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Regresso?

O regresso a este blog tem sido há muito planeado. Desde as aventuras pela Geórgia no ano passado, cuja narração ficou visivelmente a meio, até à viagem deste Verão que nos levou ao outro lado do Mundo de comboio, razões não faltam para aqui regressar. No entanto, a inércia tem sido mais forte.

Nesta manhã solarenga de Dezembro, disse para mim mesma que é preciso combater essa inércia. Pôr o cérebro e os dedos a funcionar, e aproveitar a disponibilidade para escrever.

Não sei se será uma resolução que irá durar. Não faço promessas. Aliás, nem sei bem se há ainda quem me leia desse lado. Veremos.

Até lá, fica a dúvida. Que, neste caso, é melhor do que uma certeza.

Bom dia a todos.

Despicable Me 2

Recentemente, dei-me conta que me esqueci de incluir aqui no blog a minha opinião sobre algo que também fez parte do programa do meu último dia em Berlim: uma ida ao cinema para ver o segundo capítulo de Despicable Me, conhecido em Portugal pelo nome de "Gru, o Maldisposto". Por isso, aqui fica, um bocadinho fora de tempo.
Vi partes do primeiro filme numa viagem de avião. Digo partes porque adormeci pelo meio e acabei por ver o início e o fim - o que, de qualquer forma, bastou para gostar da história e do seu herói improvável, Gru (deve ser a minha atracção inevitável por pessoas maldispostas...). 
Este segundo filme, mais previsível e doce do que o primeiro, não desilude. Tem piada, acção, romance, vilões. Tudo isto com personagens simpáticas e coloridas. E um final feliz. Que mais se pode pedir de um filme de animação?...

Devendra Banhart x2

Este ano, resolvi transformar-me numa groupie. Bem, talvez não no sentido mais lato da expressão! Quero com isto dizer que, no espaço de menos de um mês, vi dois concertos de um dos meus músicos favoritos, Devendra Banhart. Primeiro em Berlim, sozinha; depois no Porto, na companhia de dois amigos.
Tal decisão teve definitivamente lados bons, mas também teve um lado mau (importante). O de perceber que o alinhamento era muito semelhante. Depois do concerto em Berlim, em que não gostei muito do ambiente (já aqui referi que os alemães não fazem o meu género em termos de público), achei que tinha que experimentar ver Devendra com uma audiência portuguesa. Muito embora muito mais acolhedor, respeitador e interessado, o público presente na Casa da Música talvez tenha intimidado o cantor, que se mostrou bem mais reservado do que tinha estado no concerto berlinense. Ainda assim, tentou comunicar em português, o que foi amplamente apreciado. 
Posso assim dizer que ganhei com esta experiência dupla. Houve coisas melhores num concerto e coisas melhores no outro. Até houve alternância entre canções que adoro... Por isso não me posso queixar, está claro. Mas fiquei desiludida por perceber que nem todo o calor de um bom público português (e nortenho!) chegou para fazer o Devendra dar um bocadinho mais de si.

Kosmos Farbe - uma exposição de Itten e Klee na Martin Gropius Bau

No meu último dia em Berlim (e durante uma das várias vagas de calor que presenciei na cidade, com as temperaturas a chegarem aos 36, 37ºC), resolvi ir até um sítio onde ar condicionado fosse uma garantia. E não há assim tantos em Berlim!
O escolhido, até porque já há muito tempo que queria lá ir, foi o museu Martin Gropius Bau. O facto de ter uma exposição dedicada a Klee foi uma razão extra. 
Não sei se sabem, mas sou muito básica na minha apreciação de arte. Querendo com isto dizer que tenho um gosto particular por cores e formas geométricas, o que significa que esta era uma exposição ideal para mim (Kosmos Farbe significa, numa tradução livre, o universo da cor). Tenho que confessar que adorei, formas e cores. Por várias vezes me deu vontade de arrancar as telas da parede para as poder levar para casa - ficariam mesmo bem nas minhas paredes. Uma sensibilidade infantil, mas que me deixa muito feliz.

Regresso (e adeus) ao Schokoladen

Uma semana depois, o regresso ao Schokoladen, para mais um par de concertos. Regresso este com carimbo (em forma de anjo) de despedida...
A boa companhia manteve-se (obrigada, miúdos!), a música revelou-se um pouco diferente da semana anterior. Primeiro, uma banda multinacional, de seu nome Sweet Paste, vinda de Madrid (mas em que apenas um dos membros é espanhol), com um estilo folk-rock do qual gostei. Depois, novamente uns habitués da casa - os franceses Coming Soon. O som mais intimista do passado (segundo me dizem) deu agora lugar a uma pop mais energética e dançável, com um vocalista aos saltos e a deixar a dúvida sobre que substâncias teria ingerido... O serão não foi tão agradável como da última vez, principalmente devido ao calor (humano e não só) que se fazia sentir na sala. Mas a conversa posterior no parque vizinho, programa tão tipicamente berlinense, compôs sem dúvida a noite.

Phoebe Kreutz @ Schokoladen, ou a epifania

Até ao lavar dos cestos ainda é vindima. O ditado português faz todo o sentido para descrever as últimas semanas em Berlim - aproveitar a cidade até ao último dia. E foi assim que rumei até ao Schokoladen para um dos múltiplos concertos que por lá passam. Sítio simpático, ambiente aparentemente familiar pelo que me foi revelado. Fui até lá por indicação, na companhia de gente simpática. Primeiro, um rapaz americano em palco, dedilha uma guitarra. Agradável, mas pouco  mais do que isso. Depois, a também americana Phoebe Kreutz (habituée por aquelas bandas) toma conta do palco, com a sua voz doce e canções fáceis. As letras, divertidas, são cantadas em uníssono por um grupo de fãs (de longa data?). O ambiente é sem dúvida acolhedor. E, no final do concerto, vem o momento da epifania em forma de canção. Walk me home podia ser uma história contada por mim, de uma noite quente que calhou ser a mais curta do ano. E a do início do Verão. As coincidências são engraçadas. Mas talvez as experiências de vida sejam mais sobreponíveis do que aquilo que uma pessoa normalmente esperaria... 
Um belo serão. Sem dúvida.

O fim de Junho e as últimas visitas


O fim do mês de Junho trouxe consigo muitas mudanças, mas trouxe igualmente uns amigos muito especiais até Berlim, naquela que foi a última visita que recebi. A disposição talvez não tenha sido a melhor (e por isso peço desculpa), mas foi bom ter caras conhecidas por perto nesse momento. Passear, conhecer novos sítios em Berlim, calcorrear aqueles que já são familiares... mas também conhecer pessoas novas, relaxar no canal. Um pouco de tudo. É por isso que é tão bom receber visitas, principalmente de gente amiga. Fazem-nos sentir mais nós, mais autênticos, e aproveitar melhor todos os momentos. Obrigada.

Les cousinettes à Berlin


As cousinettes gostam muito de passear. Juntas ou em separado. Mas quando uma delas calha de estar a viver por terras alheias, lá vai a outra fazer uma visita. É assim que tem sido até agora e assim espero que continue. O que trouxe, então, a Carol pela primeira vez a Berlim, para me fazer uma visita.
Gosto muito de andar no passeio com a Carol. Acho que nos entendemos particularmente bem - ambas somos curiosas, gostamos de pic-nics no parque e de calcorrear ruas com a máquina fotográfica a tiracolo. E os dias que passámos juntas (tão curtos) foram mesmo recheados destas coisas - programas culturais inesperados (como tocar um sino na torre de uma igreja!), novas zonas da cidade para descobrir, palácios de princesas para preencher a nossa imaginação... Momentos muito bem passados, para me lembrar de como é bom ter as pessoas que gostamos por perto. 

Next stop - London?...

Bonobo @ Astra Kulturhaus

Antes que Julho termine, deixa-me fazer mais algumas actualizações a este "arredado-para-segundo-plano" blog.
No dia de Santo António (e dia em que a prima Carol chegou a Berlim para passar uns dias comigo), o produtor musical inglês Bonobo passou pela cidade. É uma música à qual tenho algumas ligações emocionais e por isso era um concerto ao qual gostaria de ir. O problema é que, quando me decidi a comprar bilhetes, já eles estavam esgotados... No entanto, no próprio dia do concerto, e por algum acaso feliz, conseguimos comprar dois bilhetes, e lá fui eu e a Carol até à Astra Kulturhaus para ver o dito cujo. Tenho que confessar que, apesar da alegria que me deu termos arranjado bilhetes em cima da hora, não estava no meu melhor dia para apreciar um concerto daquele género. Cansaço, talvez. É sempre difícil perceber porque é que uns dias estamos em sintonia com algo, enquanto noutros dias não. O concerto não foi mau e até reconheci algumas músicas (embora não seja, de forma alguma, uma aficionada). Mas realmente não fiquei imbuída do espírito da coisa. É pena. Valeu pela experiência e pela companhia da minha cousinette. Ou, como diz o outro, a alma não é pequena.

Há uma primeira vez para tudo


Como, por exemplo, para ver uma banda que se adora há já muitos anos... E foi precisamente isso que aconteceu neste início de Junho, com a vinda de Iron & Wine a Berlim, num dos poucos concertos que compõem a digressão europeia do senhor.
Estive indecisa em relação a comprar bilhete ou não. Sem companhia, precisei encontrar em mim mesma a motivação para o fazer (não ajudava o preço - elevado - do bilhete). Talvez seja difícil perceber de onde vinham as dúvidas... mas o último álbum não é propriamente o mais fantástico e visionamentos de algumas prestações ao vivo faziam crer que talvez fosse ter uma desilusão. Ainda assim, a influência da M. cá por casa fez-se sentir e lá me decidi a comprar o dito cujo! E assim, nessa primeira quarta-feira de Junho, rumei até ao Admiralpalast, belo teatro no centro de Berlim (a fazer lembrar os nossos teatros), naquela que foi a minha primeira incursão num concerto deste género desde que me mudei para cá.
A primeira parte ficou a cargo de uma banda inglesa, de seu nome This is the Kit. Som calmo, intimista. Gostei. Depois de uma pausa, entra em palco Mr. Beam, Sam Beam (aka Iron & Wine), acompanhado de algo que mais parecia uma mini-orquestra - não faltavam violinos, violoncelo, saxofones, trompetes, e muita gente para ajudar nos coros. A puxar mais para o estilo do novo álbum, portanto, algo distante do som predominantemente folk a que este senhor nos habituou no passado. No entanto, o concerto teve um pouco de tudo, ainda que com especial ênfase no último álbum, Ghost on Ghost. Momentos mais calmos, com Sam Beam em palco apenas acompanhado da sua guitarra, proporcionaram passagens pelo passado, incluindo uma versão surpreendente de Boy with a coin. Aliás, não faltaram versões quase irreconhecíveis de diversas canções (tal como de Such great heights, original dos Postal Service, ou Jezebel). No total, o concerto durou cerca de 1h45, com momentos algo díspares, mas sempre interessantes. Acabou com um encore no qual o músico optou por tocar Naked as we came, sozinho com a sua guitarra.
Claro que ficaram muitas canções por tocar. Algumas das minhas favoritas. Mas com uma discografia já com cinco ou seis álbuns, não é fácil agradar a toda a gente (e eu aceito a minha parte). Talvez o que me tenha desagradado tenha sido o público alemão. Frio, mas ao mesmo tempo barulhento, com pessoas a andar de um lado para o outro durante o concerto, entrando e saindo da sala constantemente. Mais respeito seria agradável.

Tirando isso, foi um belo regresso... ao futuro.

E as visitas continuam


Já diz o ditado que "não há fome que não dê em fartura". O que me parece de alguma forma apropriado para descrever o facto de ter a segunda visita em Berlim apenas dois dias depois de dizer adeus às primeiras visitas. Muito bom.
Desta vez, dei as boas-vindas à M., amiga de longa data. O tempo não esteve propriamente de feição, pelo que foi necessário encontrar estratégias alternativas de "aproveitar" Berlim. O que não foi, de todo, negativo! Foi uma visita diferente - saímos muito, dançamos, divertimo-nos. Provavelmente, como já não acontecia há muito tempo. Ficam para a história noites muito bem passadas. E uma visitante satisfeita. Pelo menos, assim o espero. E cá te esperarei para futuras visitas, miúda.

As primeiras visitas em Berlim


Maio será sempre um mês especial. Quanto mais não seja porque é o mês em que a minha mana faz anos. E, neste ano em que estou longe, ela veio passar o seu aniversário comigo. A minha primeira visita em Berlim. Claro que, com ela, veio o resto da família. O que proporcionou fortes emoções, nomeadamente no reencontro da minha princesa pequenina, e me fez sentir de regresso a casa (ou não tivessem sido eles a minha casa nos últimos cinco anos...).

Foi bom ter a casa cheia, de pessoas e de vida. Foi bom redescobrir uma Berlim mais turística, que ainda não tinha visitado nestes quase 3 meses, mas também conhecer novos lugares. Foi bom poder partilhar com eles aquela que é a minha vida neste momento. E foi principalmente bom poder sentir de novo o carinho que só aqueles que nos amam nos conseguem transmitir... Acho que estava com saudades.

Pequenas coisas da vida


E, ao penúltimo dia do mês de Maio, vejo um postal preso na ranhura da porta ao chegar a casa. São coisas "pequeninas" como estas que fazem os dias valer a pena.

This is not a film

Como já perceberam, as idas ao cinema não têm sido particularmente profícuas aqui em Berlim (a barreira linguística é realmente um problema). Mas descobri (não por mim própria, mas através de uma dica) que existe uma Berlin Film Society que organiza umas sessões temáticas, tendo sempre a preocupação daqueles que não falam a língua alemã. Boa. Para Maio, organizaram as "quintas-feiras dos documentários". Não consegui ir à primeira, mas a segunda não me escapou (apesar da preguiça...), talvez por ser um documentário que há muito me interessava ver: This is not a film, de Jafar Panahi, realizador iraniano que se encontra, desde 2010, numa espécie de prisão domiciliária, tendo sido acusado de propaganda pelo governo iraniano e, consequentemente, condenado a 6 anos de prisão e a uma interdição de 20 anos de fazer filmes, escrever argumentos, dar entrevistas ou qualquer outro actividade relacionada. Foi na sequência desta sentença que Panahi fez este documentário (a ironia do título "Isto não é um filme", porque Panahi se encontra proibido de fazer filmes), cujo objectivo primordial era, aparentemente, contar a história do filme mais recente que o realizador queria fazer. Mas acaba por funcionar como um testemunho, um diário de um homem a quem foi retirada a sua vida. Porque a vida de Jafar Panahi é contar histórias através de filmes.
É chocante sem ser agressivo - está tudo lá, nas entrelinhas. Custa-me ver que alguém com tanto para dizer é impedido de o fazer, enquanto por esse mundo fora tanta gente tem a liberdade de apenas dizer porcaria. É um mundo triste, este. Mas que continuem a sair cá para fora, dentro de bolos ou através de outras estratégias afins, as obras deste senhor, para que possamos continuar a ouvir a sua voz.

1º de Maio



Diz que o 1º de Maio é o Dia do Trabalhador, um pouco por todo o mundo. Mas diz também que o 1º de Maio é um dia especial em Berlim, especialmente na área de Kreuzberg, com um historial de manifestações e confrontos com a polícia. Porquê, não sabia até hoje ter ido ler um pouco sobre o assunto - sendo que o 1º de Maio é, tradicionalmente, um dia de festa e celebração, no ano de 1987 manifestantes de grupos anti-fascistas e de extrema-esquerda envolveram-se em graves confrontos com a polícia, que teve que se retirar por completo da área de Kreuzberg. Desde então (e já passaram 26 anos), o dia é normalmente marcado por alguns desacatos... mas nos últimos anos a situação tem acalmado e, na passada quarta-feira, em que também eu rumei a esse pedaço de Berlim, o ambiente era unicamente de festa. Milhares de pessoas nas ruas, música, comida, bebida. Muita animação. Nada que fizesse propriamente lembrar que estamos num país tão amplamente associado à austeridade... emocional. Porque Berlim é, definitivamente, uma cidade diferente.

Pictoplasma - Best of 2013

Escrevo com algum atraso. A semana, ocupada, não me deu paz de espírito suficiente para me dedicar à escrita. Mas este domingo simpático é a altura ideal para o fazer. 
No passado fim-de-semana, fiz o meu primeiro programa de cinema em Berlim. Não para ver um qualquer filme, mas sim para assistir às melhores curtas de animação do festival Pictoplasma (Festival and Conference of Contemporary Character Design and Art). O que foi, definitivamente, uma óptima ideia, visto que gosto de curtas e gosto de filmes de animação. Sinto que, de alguma forma, é mais fácil veicular informação nestes formatos.
A sessão que assisti, como disse, pretendia compilar o que de melhor passou pelo festival. E passaram coisas muito interessantes. Algumas nitidamente com um cariz mais político, como a curta "This land is mine", de Nina Paley (a qual adorei), outras com um propósito específico, como "Dumb ways to die", de Ollie McGill, encomendada pelo Metro Trains como alerta de consciência para os perigos dos comboios. Estas duas foram, provavelmente, as que melhor me ficaram na memória. Mas todo o conjunto era muito interessante, pelo que valeu muito a pena. Muitas gargalhadas, canções que ficam no ouvido (e não querem de lá sair!)... um serão bem passado.

Palma Violets ao vivo @ Lido

Primeira incursão na cena musical (que não clássica) berlinense. Os escolhidos? Palma Violets, banda originária de Londres, com um pézinho ali no punk-rock. Não conhecia, mas ao ouvir as gravações de estúdio, fiquei impressionada - um vocalista principal com uma voz bem grave, profunda, daquelas que vai até à alma... Bem impressionada, portanto.
Ao vivo, lá se foi a boa impressão. Concerto completamente caótico, com o baixista completamente alucinado (como já não via ninguém há muito tempo...) e a acabar com uma invasão de palco por parte de um grupo de miúdos cuja hora de deitar parecia já ter passado há algum tempo... Enfim. Não digo que os miúdos (perceba-se, da banda) não tenham jeito para a coisa. As (boas) influências estão lá - The Clash, talvez um pouquinho de Joy Division... Mas falta-lhes um bocadinho de juízo. Não digo muito, mas há que crescer e amadurecer um pouco aquela histeria. Se não, não há quem os ature, por muito boa que seja a música.

Berlinische Galerie - Museu de Arte Moderna

Segunda-feira a seguir à Páscoa é feriado na Alemanha. E ele há lá maneira melhor que aproveitar um feriado do que indo a um museu?... Talvez haja, mas para programas solitários, é do melhor que se pode arranjar!
Entre várias hipóteses, optei por fazer uma visita à Berlinische Galerie, que é o Museu de Arte Moderna, Fotografia e Arquitectura cá do sítio - bem ao jeito das minhas preferências, mas também aproveitei o facto de, nas primeiras segundas-feiras do mês, a entrada ser a metade do preço.
Neste momento, para além da exposição permanente, estão patentes três outras exposições (ou, pelo menos, foi aquilo que eu vi). Uma de K.H. Hödicke, pintor alemão; outra sobre os projectos arquitectónicos para edifícios públicos e embaixadas no período posterior a 1990 (no seguimento da queda do muro); e uma terceira de Sergej Jensen, vencedor do Prémio Fred Thieler 2013. Sobre este último não vou falar muito, porque não me despertou particular interesse. Agora das restantes exposições gostei muito. Hödicke tem trabalhos muito interessantes (fotografias do canto superior esquerdo e do canto inferior direito), muito fortes visualmente. A exposição de arquitectura é muito interessante do ponto de vista histórico, porque retrata algo de muito único nos tempos que correm, que é o renascer de uma cidade. É uma perspectiva muito interessante. E a exposição permanente, que faz um compêndio da arte berlinense de 1880 a 1980, engloba todo um conjunto de arte fascinante, passando por várias períodos históricos (Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Pós-Guerra/Muro), mas também por diversas correntes artísticas.
Gostei muito. Foram 2h30 muito bem passadas, cheias de descobertas.

Novas tradições de Páscoa...


Mais uma Páscoa passada fora de portas. Tem sido tão comum que já não me lembro de estar no Pinheiro rodeada pela família, à espera do cabrito... Mas, desta vez, foi uma Páscoa diferente - não ando a viajar por um qualquer canto do mundo, estou mesmo a viver fora do país. O que torna toda a dinâmica destes momentos diferente.

Assim, o convite feito pelo big boss para um aparentemente típico pequeno-almoço de Páscoa acabou por calhar mesmo bem, mesmo em jeito de substituto de algo mais familiar. 11h em ponto lá estávamos nós no bairro mais chique de Berlim, último piso de um sólido prédio antigo que revela uma casa cheia de charme (incluindo um piano de cauda na sala de estar - que sonho!). Mesa cuidadosamente posta, mas de forma acolhedora, cheia de iguarias. Das quais se destacavam, obviamente, os ovos cozidos, coloridos, quais donos da mesa. O objectivo, segundo percebi, é comer de tudo. E misturar tudo, no mesmo prato. Só não vale não comer. E foi exactamente isso que fizemos, como bons convidados. 

Claro que houve momentos estranhos, de pouco à vontade, como em qualquer situação em que se tenta uma intimidade que não existe. Uma Páscoa diferente, sem dúvida. Mas foi bem giro.

Tannhäuser and the Singers' Contest at Wartburg @ Deutsche Oper Berlin

Com o fim-de-semana da Páscoa veio o primeiro programa "cultural" em Berlim - e que começo auspicioso esse, com uma ida à ópera na Deutsche Oper Berlin. Com a companhia de alguns colegas de laboratório, o final de tarde de sábado trouxe consigo esta obra de Richard Wagner, de seu nome (em Inglês) "Tannhäuser and the Singers' Contest at Wartburg". É uma ópera em 3 actos que conta a história (ou melhor, o drama) de Tannhäuser que, depois de uns tempos bem passados (por assim dizer) na montanha de Vénus, deseja voltar à sua vida terrestre e reencontrar a sua amada, Elisabeth. Com a intercepção da Virgem Maria, Tannhäuser consegue regressar, mas durante o concurso de cantores em Wartburg resolve cantar sobre as suas aventuras com Vénus. O público, enfurecido, decide que ele terá que viajar até Roma e pedir perdão ao Papa pelos seus pecados, o que não acontece, resultando assim na morte de ambos os protagonistas, Elisabeth e Tannhäuser, visto não poderem estar juntos como tanto anseiam.

Assim contado até parece simples, embora muito dramático, sem dúvida! Aparentemente, as óperas alemãs têm uma tendência para o dramatismo... Mas agora imaginem assistir a esta obra com os cantores a cantarem em alemão e com as legendas em alemão. Ora bem, não percebi nada. Tenho mesmo que confessar. Esforcei-me, mas foi complicado. No entanto, foi uma experiência muito interessante, porque as partes "universais", como a música e a encenação, eram de uma qualidade muito elevada. A encenação, em particular, surpreendeu-me pela sua complexidade. 
Por isso, primeiro programa cultural aprovadíssimo. Deixa vontade de voltar, provavelmente para algo um bocadinho mais animado e menos trágico. Mas, sem dúvida, uma experiência para repetir.

Ah, e com a modesta duração de 4 horas...