Outra vez do outro lado do mundo...

Passaram menos de 6 meses e lá fui eu novamente para o outro lado do mundo, desta vez para paragens mais frias na América do Norte, mais concretamente para o Canadá.
Se os motivos da viagem foram profissionais, nada como aproveitar a deslocação para umas férias (já merecidas, por esta altura). Assim, fiquei uma semana a passear pela região da Colúmbia Britânica (ou British Columbia, no original), região que inclui a cidade de Vancouver e também a capital de província, Victoria - visitei ambas! Durante uma semana, houve sol, neve, arranha-céus, montanhas, bosques verdejantes - e muito mar. Houve, então, paisagens para todos os gostos, e paisagens bonitas. amplas. São de uma amplitude que não estamos muito habituados por cá, talvez porque há tanto espaço que grande parte dele acaba por ficar livre, perante os nossos olhos.
Foi uma viagem importante para mim. Pela experiência. Pela forma como me "enfrentei" a mim mesma durante esse período. Pelas dificuldades que encontrei e fui capaz de ultrapassar. E também pelas possibilidades que daí advieram - afinal, viajar sozinha não é nenhum bicho-papão.

Agora, ficam as fotografias.


Edifício do Governo, Victoria

Estátua de Emily Carr, ilustre artista de Victoria

Jardins da casa do governador, Victoria

Stanley Park, Vancouver

Esculturas do artista plástico chinês Yue Minjun, inseridas na bienal de Vancouver

Ruas de Vancouver

Whistler, local onde foram realizados os Jogos Olímpicos de Inverno em 2010

Teleférico entre as duas montanhas de Whistler


Whistler depois do nevão


Fotografias por Rita Barbosa

Num mundo melhor



A escolha para a última sessão de cinema durante um período de tempo mais ou menos longo foi o filme vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, o dinamarquês/sueco "Num mundo melhor", de Susanne Bier.
O filme versa, principalmente, sobre a dualidade entre a vingança e o perdão, com subtilezas que incluem o efeito destes sentimentos na formação de personalidades e nas relações interpessoais. Cruza as histórias de duas famílias, cujo ponto de contacto é a relação entre Elias, filho de Anton e Marianne, um casal em separação, e Christian, filho de Claus, cuja mãe morreu de cancro há pouco tempo, tendo obrigado a família a mudar-se de Londres para uma pequena cidade na Dinamarca. Anton é um médico que divide a sua vida entre a Dinamarca e um campo de refugiados, em África, onde exerce a sua profissão, e em ambas as realidades da sua vida se vê confrontado com o dilema supracitado, entre vingança e perdão. Anton acredita que o perdão é a resposta, mas o facto do filho Elias ser vítima de bullying na escola vai pôr as suas crenças em perspectiva...
"Num mundo melhor" é um filme interessante e bem feito. Não traz nada de novo, apenas pega em assuntos que todos conhecemos - do nosso dia-a-dia ou das notícias. Talvez por isso, não me fascinou particularmente, mas também não desgostei. Agora ter ganho o Oscar... Não sei. Não me lembro quem eram os outros candidatos, por isso não me pronuncio. Mas que não me pareceu estar particularmente à altura, não.

Mais um Clubbing Optimus, mais um grande concerto



Para fechar com chave de ouro uma semana que começou em beleza, sábado trouxe consigo mais um Clubbing Optimus na Casa da Música. O de Março foi um bocadinho alternativo, mas em Abril voltaram os cartazes apetecíveis, com a actuação de Roy Ayers, um senhor de 70 anos que é uma lenda viva do jazz rítmico. Claro que eu só soube disto depois de ser anunciado o cartaz do Clubbing, mas ainda assim é muito bom conhecer coisas novas (mesmo que já sejam antigas), principalmente quando são boas.
Continuamos em trio, se bem que com membros diferentes - desta vez, ficou tudo em família. O serão foi calminho, com jantar italiano (com alguns percalços) e depois um chill-out no bar da Casa da Música antes do concerto propriamente dito. O público estava, aliás como de costume, bastante ecléctico, com pessoas de todos os tipos e idades. O que é bom para refrescar os olhos.
Apenas assistimos ao concerto de Roy Ayers, mas não creio que a noite pudesse ter sido melhor do que foi: energia, energia, energia. Que banda espectacular! Embora a média de idades dos músicos não fosse baixa, não se notava nem por um momento, com um ritmo louco que dominou todo o concerto. O facto de grande parte do repertório não me ser familiar não atrapalhou em nada. Foram cerca de 90 minutos de pura diversão. No final, tivemos direito a sessão fotográfica e de autógrafos, da qual só aproveitámos estes últimos. Para mais tarde recordar. Porque a vida tem destes momentos bons.

9ª Festa do Jazz do São Luiz - O trio maravilha, seguido de uma sobremesa docinha



Sexta-feira trouxe consigo o primeiro dia da 9ª Festa do Jazz do São Luiz. Para mim, acho que foi mesmo uma primeira vez, embora a minha memória não seja propriamente de fiar.
O cartaz do primeiro dia incluía, como "cabeças de cartaz", as actuações do Bernardo Sassetti Trio e do projecto colaborativo entre Maria João e a Orquestra Jazz de Matosinhos. O trio conta, para além de Bernardo Sassetti, com Carlos Barreto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Um colectivo de habitués, portanto. Com algumas composições originais e outras adaptadas, envolveram a sala principal do São Luiz com a sua música por vezes mais enérgica, outras mais suave, mas sempre... "quente" (à falta de melhor adjectivo). Apesar de ser sexta-feira à noite, de todo o cansaço acumulado, estive bastante desperta durante a actuação do trio maravilha. Depois de um breve intervalo, foi a vez de subirem ao palco a Orquestra Jazz de Matosinhos e Maria João, que num projecto conjunto deram uma nova roupagem a variadas composições, quer de trabalhos anteriores de Maria João, quer de músicas pertencentes ao cancioneiro popular brasileiro, entre outras. O resultado, a ser brevemente editado, tem como título Amoras e Framboesas. Os arranjos de uma big band dão, algo obviamente, um outro ar às músicas. A interpretação de Maria João é fiel a si mesma, sempre altamente versátil. Mas não sei se a junção das duas coisas me convenceu por inteiro... Houve algum cansaço pelo meio, que me levou a desligar um pouco do que estava a acontecer à minha volta. Talvez por isso tenha ficado mais distante desta segunda parte da noite do jazz do que da primeira, liderada pelo trio de Bernardo Sassetti. Mas não sei se não gostarei mesmo mais do estilo musical deles... É difícil dizer, porque são muito diferentes.
De qualquer forma, foi uma noite muito interessante. As ruas cheias de gente, o passeio pelo centro da cidade, a temperatura agradável... Vai-se a ver, Lisboa até tem coisas boas. ;)

Mel



Mel é um filme turco realizado por Semih Kaplanoglu. Terceira e última parte de uma trilogia que anda para trás, Mel acompanha o percurso de Yusuf enquanto criança (os outros dois filmes, Yumurta, de 2007, e Süt, de 2008, referem-se à sua meia-idade e juventude, respectivamente). Yusuf vive com o pai e mãe numa zona remota da Turquia. O pai, recolector de mel, é o grande amigo do menino, a única pessoa com quem consegue ultrapassar o seu problema de comunicação. Os tempos estão difíceis na recolha de mel, que escasseia na região, e o pai de Yusuf vê-se obrigado a ir cada vez mais longe para colocar as suas colmeias. E, numa dessas expedições, não regressa a casa, deixando o filho imerso no seu silêncio.
Mel é um filme pungente. A acção é extraordinariamente lenta, os diálogos são escassos, e ainda assim é dos filmes mais belos e comovedores que já tive oportunidade de ver. Os planos de realização são normalmente demorados, talvez para nos fazer absorver o ritmo das vidas que ali são vividas. O ritmo de quem saboreia a Natureza que o rodeia, o verdadeiro ritmo das vidas a serem vividas. Desenganem-se se pensam que, por ser lento, o filme deixa de ser intrigante e de nos deixar presos à cadeira - é precisamente aí que vão ficar até perceberem o que acontece a Yusuf. Brilhantemente interpretado por Bora Altas, que está no filme como peixe dentro de água (não percebo como uma criança tão pequena é capaz de tal coisa) - e aqueles grandes olhos pretos... uma doçura.
Uma pequena grande obra prima, que me parece totalmente merecedora do Urso de Ouro no último Festival de Cinema de Berlim. A mostrar que há muito bons filmes por esse mundo fora, e que, com pouco, se pode fazer muito.

Souad Massi ao vivo na Fundação Gulbenkian, ou a voz quente que aconchega a alma em noites chuvosas



Uma segunda-feira chuvosa trouxe consigo este concerto de Souad Massi, cantora argelina que eu muito aprecio. Oportunidade para conhecer o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, onde nunca tinha estado (se bem me lembro). Souad Massi fez-se acompanhar de um quarteto de outros músicos, que no seu conjunto mais pareciam uma família do que uma banda...
O concerto teve como mote o lançamento do novo álbum de Massi, intitulado "Ô Houria", que em português significa Liberdade. Um título apropriado se pensarmos que Massi tem pautado a sua vida pessoal e artística por um activismo político que, inclusivamente, já lhe custou períodos de prisão no seu país natal. Esse mesmo que está em guerra civil praticamente desde 1992. Adiante. O alinhamento do concerto esteve mais ligado a este novo álbum, o qual não conhecia, mas também houve direito a passagens pelos anteriores "Raoui", de 2001, e "Mesk Elil", de 2006, do qual cantou a minha muito querida "Ilham" (que em português será Inspiração, nem de propósito). Foi um concerto que me fez, sobretudo, sonhar. De repente não estava ali, na Gulbenkian, mas num qualquer país distante. Quem sabe se na Argélia, país que muito curiosidade me suscita, se pensar que também foi de lá que veio o "meu amigo" Camus...
Um serão bonito e memorável, que acabou em casa da prima Carol a beber cházinho e a ouvir o já citado "Mesk Elil", para fazer perdurar na memória esse ambiente de sonho para o qual fomos transportadas pela bela Souad.

True Grit - Indomável



Na passada semana não houve sessões de cinema, por motivos principalmente relacionados com preguiça, mas esta semana estou de volta e com um filme de peso: Indomável (True Grit no original), última obra dos irmãos Coen. Uma aventura, portanto, depois do que foi assistir ao filme anterior deles (Um homem sério)...
A minha disposição geral era mesmo dormir. E não estava propriamente com grandes expectativas em relação ao filme. Foi mais do género "vamos ver como isto corre". Talvez por isso tenha gostado bastante. Não é um filme espectacular, mas é um filme bem feito e competente. A história é simples: Mattie Ross (Hailee Steinfeld), de 14 anos, quer vingar a morte de seu pai e para tal contrata o US Marshal mais implacável de todos os tempos - Rooster Cogburn (Jeff Bridges). A saga de ambos em busca de Tom Chaney, o dito assassino, será recheada de percalços e aventuras, incluindo a companhia de um Texas Ranger (Matt Damon) - humor e acção, eis o que mais povoa este filme. As interpretações são muito boas, cada um a seu jeito. Matt Damon tem aqui um papel realmente diferente daqueles a que nos tem acostumado. A jovem Hailee tem uma estreia cinematográfica em grande. E Jeff Bridges... igual a si mesmo.
Será que posso então dizer que os irmãos Coen se redimiram da impressão que deixaram com o último filme?... Não sei. É sempre melhor deixar um pézinho atrás, porque com estes senhores nunca se sabe o que vem a seguir. Mas que gostei deste "Indomável", gostei. Até me deixou com vontade de ver outros westerns (uma grande falha na minha cultura cinematográfica - entre outras).

Blue Valentine - Só tu e eu



Este é um filme sobre a separação. Consequentemente, é um filme doloroso. Talvez não deprimente, mas é impossível sair bem disposto da sala de cinema depois de o ver...
Dean e Cindy são um jovem casal em ruptura. Quando a narrativa começa, têm eles uma filha de 6, 7 anos. A partir daí, o filme vai-nos contar as circunstâncias em que se conheceram, misturadas com momentos presentes, e a história deles vai-se desenrolando. Parece-me extremamente difícil dizer mais do que isto sobre o filme. É um daqueles filmes que tem mesmo que se ver para se perceber o impacto que tem.
Ryan Gosling e Michelle Williams estão soberbos. O filme está realizado de uma forma inteligente. Sinceramente, até sinto dificuldades em expressar-me porque tudo o que me ocorre me parece demasiado banal. Deixou-me emocionalmente quebrada. Com um aperto no peito.
E mais não digo. Se vos parece interessante, vejam-no. Vale muito a pena.

Azul longe nas colinas



Esta ida ao teatro já estava há muito planeada, mesmo antes da peça estrear, para dizer a verdade. Tudo para poder aproveitar os bilhetes a metade do preço às quintas-feiras... Que uma pessoa gosta destas coisas, mas se puder poupar, tanto melhor (até porque estamos em tempo disso).
Bem, tenho que confessar que a razão mais principal de todas para ter ido ver esta peça foi o facto do Albano Jerónimo constar do elenco... Eu sei, nada nobre, esta razão, mas há que ser sincera nestas situações. Razões à parte, o elenco é muito bom, Albano incluído. Então e a história? Sete miúdos, amigos, passam os seus tempos livres em brincadeiras num bosque perto de suas casas, imitando as rotineiras vidas dos adultos. Sete crianças, interpretadas por adultos, a brincar aos crescidos... Interessante, no mínimo. A história, embora simples, encerra muita da complexidade humana. O nosso desejo, enquanto crianças, de imitar o que vemos à nossa volta, muitas vezes sem a capacidade de percebermos o que é certo ou errado. A natural falta de consequências nos seus actos faz com as crianças sejam, por vezes, cruéis, e é também isso que vemos retratado na peça. Tal como há tanto que nos é inerente, e não apre(e)ndido...
Esta reflexão sobre a natureza humana é obra de Dennis Potter, autor inglês, a encenação é de Beatriz Batarda, a música do seu marido, Bernardo Sassetti, e no elenco, para além do supracitado Albano Jerónimo, temos Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz e Nuno Nunes. Em cena na sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, até 20 de Março. E vale bem uma ida ao teatro.

O Discurso do Rei




Sessão de cinema pós cerimónia dos Oscares, não poderia trazer outro filme que não o vencedor, este "O Discurso do Rei", de Tom Hooper. O filme, que deu igualmente o Oscar de Melhor Actor a Colin Firth, conta a história do rei George VI e da relação que estabelece com Lionel Logue, um terapeuta da fala australiano, a quem recorre para ultrapassar a sua gaguez. A história centra-se no período da década de 1930, com a morte do rei George V, o problema da sua sucessão (George VI sobe ao trono após a abdicação do seu irmão, Edward), e a iminente II Guerra Mundial. Para além dos desafios políticos, o rei enfrenta o seu maior desafio, esse pessoal - o de ultrapassar o seu problema de fala.
Se, por um lado, é um filme clássico e tipicamente orientado para os Oscares, por outro lado não deixa de ser um filme muito bem feito e bonito. As interpretações são soberbas (tanto de Colin Firth, como de Geoffrey Rush e de Helena Bonham-Carter, como Rainha-Mãe, essa personagem tão acarinhada), há pormenores de realização fantásticos (enquadramentos, fotografia, etc.) e a luz dos planos exteriores... linda. Há uma cena em particular que adorei, filmada nos jardins de St. James, junto ao Palácio de Buckingham (se não me engano), em que a luz é tão difusa que os planos mais parecem pinturas.
Por isso, é um belo filme. Dá gosto ver. Mesmo que seja um clássico. Mas não há nada de mal nisso, não é?...

Clubbing Optimus - Fevereiro 2011, ou o rapaz de Tondela seguido pelo virtuoso da guitarra (ainda com tempo para ouvir o amor que nos separa)



Fim-de-semana de rumo a Norte, com planos variados e muita vontade de passear! Entre esses planos, constava este Clubbing de Fevereiro, na agenda há quase um mês... A companhia alterou-se ligeiramente (em relação ao último), mas nem por isso foi menos interessante. Numa noite de revivalismos, começámos por rumar até à sala 2, por onde tocava Samuel Úria, o música orgulhosamente tondelense, embora vendido a terras lisboetas... 45 minutos de voz e guitarra, a tocar o seu álbum "Nem lhe tocava". Muito simpático e falador, a honrar as suas origens beirãs (ficou todo contente quando a Marta gritou "Viseu" - há aí alguém de Viseu?, perguntou o rapaz), munido de todo o seu charme para seduzir uma plateia de cerca de 100 pessoas. Que desapareceram ainda antes da última música, porque na sala Suggia começava Peter Hook a tocar o álbum emblemático dos Joy Division, "Unknown Pleasures", em homenagem aos 30 anos que passaram pela morte de Ian Curtis. Já eu, para ser diferente, fiquei mesmo por lá, para ver Norberto Lobo, o rapazito da guitarra. Bem, mas que transformação! Da fragilidade do seu aspecto à pujança da música que extrai de uma simples guitarra. Momentos de reflexão, portanto, que muita falta fazem nestes dias... No final, ainda deu para ir até à Suggia, onde consegui apanhar o fim do concerto, com direito a ouvir "Transmission" e "Love will tear us apart" - a cereja no topo do bolo. Para acabar, ainda fomos até ao restaurante no último piso, abanarmo-nos ao som de DJ Kitten. Assim se passou um serão, cheio de música.

Pena que o Clubbing de Março não pareça minimamente interessante...

Sexo sem compromisso



Na semana passada, com tantos filmes candidatos ao Oscar, resolvemos simplificar e ir ver um filme levezinho, porque ninguém estava a querer pensar demasiado... A escolha acabou por recair neste "Sexo sem compromisso", com a agora vencedora do Oscar Natalie Portman e Ashton Kutcher, o sr. Demi Moore. Claro que a história é previsível, claro que é a típica comédia romântica. Não estava à espera de outra coisa. Os actores estão bem nos seus papéis, ela médica, ele qualquer-coisa na produção televisiva. Conhecem-se enquanto adolescentes e vão-se cruzando ao longo da vida. Já adultos, encetam uma relação sem compromisso - são amigos única e exclusivamente para sexo. Claro que isto não irá correr bem e, a determinada altura, começam a criar expectativas em relação um ao outro, seguidas de encontros e desencontros que culminam no habitual final feliz.

(longo suspiro)

Quer dizer, para quem não queria ver filmes deprimentes... Não é que este me tenha deixado particularmente bem disposta. Mas, se calhar, já tem mais a ver comigo, do que propriamente com o filme. Para a semana será melhor.

Luísa Tender e Jill Lawson - Duo de pianos


No passado fim-de-semana, fui assistir a uma recital de piano que ocorreu na Culturgest, pelas mãos de Luísa Tender e Jill Lawson. O programa, embora em grande parte desconhecido para mim, pareceu-me interessante. Principalmente, porque incluía Tchaikovsky, que é um autor do qual gosto muito.
Assim, tivemos direito a quatro peças. O recital começou com excertos de "O Quebra-Nozes", de Piotr Tchaikovsky, com transcrições para dois pianos de Nicolas Economou. Seguiu-se uma obra mais densa, "La Valse", de Maurice Ravel, com transcrição de compositor. Após o intervalo, foi a vez de uma obra contemporânea, da autoria de Fernando Lapa, compositor português nascido em Vila Real. "Storyboard - seis miniaturas para piano a 4 mãos" foram algo enfadonhas, principalmente para quem não aprecia o género musical mais contemporâneo... Para finalizar, tivemos direito a ouvir "Suite nº2, op. 17" de Sergei Rachmaninov, da qual muito gostei.
Foi um final de tarde calmo e interessante. E diferente.

Os miúdos estão bem



Pronto, dá para perceber que a inspiração não tem sido muito... Que fazer?
Este "Os miúdos estão bem" foi o filme da semana passada. Escolha feita a pensar no facto de ser um filme que não se iria aguentar muito mais tempo em cartaz (e, realmente, saiu na semana seguinte). A crítica foi muito favorável a este filme que conta a história de um casal de irmãos, filhos de duas mães, que vão à procura do seu pai biológico. E, ao encontrá-lo, esse encontro irá colocar as vidas de todos de pernas para o ar.
Primeiro: soberbas interpretações, principalmente de Annette Bening (nomeada ao Oscar por este papel), completamente masculinizada. Mark Ruffalo foi um pouco de uma desilusão, porque tempos houve (em que estava maluquinha, só pode) em que achei esse senhor interessante. Não. O senhor é apenas canastrão. Não é mau actor. Mas não é bonito, isso com certeza. Bem, mas isso é pouco relevante para o caso. A personagem de Ruffalo, pai/dador de esperma, é quem vai pôr toda a acção na história. Nic e Jules têm uma relação sólida, em que cada uma delas teve um filho pôr inseminação artifical (ambos filhos de Paul). No entanto, a sua relação não passa pela melhor fase, uma vez que Jules não se sente realizada profissionalmente e acha que Nic não a apoia a 100% neste campo. O aparecimento de Paul vai destabilizar ainda mais a relação entre as duas, e a relação que têm com os filhos, Joni e Laser.
Assim, é um filme sobre a família, basicamente. Sobre o casamento. Sobre a idade. Sobre as exigências que a vida nos vai impondo. Muito bem conseguido, apenas tenho um reparo a fazer e que se prende com o facto de, algo bruscamente, Paul desaparecer da vida de todos. Pareceu-me algo estranho, uma vez que ele pertence a grande parte do filme. Mas, no fim, os miúdos estão bem. E isso é que interessa.

Cisne Negro



Mais uma semana, mais um filmezinho! É quase como que uma montanha-russa, estas sessões de cinema...
"Cisne Negro" é o mais recente filme de Darren Aronofsky, autor de filmes marcantes como "Requiem for a Dream" ou "The Wrestler", entre outros. Garantido era, assim sendo, um filme para não deixar ninguém indiferente. A história não é muito rebuscada. Nina, bailarina, atinge o sonho de uma vida: ser escolhida para o papel principal de "O Lagos dos Cisnes", obra emblemática de Tchaikovsky. Se Nina é perfeita para encarnar a personagem do Cisne Branco, o mesmo não se pode dizer da sua interpretação da "irmã das trevas", o Cisne Negro. Na procura do bailado perfeito, Nina arrasta-se até aos limites da sua sanidade mental.
Se a história não é rebuscada, a sua narração neste filme é intrincada e brilhante. Mestre dos thrillers psicológicos, Aronofsky persegue (quase literalmente) Natalie Portman na sua prestação de Nina. Os pormenores artísticos da realização são belos (jogos de luzes, fotografia, posicionamento das câmaras, ângulos de filmagem), o que faz deste "Cisne Negro" um filme belo. Mas desenganem-se desde já. Confrontada com a pergunta habitual "gostaste do filme?", respondo: deste filme não se gosta. É um filme lindo, bem feito, soberbamente interpretado. Tem tudo. Mas não é um filme de que se goste. É um filme que se admira.
Quanto a Portman, tem aqui, provavelmente, o papel da sua vida. Se não levar agora o Oscar para casa, não imagino quando isso possa acontecer.

Bravo!

As rosas de Atacama



Mais uma semana, mais um livro lido. Outro de Luís Sepúlveda, e outro livro de pequenas histórias, pequenas crónicas de vida. Muito na mesma onda de Histórias daqui e dali, este "As rosas de Atacama" colecciona histórias sobre o autor, sobre a sua vida no exílio, sobre pessoas que foi conhecendo aqui e ali, por entre o mundo de locais por onde passou. É, assim, um testemunho de uma vida cheia, daquelas vidas que nos fazem inveja, que nos põem a pensar na nossa vida que levámos por cá...
Sepúlveda é um contador de histórias. Capta as situações e pessoas com emoção, transmitindo toda a carga emocional inerente.
Assim, são livros muito agradáveis, que se lêem num ápice.

Bernardo Sassetti em concerto ou a aula sobre a história dos blues



Aconteceu, durante a última semana, um ciclo musical na Culturgest, organizado por Ruben de Carvalho, que, este ano, foi dedicado aos blues. Da oferta proposta, decidi ir ver o concerto de Bernardo Sassetti. Mas não foi de um concerto que se tratou. Foi antes uma aula sobre a origem dos blues, as suas temáticas, as suas raízes musicais. Sassetti falou com o público, mostrou exemplos, tocou trechos musicais relacionados com a temática em questão. Isto intercalado com passagens do documentário que Martin Scorsese dedicou a este género musical tão presente nas nossas vidas.
Foi um exercício muito interessante. Claro que eu, para não variar, não tinha lido a descrição do evento e, como tal, fui convencida de que iria apenas assistir a um concerto... Mas não. Ouvi boa música ao mesmo tempo que aprendi. Sendo que aprender é um dos verbos mais bonitos, não?...
Assim sendo, gostei muito desse serão. Pena é que não haja mais iniciativas deste género. Uma pessoa está sempre desejosa de aprender.

E, graças a este "concerto", relembrei-me de um gosto que já vai sendo antigo, que é o pelos blues africanos do Mali. Sendo que Ali Farka Touré é o meu intérprete mais favorito de todos. Esse grande músico...

Um ano mais



O mais recente filme de Mike Leigh (o mesmo de Happy Go Lucky, revisto neste blog) é, como não poderia deixar de ser, um filme sobre pessoas. Começo a chegar à conclusão que são esses os meus filmes favoritos, os que se debruçam sobre pessoas, mas pessoas a sério, com defeitos e qualidades e, acima de tudo, com limitações.
Tom e Gerri (isso mesmo) compõem um casal de meia-idade que vive confortavelmente a sua vida e a sua relação. Pessoas afáveis e sociáveis, vão vivendo rodeados de amigos, ao longo de um qualquer ano mais... Particular ênfase para Mary, uma mulher também de meia-idade que carrega o peso de ter vivido um casamento que não resultou, seguido de uma relação que também não teve pernas para andar, tendo chegado aos dias presentes sozinha e algo desequilibrada. Mary sente a sua relação com Tom e Gerri como um substituto de tudo aquilo que ela não alcançou, nomeadamente o ter uma família sua.
Mas, então, sobre o que trata este filme?
Precisamente sobre esta dinâmica: família vs amigos, vida própria vs vida dos outros, a percepção do nosso lugar no mundo. É um filme simples. Não há um enredo, princípio ou fim. Há apenas estas pessoas que se relacionam, com o que isso acarreta. E está tão bem conseguido, tão bem filmado e interpretado, que é um filme maravilhoso. Mas não é para qualquer pessoa.

Vais conhecer o homem dos teus sonhos



Sessão de cinema ao fim-de-semana, para não começar a acumular (demasiados) filmes para ver. Claro que não poderia faltar o mais recente filme de Woody Allen, esse mestre em retratar relações humanas...
You will meet a tall dark stranger ou, em português, "Vais conhecer o homem dos teus sonhos" (o título em inglês é, apesar de tudo, bem melhor) é um filme bem ao estilo do seu autor, repleto de encontros e desencontros de personagens a roçar o psicótico - que é exactamente o que nós (apreciadores dos seus filmes) tanto gostamos. Ora bem, temos a habitual teia de personagens, com suas histórias cruzadas, como não poderia deixar de ser. A saber: Alfie, antes casado com Helena, pai de Sally, está numa crise de meia-idade. Decide casar com Charmaine, uma prostituta de semi-luxo, que enche de presentes. Helena entra em depressão e procura ajuda em Cristal, uma pseudo-vidente, que vai ser a sua guia. Sally é casada com Roy, um escritor que teve um best-seller e nunca mais escreveu nada, estando a viver actualmente com o espectro do falhanço... Já estão deprimidos?
Bem, este conjunto de personagens vai envolver-se em situações tão caricatas que só podem ter piada ou, alternativamente, ser altamente trágicas. Eu optei pela primeira hipótese. Por isso, achei o filme muito divertido, acima de qualquer outra coisa. Embora não seja o meu filme favorito do Woody Allen.

Histórias daqui e dali - Luis Sepúlveda



Ler dois livros em menos de um mês é um feito que muito me agrada (até porque a pilha de livros em cima da minha secretária, planeados para 2011, só vai aumentando). Este foi também prenda de Natal, desta vez da minha mana. Colecção de crónicas de Luis Sepúlveda, trata principalmente de histórias passadas durante o seu período no exílio. O escritor passou por diversos países, tanto na Europa como na própria América do Sul. E acumulou uma riqueza de vida que dá para este livro e daria, provavelmente, para muito mais. É, portanto, mais um testemunho de vida do que outra coisa qualquer. Por isso, para além de ser um gosto ler a sua escrita, é também um óptimo livro para aprender sobre essa época perturbada da história do Chile, mas não só. Assim, proporcionou-me momentos de leitura ávida, enquanto passeou comigo neste última semana, no comboio de casa para o trabalho, e vice-versa.
Agora, é escolher o próximo.

Hereafter - Outra Vida



Regresso às sessões de cinema, depois uma semana de interregno. Começa a haver uma panóplia de filmes bastante interessante em cartaz, pelo que as sessões de cinema terão que se tornar mais frequentes, senão muita coisa vai ficar pelo caminho!
O mais recente filme de Clint Eastwood reparte a sua acção por três personagens: um operário norte-americano, uma jornalista francesa e um miúdo inglês. Como o filme trata, sobretudo, sobre a morte (com todas as suas consequências), as três personagens têm isso em comum: uma relação difícil com a morte. E, apesar de improvável, os seus caminhos irão cruzar-se e daí surgirá a solução para todos poderem seguir em frente com as suas vidas.
O tema é, à partida, um bocadinho fora daquilo que se esperaria de Clint Eastwood. Até a multinacionalidade das personagens é inesperada. Mas resulta bem e é credível. Aliás, todo o filme é extremamente credível (para quem acredita e para quem não acredita), o que o torna muito especial. Não é um filme lamechas, apesar do tema ser difícil de abordar (vida depois da morte, comunicação com os mortos, etc.). A abordagem é pragmática e desapaixonada e, talvez por isso, seja mais fácil não chocar susceptibilidades.
Devo confessar que não está estava muito à espera daquele final. Mas, agora que penso nisso, faz realmente todo o sentido.

Three Seconds - Anders Roslund e Borge Hellström



De volta aos thrillers policiais. E que belo regresso!
Presente de Natal da Íris (muito obrigada), 500 páginas a passar de uma escrita viciante e de uma história que nos consegue surpreender até ao fim. Passemos, então, à história. Piet Hoffman é um ex-criminoso que, depois de uma passagem pela prisão, se tornou um agente infiltrado da polícia sueca. Missão: infiltrar-se na Máfia polaca, que controla grande parte do tráfico de droga. Muito bem colocado na organização, Piet vai enfrentar o desafio da sua vida, ao voltar à prisão para colocar em prática o plano de tomar de assalto todo o tráfico de drogas nas prisões suecas...
Escrito em parceria entre um jornalista e um ex-criminoso, combina na perfeição as duas visões: a análise, o pormenor, o conhecimento da realidade. E uma dose de suspense tão no ponto que mesmo na última página conseguimos ser surpreendidos.
Não vou dizer muito mais sobre o livro, porque a ideia é mesmo que o leiam. Que eu saiba, ainda não há versão portuguesa. Mas, a julgar pelo sucesso que a trilogia Millenium, de Stieg Larsson, teve, não há-de faltar muito para este livro aterrar nas nossas livrarias.

Clubbing Optimus - Janeiro 2011



Primeiros concertos do ano, para que 2011 comece bem. Desde que me lembro que a Casa da Música (CdM) faz estas sessões de Clubbing, mas não tenho ideia de serem assim tão boas... Pois bem, falemos primeiro do conceito. Sábado à noite, a CdM é, em toda a sua plenitude, tomada de assalto por um conjunto de bandas e DJs, para contentamento de quem por lá escolhe passar a noite. Uma vez por mês, um sábado, e a CdM é nossa. :)

Janeiro trouxe-nos Jazzanova e Balla, na Sala Suggia e, entre outros, Noiserv na Sala 2. E trouxe-nos, também, uma lotação completamente esgotada. Muita gente pronta a entrar no espírito clubbing, incluindo as 3 estarolas (aka, nós).
Primeiro houve relax num dos bares, à espera dos concertos na sala principal. Depois, foi-nos barrada a entrada na Sala Suggia, estava supostamente cheia... Mas acabamos por entrar por outro lado e havia muitos lugares livres! Enfim... Jazzanova já estavam a tocar, cheios de energia. Muita gente em palco, um vocalista com um bambolear de anca muito sexy. O pessoal pôs-se de pé e... toca a dançar! Até porque o espírito é mesmo esse. No intervalo, aventura das aventuras ir até ao bar buscar uma cervejinha - nítida falta de organização, apenas 4 ou 5 pessoas a servir uma multidão sequiosa. Depois veio Balla, numa Suggia que metia uma certa dó, principalmente se comparando com o concerto anterior, em que estava completamente à pinha. Mas, pronto, sempre havia um pessoal (perceba-se, nós) cheio de energia a fazer a festa. Armando Teixeira comprovou ser um Senhor (sim, com maiúscula) do panorama musical português e, embora um pouco calmeirão, foi levando o espectáculo a bom porto. Ou Porto, como preferirem. Dois concertos que nos aguentaram até às 3h da manhã, o que prova que ainda cá estamos para as curvas.

E, em Fevereiro, há mais.


Mammuth



A conversa é sempre a mesma, e gira à volta do tempo excessivo que passo sem escrever neste blog. Desta vez, não o vou fazer (ou, por outra, vou esconder-me atrás deste parágrafo inicial, como quem não quer a coisa...).
Já passou mais de uma semana desde que fui ver este "Mammuth" com a prima Carol. Optámos por este filme porque já estava há algum tempo em cartaz e quisemos aproveitar vê-lo antes que se "fosse embora". A sinopse não era má. Um sessentão, recém chegado à reforma, descobre que lhe faltam declarações de trabalho para poder, efectivamente, reformar-se. Assim, pega na sua velha Mammuth, mota da sua afeição, e parte pelas estradas de França em busca dos ditos papéis, enquanto faz uma viagem ao seu próprio passado. Ora bem, não parece nada mal. Pois, mas a realidade revelou-se outra, fora dos cadernos de crítica cinematográfica e dentro da sala de cinema - Mammuth é um deplorável exercício de qualquer coisa que nem sequer me atrevo a chamar cinema. Dépardieu está um "pequeno" monstro com cabelo de Barbie, completamente bronco e sem qualquer tipo de profundidade enquanto personagem. A dita viagem, por incrível que pareça, consegue ser um chorrilho de situações completamente estapafúrdias. Mas sem piada.
O que torna esta ida ao cinema num verdadeiro desastre. Acontece...

O Mágico



Primeiro filme de 2011!!!
As expectativas eram altas para este novo filme de Sylvain Chomet, criador de "Les Triplettes de Belleville", um dos meus filmes de animação favoritos.
Um mágico francês vê-se obrigado a fazer uma digressão pela terras perdidas da Escócia, numa altura em que a magia está em declínio. Numa dessas terras perdidas, conhece Alice, uma menina que sonha com uma vida diferente e que vê nele a sua oportunidade. Esta relação irá mudar a vida de ambos...
Os desenhos são maravilhosos. A recriação de Edimburgo é, para quem nunca lá esteve (!), uma delícia. O filme, esse, é minimalista - diálogos fugazes, música simples. Talvez porque a história seja, a modos que, um "elogio do amor", neste caso de um amor paternal para com uma desconhecida... Ou talvez porque o importante seja mesmo a arte (e essa quer-se minimalista).
Devo dizer que fiquei um bocadinho desiludida, porque a história me pareceu, aparentemente, sensaborona. Talvez fosse bom repetir, tentar perceber se é mesmo assim, ou se será um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se"...
De qualquer forma, mesmo que assim seja, vale bem a pena uma ida ao cinema. Porque o filme, em si, é uma bela obra de arte.