. Não vou estar aqui a descrever em pormenor as previsões, apenas saliento duas coisas: por um lado, as cartas dizem que vou ter um ano de glória em termos de projecção no mundo (...) e, por outro, a última carta da previsão é a Torre, uma das cartas mais negativas do Tarot!
A ver vamos como o ano se desenrola.
E, já agora, um feliz 2009 para todos. Embora já vá algo atrasado. :)

A Valsa com Bashir



No dia a seguir a ver o Benjamin Button, fui mais o mais-que-tudo até ao King para ver este "A Valsa com Bashir", do realizador israelita Ari Folman. O filme é um documentário, em formato de animação, sobre a actuação do exército israelita na Guerra do Líbano, no início dos anos 80. Tem contornos autobiográficos, por aquilo que entendo, e é um retrato ao mesmo tempo perturbador e apologético.
O facto de ser um documentário de animação, permite ao realizador evocar imagens extremamente violentas e, nesse sentido, é uma decisão bastante inteligente. Não sei se foi por isso, se para poder incluir testemunhos de pessoas sem que estas tivessem que ser filmadas...
Assim, toda a realidade aqui retratada é violenta. Cruel. A mensagem, essa, acho que pode ser interpretada de várias formas. Por um lado, parece ser uma forma do realizador, como israelita, justificar a actuação do exército do seu país, no conflito em questão. Mas eu acho que, de qualquer forma, não há qualquer inocência (nem intuito de fazer passar essa imagem) na forma como a acção se desenrola, nem dos seus intervenientes... Como, aliás, costuma acontecer em tempo de guerra.
É um excelente filme, que recomendo vivamente. E até está nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não que eu confie muito no discernimento da Academia Americana...

O Estranho Caso de Benjamin Button



Sei que o ano de 2009 tem sido um pouco fraco em termos de blog, peço desculpa pela ausência, mas não tem havido grande vontade... Acontece.
Não quer isso dizer que me faltem assuntos para escrever.
Há uns dias fui ver, com as minhas coleguinhas, o novo filme de David Fincher, que tem gerado grande agitação pelo meio cinematográfico - "O estranho caso de Benjamin Button", baseado no livro homónimo de Scott Fitzgerald, conta-nos a história bizarra de um homem que nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo à medida que os anos passam. Para além do óbvio problema com que se depara, a história tem como principal objectivo (na minha opinião) mostrar-nos que nunca há momentos perfeitos na vida, que esta tem que ser vivida com paixão e é preciso aproveitar cada momento, cada oportunidade que nos é oferecida. E, dessa forma, é uma história bonita e tocante.
Gostei muito da Cate Blanchett, que é uma óptima actriz, muito bela. Brad Pitt está bastante bem na primeira metade do filme, enquanto personagem mais idosa, mas o rejuvenescimento não lhe faz propriamente bem... Vejam por vocês mesmos, acho que vale bem uma ida ao cinema.

Destruir depois de ler



Embora este filme dos irmãos Coen já tenha estreado há muito tempo, só agora é que fui ver, nos cinemas do El Corte Inglés, provavelmente a única sala da capital onde ainda se encontra em exibição.
O elenco é de luxo, como já devem saber: George Clooney, Tilda Swinton, John Malkovich, Frances McDormand e Brad Pitt. E as personagens por eles interpretadas são, no mínimo, caricatas. Desde o tipo da CIA que é despedido por um problema de alcoolismo e que resolve escrever as suas memórias profissionais (Malkovich) até ao bronco personal-trainer interpretado por Pitt, é só escolher da lista a personagem com menos sanidade mental! Pessoalmente, a minha "favorita" foi mesmo Frances McDormand - a mulher está capaz de tirar qualquer um do sério...
Resumindo e baralhando, não gostei muito do filme. Parece-me demasiado idiota, não sei... Roça o absurdo diversas vezes, de uma forma completamente cruel. Se calhar, sou eu que não tenho sentido de humor. Mas não fez o meu género.

FELIZ NATAL!!!

Com um pouco de atraso (como não podia deixar de ser...), desejo aos leitores deste blog, e simpáticos "ouvintes" das minhas histórias, uma época natalícia muito quentinha e feliz. Onde quer que estejam, com quem quer que estejam, sejam felizes, pelo menos neste altura.


As desilusões do futebol...

Infelizmente, o Cinfães foi eliminado pelo FC Porto nos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Após uma excelente primeira parte para o Cinfães, em que o Porto basicamente não se viu, veio uma segunda parte em que a diferença de condição física veio ao de cima...
Apesar de não ter ganho, o Cinfães portou-se muito, muito bem: PARABÉNS, rapazes! Temos muito orgulho em vocês.
VIVA CINFÃES!!!

A Fronteira do Amanhecer



Aquilo que parecia um bom filme... não o é. Tinha alguma curiosidade para ver este filme de Phillipe Garrell, até porque já tinha saudades de ver um bom filme europeu. Tinha lido críticas favoráveis, mas, como em tudo na vida, as opiniões são subjectivas.
Assim, aproveitando o feriado, lá rumámos para a Avenida de Roma (porque o filme só estava em cartaz no King). O melhor do dia foi, definitivamente, andar por aquela zona - adorei, quero ir viver para lá! Calminha (mas, também, era feriado), com ambiente típico de bairro, os velhotes todos às compras, muito simpático.
O filme foi para esquecer. Apeteceu-me sair a meio, mas é coisa que, por princípio, não faço. Assim, aguentei até ao fim, mas o que se adivinhava mau, acabou ainda pior. Enfim...
Salva-se apenas uma frase do filme, de uma das personagens secundárias, referindo-se às relações humanas. Passo, então, a descrever a chamada "Teoria do Limpa-Párabrisas": segundo o rapaz, o amor é como um limpa pára-brisas, quando um se aproxima, o outro afasta-se, e vice-versa. Então e aqueles limpa pára-brisas que funcionam ao contrário? Isso... é a amizade.

Museu Berardo



Aproveitei o fim-de-semana para fazer algo que já tencionava fazer há, pelo menos, um ano. Visitei o Museu Berardo, mais interessada em "inspeccionar" a loja do museu à procura de ideias natalícias do que propriamente visitar as exposições... Mea culpa, admito. Ironia das ironias, na loja não encontrei nada de especial (ou aquilo que me interessou era demasiado caro para que realmente tomasse em consideração), mas no museu houve esta exposição, intitulada "A intuição e a estrutura: de Torres-García a Vieira da Silva", que muito me agradou. Devo confessar que não conheço muito da obra de Vieira da Silva, embora tenha consciência que é/foi uma das grandes pintoras portuguesas. Por isso, foi com agradável surpresa que visitei a exposição, composta por obras de inspiração geométrica (algo que eu gosto muito), e até algo naïve, no caso de Torres-García. Gostei de obras de ambos, embora não possa dizer que tenha gostado de tudo. Mas nunca se gosta, não é?...
De qualquer forma, aconselho a quem puder que vá visitar a exposição, até porque é grátis, o que é sempre uma mais-valia. E, não muito longe, têm os pastéis de Belém, o que garante um bom programa!
Para terminar, digo apenas que, realmente, gosto muito da forma como Vieira da Silva desconstrói os motivos que pinta, como se fossem mosaicos... Sim senhora.

De regresso à capital...



Pois é, o que é bom dura pouco, como já toda a gente sabe. E, apesar de ter ficado doente (coisa que não me acontecia há muito tempo!), esta última semana passada por terras invictas foi muito boa. Matar saudades da cidade, da minha casinha e, principalmente, dos meus paizinhos queridos, foi uma experiência que não me importaria mesmo nada de prolongar...
Pena que, entretanto, foi necessário voltar à realidade e, por isso, cá estou eu de volta a Lisboa e às "velhas" rotinas.
O ânimo é que o Natal está quase aí...

José Eduardo Agualusa - Nação Crioula


Consegui quebrar, momentaneamente, a minha apatia de leitora. O "culpado" foi este Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa, um romance em que a personagem de Fradique Mendes, criada por Eça de Queiroz, é retomada.
Agualusa resolve pegar na personagem e "mandá-la" para África, onde irá conhecer Ana Olímpia, mulher que nasceu escrava e que consegue uma grande fortuna graças ao negócio... da escravatura.
A história salta entre Angola, Brasil, Portugal e França, seguindo os passos de Fradique. Através das cartas que vai escrevendo a sua madrinha, a Eça e à sua amada, Ana Olímpia, vai-nos descrevendo a situação vivida quando surge a luta anti-esclavagista e nos percalços sofridos pelos revolucionários.
O livro está bem escrito e é muito escorreita (o que normalmente acontece quando a narrativa toma a forma de correspondência), o que torna a leitura agradável e rápida - talvez por isso ter lido o livro em 2 dias, durante uma breve pausa na minha preguiça...
Já agora, e se quiserem ajudar-me, aceito sugestões de leitura. Tenho alguns livros na prateleira, mas de momento não me sinto motivada a ler nenhum...

O Cinfães é o maior!!!!


Pois é, meus amigos, aqui fica para quem não sabe: o Clube Desportivo de Cinfães está na 5ª eliminatória da Taça de Portugal! E vai defrontar, nada mais nada menos, que o Futebol Clube do Porto, no próximo dia 14 de Dezembro.
Força, Cinfães, até os comemos!!!

Book Meme

Vi esta ideia no blog de uma colega minha e achei muito gira. Quem quer contribuir?...

"But she is a little child."
in The Delicate Prey and other stories (Paul Bowles)

The Rules for this meme are:
- Grab the nearest book.
- Open it to page 56.
- Find the fifth sentence.
- Post the text of the sentence in your journal along with these instructions.
- Don’t dig for your favorite book, the cool book, or the intellectual one: pick the CLOSEST.

O meu saiu um bocado fraquito, mas pronto. O desafio está lançado! Espero por comentários com as vossas frases. :)

J.P. Simões no Teatro São Luiz



No passado sábado fiz algo que já não fazia há algum tempo. Assisti a um concerto. O "eleito" foi J.P. Simões, cantautor que eu muito aprecio. O concerto aconteceu no Teatro São Luiz (onde nunca tinha estado), no coração de Lisboa, num espaço bastante intimista. Como a sala principal está em obras, só há espectáculos no dito Jardim de Inverno, que é, basicamente, o bar do teatro. Muito interessante como espaço, cria, definitivamente, uma atmosfera muito própria.
Adiante.
Se já gostava do rapaz só de ouvir a sua música no conforto da aparelhagem, ainda passei a gostar mais depois de o ver ao vivo. Muito simpático como anfitrião, sabe entreter o público, tem postura e carisma. E a música, essa, sempre muito boa, mesmo na simplicidade da voz, apenas acompanhada por guitarra acústica e/ou piano, este a cargo de Sérgio Costa, habitual companheiro destas andanças do J.P..
O repertório percorreu praticamente todos os projectos do rapaz, desde Belle Chase Hotel a Quinteto Tati, passando pelo registo a solo e outras obras. Houve concerto para 1h30, aproximadamente, com uma boa vintena de canções.
Só não percebi, ainda, se é para levar o rapaz a sério ou não. É que eu gosto mesmo das letras dele...

Em Bruges



A última sessão de cinema foi no King, com as colegas do laboratório (Rita T e Adri). Por sugestão do Russell fomos ver este "Em Bruges", um filme que não é muito fácil de se definir. Conta com Brendan Gleeson e Colin Farrell nos principais papéis e a acção desenrola-se, como não poderia deixar de ser, na bela cidade de Bruges. Os dois são assassinos profissionais, mas o primeiro (e último) trabalho de Farrell não correu como devia e o rapaz anda corroído de remorsos... Ambos trabalham a cargo de Ralph Fiennes, que volta a um daqueles papéis desconcertantes - é mesmo versátil, consegue ser credível em praticamente qualquer personagem!
O filme está completamente envolto numa bruma de humor muito negro, tal qual como o nevoeiro que envolve a dita cidade de Bruges - muito encanto e muito mistério.
Dentro do género (o tal, que não sei definir!), gostei mesmo muito. Bate tudo muito certo: a forma como a história está construída, o espaço físico em que a acção se desenrola, pormenores que vão surgindo e complementando-se... Muito bom.
Embora não possa garantir que qualquer um de vós vá gostar deste filme, com certeza que o recomendo.

Ciclo de Vida

O congresso da SPI (Sociedade Portuguesa de Imunologia), no Porto, foi prolífero em diversas coisas, e de lá resultou também esta bela peça de arte, desenhada pela Catarina Cortesão, que exemplifica a dinâmica dos meus dias - ou de alguns dos meus dias!


Catarina Cortesão

Holanda

Ficam, então, algumas fotos da estadia na Holanda, entre s'-Hertogenbosch e Amesterdão.


Catedral de s'-Hertogenbosch


Nascer do sol, na saída do hotel para o congresso!


Fim do dia em s'-Hertogenbosch



E, agora, Amesterdão!


Típicas casas dos canais


Mercado das flores


Passeio no Voldenpark

Uns belos dias, se bem que não fiquei fascinada com o país em si. Mas que é bonito, é.

Cientistas em saldos - Público

Cientistas em saldos
25.10.2008 - 17h17 David Marçal*

"Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? Que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou. São os bolseiros de investigação científica! Uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".
Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (bolsa de investigação científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (bolsa de doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18 por cento do poder de compra.
Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem a ser pagos". Mas trata-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases e o doutoramento é apenas uma fase da carreira de um cientista.Os bolseiros têm direito ao chamado "seguro social voluntário" - que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a Segurança Social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Por que raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de Segurança Social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de Segurança Social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução, começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem pública e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas sendo assim, digam."
*Investigador em bioquímica. Bolseiro durante seis anos
E, como comentou o Pedro, de Lisboa:

30.10.2008 - 20h21 - Pedro, Lisboa

"É verdade que o regime de bolseiro é muito pouco dignificante para quem tem uma formação superior. Lá por o estudante de doutoramento ser remunerado de 980€, se encontrar em formação, é preciso admitir que é pouco. Ora vejamos, um médico, terminada a sua licenciatura, inicia o seu internato, que não é mais que uma formação, cujo objectivo é a especialidade. E o primeiro ordenado do médico, recém-licenciado, é superior a estes 980€, para além que tem todos os direitos que uma pessoa com contrato de trabalho tem. Estou e sou solidário com a vossa causa."
E acrescento eu: é uma vergonha.

Mais uma ausência...

Pois é, estou novamente de partida, mas desta vez por motivos profissionais. Durante os próximos dias, estarei na Holanda no congresso da Sociedade Europeia de Imunodeficiências.
Portem-se bem.

Promets-moi



E pronto, chegamos à vez do Kusturica. Que também passou na Festa do Cinema Francês, algo estranhamente - mas, pelos vistos, o filme também tem produção francesa.
Não me vou alongar muito sobre este filme. Porque não há assim tanto que se possa dizer. O filme é um disparate total, bem ao jeito de Kusturica. Mas, desta vez, o disparate é tal que deixa de ter piada. Não há a inocência que se vê nos outros filmes, e que nos faz sorrir perante o impensável. Aqui, parece que a intenção está corrompida.
Não gostei. Aliás, 5 minutos após o filme começar, já eu estava a pensar que aquilo não ia correr bem. E não correu mesmo.
Alguém ainda me há-de explicar o porquê da fixação por animais.... Deixem os bichos em paz!

Paris



Decorreu, nos passados dias, a Festa do Cinema Francês. Habituei-me a "frequentá-la" quando ainda estava em Coimbra, mas sei que falhei as edições do último ano ou dois.
Este ano, por iniciativa da prima Carol, fui ver dois filmes - este Paris, do qual vos falarei aqui, e Promets-moi, o último filme de Emir Kusturica, do qual falarei no próximo post.
Paris é a mais recente obra de Cédric Klapisch, o mesmo que realizou A residência espanhola, que se tornou um ícone de toda a geração Erasmus. Conta, novamente, com Romain Duris, desta vez bastante mais magro, e Juliette Binoche, entre outros nomes bem conhecidos do cinema francês, mas que eu não sei.
Pierre (Romain Duris) é um bailarino que descobre que tem uma série doença cardíaca e que precisará de um transplante, que tanto o poderá curar como não. Elise (Juliette Binoche) é a sua irmã, solteira e com 3 filhos, que se muda para casa dele assim que sabe do problema do irmão. Pierre passa os seus dias a observar Paris da sua varanda, a inventar histórias para os personagens que se passeiam em frente aos seus olhos. É assim que ele escolhe viver perante a doença. E são essas histórias que nós vamos seguindo, ao longo do filme.
Há já muito tempo que não via cinema europeu (e tinha saudades!). Acusem-me de pseudo-intelectualismo, não me importo! Tinha saudades da profundidade deste tipo de cinema, do interesse pelas personagens, pela facilidade com que a história flui.
Gostei muito, muito. Porque é Paris. Porque Paris é maravilhosa. Porque Paris não é, aqui, a história principal. Mas dá-lhe cor.

A thousand splendid suns - Khaled Hosseini



Acabei recentemente de ler o "último" livro que recebi por ocasião do meu aniversário, A thousand splendid suns, o segundo livro de Khaled Hosseini.
Como já tive oportunidade de aqui escrever, gostei muito do The kite runner e, por isso, tinha algumas expectativas em relação a este segundo livro.
O primeiro está escrito numa perspectiva masculina. Neste, temos a visão feminina da história dos últimos 40 anos no Afeganistão, pelos olhos de Mariam e Laila, cujas vidas se cruzarão na mais improvável das situações...
Não me vou alongar muito em resumos da história, até porque é coisa que não gosto de fazer, como se calhar já deram conta.
O livro é bastante intenso, tal como The kite runner. Acende em nós a solidariedade adormecida, relembra-nos que há coisas bem mais importantes na vida do que o stress do dia-a-dia ou as preocupações do trabalho. E, embora não seja uma forma de pensar que eu goste particularmente de defender, mostra-nos como, no fundo, temos tanto para dar graças. Tantas coisas boas que passam despercebidas...
Leiam, vale a pena. Mesmo que custe em determinados momentos.

Desejos Selvagens



No regresso aos convites para antestreias, coube na sorte ganhar bilhetes para este "Desejos Selvagens", em inglês Savage Garden.
O facto de contar com Julianne Moore no principal papel era um ponto a favor. Mas, com o visionamento do filme, todos os pontos a favor foram por água abaixo. A história, baseada em factos verídicos, pelo aquilo que eu sei, centra-se na família Baekelands, constituída por Brooks, o herdeiro da fortuna, Barbara, a mulher excêntrica com quem ele casou, e o único filho de ambos, Tony.
Qualquer uma das personagens é altamente disfuncional. No entanto, o filme não tenta analisar as causas desses perturbações, mas está antes construído de forma a explorar, o mais possível, o que daí resulta, todo o caos e toda a perversão.
Eu não gostei do filme. Mesmo nada.
E se não me agradou a história, em si, ainda menos me agradou a forma como é contada.