Indie Lisboa 2010 (2)

Procurei muito, mas não consegui encontrar o cartaz do filme que fui ver na noite de sábado...

24 de Abril, Cinema City Classic Alvalade, 00h00:

"Orly", de Angela Schanelec (2010).

A acção do filme passa-se no aeroporto parisiense de Orly, captando fragmentos de diferentes histórias, vividas por personagens diversas, nesse local de transição por excelência.
Uma mulher e um homem, desconhecidos, conversam. Ela parte para Montréal, ele para São Francisco, ambas franceses de gema. Ela perde o casaco, e ambos trocam histórias - ele vai deixar os EUA e voltar a Paris. Ela inveja-o. "Onde te posso encontrar?", acaba ela por perguntar.
Um filho e uma mãe conversam, de partida para o funeral do pai/ex-marido. Entre advertências e discussões pequenas, confessam um ao outro as suas paixões secretas.
Um jovem casal alemão em trânsito, na sua viagem pela Europa. Ele gosta de fotografia, ela gosta de se ver no seu olhar. Mas o olhar dele fixa-se numa desconhecida, ela que abandonou alguém... de quem mais tarde vai ler a derradeira carta.
A câmara vai alternando entre estas diferentes histórias, misturando-as com o burburinho de aeroporto, apenas interrompido pela pungência de uma canção de Cat Power (Remember Me).

A premissa é boa, mas o filme podia ser melhor. De alguma forma, parece-me que o espectador não é suficientemente envolvido pela história. Mas não deixa de ser bonito.

Indie Lisboa 2010 (1)


O Indie Lisboa, festival internacional de cinema independente, deste ano começou na quinta-feira, dia 22 de Abril. O dia de abertura é sempre complicado, em termos de bilhete, por isso só "atacámos" a questão a partir do segundo dia de festival. E este ano até houve direito a comprar caderneta de bilhetes, por isso vai ser mesmo bem aproveitado (pelo menos, assim o espero).
Para começar em beleza, dose tripla de filmes, todos seguidinhos! O melhor foi mesmo fazer a ginástica entre as 3 salas (sim, porque foram todos em salas diferentes), com intervalos de cerca de meia-hora... Mas conseguimos!

O primeiro filme passou no Cinema São Jorge, às 19h:

"When You're Strange", documentário de Tom DiCillo (2009).


Como facilmente se percebe pelo título, este documentário é sobre a carreira dos The Doors. É narrado por Johnny Depp, e "segue" a banda desde o início, quando os diferentes membros se conhecem, até ao fim, trazido pela morte de Jim Morrison, em 1971. É engraçado perceber a cronologia das criações da banda, com diferentes estilos, acompanhar os problemas que foram surgindo devido à dependência de Morrison em relação às drogas e ao álcool. Por outro lado, é interessante ter esta perspectiva quando se conhece o filme de Oliver Stone ("The Doors", 1991), porque há pontos comuns, mas também toda uma visão muito diferente da dinâmica da banda. Fica a certeza (e a saudade...) de que The Doors foram uma banda sem igual, tendo deixada uma marca importantíssima na iconografia dos últimos 50 anos.

O segundo filme passou no Cinema Londres, às 21h15:

"La Reine des Pommes", de Valérie Donzelli (2009).


Tudo começa com Adèle a ser deixada pelo seu namorado de longa data, e amor da sua vida, Mathieu. A jovem fica desesperada e não sabe como há-de continuar com a sua vida. Sem sítio para onde ir, acaba em casa de uma prima rabugenta, que a aconselha a ver outros homens para esquecer o seu grande amor. Assim, vai conhecendo vários amantes, mas em todos eles vê a imagem de Mathieu, que não a abandona.
Esta é a grande piada do filme, uma vez que é o mesmo actor que desempenha todos os papéis (coisa que eu só percebi quase no final...). Gostei do facto de o filme ser, maioritariamente, filmado no Parc Montsouris e zonas adjacentes, que é um lugar de Paris do qual gosto particularmente.

O terceiro filme passou no Cinema City Classic Alvalade, às 23h30:

"Radio On", de Chris Petit (1979).


Se calhar, três filmes seguidos foi um pouco demais. Este "Radio On" talvez não fosse, também, o melhor filme para ver a esta hora... O filme tem uma narrativa algo parca, em que os diálogos são coisa rara. É engraçado, porque, sendo co-produzido por Wim Wenders, mantém algum espírito do realizador alemão. A fotografia, a preto-e-branco, é fenomenal. Mas a hora já ia adiantada e o sono era muito! Por isso, a viagem de um DJ de Londres até Bristol para perceber o que se passou com o irmão (que morreu), acompanhado de uma excelente banda-sonora, passou-me um bocadinho ao lado...

Lembra-te de mim



No seguimento de ter visto o "Crepúsculo" no fim de semana passado (e ter ficado relativamente fã de Robert Pattinson), tive que ir ver o filme que ainda está em cartaz com o dito rapaz! Consolar os olhinhos, portanto... :D
O filme conta a história de Tyler, um jovem adulto cuja vida familiar já passou por muitas atribulações, que resultaram numa relação difícil com o seu pai. O jovem vive, assim, uma vida sem grande propósito ou objectivos, como que à deriva. Até conhecer Ally, uma jovem que também viveu acontecimentos trágicos, mas que seguiu com a sua vida de uma forma positiva. As circunstâncias em que se conhecem vão, no entanto, colocá-los um contra o outro...
Um bocadinho melodramático, com um desfecho que, para mim, foi bastante inesperado. Mas, apesar de tudo, um filme com alguma doçura e que acaba por ser envolvente. A banda sonora é muito boa (reconheci muitas músicas ao primeiro acorde!), incluindo nomes como Sparklehorse, Ed Harcourt, Ani DiFranco ou Sigur Rós.
O objectivo foi, portanto, cumprido! Agora, o rapaz só precisa de fazer mais filmes, para poder dar azo aos meus delírios adolescentes.

Uma noite atribulada



Programa de sexta-feira à noite - cinema. O filme - Uma noite atribulada, com Steve Carell e Tina Fey, dois pesos pesados da comédia norte-americana. Uma certa relutância da minha parte, que sou sempre algo preconceituosa em relação a estas declaradas comédias (desconfio sempre do grau de piada que possam ter...). E uma surpresa bem agradável!!!
Ora, então, história - Steve e Tina são são Phil e Claire, um casal que vive nos subúrbios de Nova Iorque, cuja vida entrou num rotineiro rame-rame. Até as noites em que saem juntos se transformaram em espaços de discussão dos afazeres domésticos!
Cansados desta realidade, resolvem fazer algo de diferente e ir até à cidade para jantar no restaurante mais badalado - que calha de estar cheio... Determinados a não dar parte fraca, infiltram-se no dito cujo fingindo ser um casal que não responde à chamada para a sua mesa - e aí começam todos os problemas. O casal original é, afinal, procurado por gente muito perigosa, e assim começa a aventura, numa noite que eles jamais irão esquecer!
O filme está muito bem conseguido e as actuações são fantásticas. Há situações completamente hilariantes, daquelas de nos deixar agarrados à barriga de tanto rir. Mesmo nas cenas de acção, o filme é original, por isso, vale bem uma ida ao cinema.
Já não me ria assim, com gargalhadas sentidas, há muito tempo. Até me faltou o ar, de tanto rir. E isso só pode ser saudável.

:D

O que faz falta



"O que faz falta" é um musical que está em cena no Teatro Villaret. Com canções de Chico Buarque, é baseado na obra "Fuenteovejuna", de Lope de Vega. Uma vez que a premissa envolve música do Chiquinho, parecia uma boa ideia para programa de 5ta feira à noite... E, assim, lá fomos nós.
Cenicamente, a peça não está má. Os jogos de sombra e efeitos visuais estão bem conseguidos e são interessantes. Os actores são de qualidade variável (o musical tem um elenco de 11 actores e músicos portugueses e brasileiros), embora alguns deles até sejam conhecidos do grande público. O que, para mim, é realmente sofrível no meio disto tudo é mesmo a história. Devo primeiro dizer que não conheço a obra em que se baseia. Mas a ideia que fica é que é assim algo do género de Gil Vicente, mas para mau. Um estilo demasiado teatral e declamado, extremamente dramático.
Não posso dizer que tenha gostado. Foi bom passar um pouco mais de uma hora a ouvir canções do Chico, o que é sempre um prazer. Mas, tirando isso, não valeu muito pena. Serve a consolação de, pelo menos, andar a aproveitar mais a oferta cultural da capital...

Albert Camus - La mort heureuse



Comprei este livro há pouco tempo, qualquer coisa como um mês, numa ida consumista à FNAC. Há que aproveitar quando se encontram livros dos quais potencialmente se vai gostar. Mesmo que seja para ficarem na prateleira durante algum tempo. Não foi o que aconteceu com este, no entanto. E, passadas duas semanas, já está terminado, para meu contentamento.
Este livro é considerado o primeiro romance do escritor, que foi posto de lado para dar origem a "O Estrangeiro". A temática é semelhante e a personagem principal também... Curiosamente, foi pulicado pela primeira vez já depois da morte do autor.
É um prazer ler Camus. Tem uma linguagem muito ligada à luz e ao sol, aos seus efeitos e sensações. Mas também à moral, à dicotomia certo/errado, bem/mal. É engraçado que é quase como se os seus livros não tivessem nada de especial. Tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderoso, tão pungente. Afirmo novamente: é um dos meus escritores favoritos. Não sei se é pelo imaginário de África do Magreb, mas há qualquer coisa que me emociona e me transporta na sua leitura.
Assim, para quem se interessa por este tipo de leitura, aqui fica a sugestão. Vale a pena.

Deixo-vos com alguns trechos do livro. Estão em Francês, mas foi assim mesmo que foram escritos...

"Nous n'avons pas le temps d'être nous-mêmes. Nous n'avons que le temps d'être heureux."

"Je suis certain qu'on ne peut être heureux sans argent. Voilà tout. Je n'aime ni la facilité ni le romantisme. J'aime à me rendre compte. J'ai remarqué que chez certains êtres d'élite il y a une sorte de snobisme spirituel à croire que l'argent n'est pas nécessaire au bonheur. C'est bête, c'est faux, et dans une certaine mesure, c'est lâche."

"Nous usons notre vie à gagner de l'argent, quand il faudrait, par l'argent, gagner son temps."

"Tout être ayant le sens, la volonté et l'exigence du bonheur avait le droit d'être riche."

"Le contraire d'un idéaliste c'est trop souvent un homme sans amour."

Foge Foge Bandido




Na passada quinta-feira, 8 de Abril, Manel Cruz e companhia desceram até Lisboa para um concerto na Aula Magna. O projecto, desta vez, dá pelo nome de Foge Foge Bandido e o álbum já saiu em 2008.
A noite não começou muito bem, depois da derrota do Benfica em Liverpool... E tivemos que esperar que o jogo acabasse para começar o concerto! Foi a minha primeira vez na Aula Magna, essa sala emblemática da capital. A plateia estava cheia, o que me deixou algo surpreendida. Ainda bem que assim é.
Não conheço bem este álbum, embora tenha ficado muito interessada quando foi editado. Mas como só esteve/está à venda no Jojo's, acabei por me "esquecer" do projecto. Assim, para além do espectáculo, houve igualmente o prazer da descoberta das músicas, o que torna a experiência diferente.
O Manel esteve acompanhado de mais 4 rapazes, pelo que o ambiente esteve animado. O som é bastante rockeiro, às vezes um pouco mais calmo, outras vezes a soar meio a fanfarra. Assim continuou, durante cerca de 2 horas, com direito a encore final pedido por uma plateia de pé! No final, ficou a vontade de comprar o álbum, mas já não havia na bancada montada à saída... Assim, ficou a música na cabeça, juntamente com alguma letras mais marcantes. E o CD pode ser que venha lá mais para Maio. Quem sabe...
Fica, então, a certeza que o Manel Cruz é, provavelmente, o melhor músico da sua geração. Que assim continue.

Notício d'O Público - Parlamento rejeita actualização extraordinária das bolsas de investigação

Embora não seja dada granda atenção à situação, aqui fica o comentário à discussão que ontem ocorreu em Reunião Plenária da Assembleia da República.

" Os projectos de lei do PCP e do Bloco de Esquerda para a actualização extraordinária das bolsas de investigação foram rejeitados no Parlamento com os votos contra do PS e a abstenção do PSD e CDS.

Os dois diplomas tiveram os votos favoráveis do PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes.


O diploma dos comunistas visava estabelecer uma actualização que coincida com os aumentos decretados anualmente para todos os trabalhadores da administração pública.

Propunha ainda uma actualização imediata de 10 por cento nas bolsas inferiores a mil euros e de cinco por cento nos subsídios superiores àquele montante.

O Bloco de Esquerda pretendia que, extraordinariamente, as bolsas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia fossem actualizadas em 10 por cento quando se trate de subvenções inferiores a 800 euros, de cinco por cento para valores entre os 800 e os mil euros e dois por cento quando a bolsa ultrapassasse os mil euros.

O Bloco também defendia a criação de um mecanismo de atualização permanente, com um aumento anual indexado ao aumento salarial da função pública definido no Orçamento do Estado. (...)"

Para lerem a notícia completa, sigam este link.
A minha opinião pessoal fica para mais tarde.

Walden ou a vida nos bosques - Henry David Thoreau



Após alguns meses na companhia deste livro, chegou ao fim a sua leitura. Da grande curiosidade inicial, ficaram uns belos momentos de reflexão sobre a vida e a sociedade. Publicado pela primeira vez em 1854, mantém um actualidade ao mesmo tempo vibrante e desconcertante. Este livro resulta da experiência do autor nos dois anos que viveu numa cabana ao largo do lago Walden, durante os quais viveu única e exclusivamente daquilo que a Natureza que providenciava.
Ficam aqui alguns excertos, pensamentos e reflexões que, espero, vos despertem o interesse para tão notável obra.


Que tipo de espaço é o que separa um homem dos seus semelhantes e o torna solitário? Descobri que nenhum movimento das pernas pode aproximar muito uma mente da outra.

Nunca encontrei companhia que fosse tão companheira como a solidão. Na maioria das vezes somos mais solitários quando circulamos entre os homens do que quando permanecemos no nosso quarto.

Se construístes castelos no ar, não terá sido em vão esse vosso trabalho; porque eles estão onde deviam estar. Agora, por baixo, colocai os alicerces.

Se um homem não acerta o passo com os seus companheiros é porque talvez ouça um tambor diferente.

Um Homem Singular



Domingo foi dia de mais cinema. Não há fome que não dê em fartura, já diz o ditado. Por vezes, tem razão. Finalmente, houve tempo para ir ver este "Um homem singular", o filme que revelou ao mundo Tom Ford como realizador de cinema.
Este filme não é um filme. É uma obra de arte. Um objecto de admiração. Não há um só pormenor deixado ao acaso, desde as filmagens (com diferentes gradientes de cor), aos cenários, ao guarda-roupa... Tudo belíssimo.
Colin Firth, então, está fenomenal no papel de George, um homem de meia-idade que, de um momento para o outro, vê a sua vida virada do avesso, pelo "simples" facto de o seu companheiro de 16 anos, Jim, morrer num acidente de automóvel. Como diz a personagem: "For the first time in my life, I can't see my future. (...) but today I have decided will be different."
E é este dia que nos é dado a seguir. Com um nó na garganta, à espera do desfecho. Intercalado com imagens do passado, recordações dolorosas...

Em termos de história, o filme não é brilhante. Não tem nada de especial. Mas a forma como é contada, como as situações são construídas... É de pura beleza.

O que mais me irritou, porém, é a forma como um filme como este nos faz acreditar em todas essas coisas: amor irredutível, beleza, sensibilidade. Onde está tudo isso? Apenas quando preso a uma tela de ecrã, porque na vida real... Ilusões, é o que é. Por isso, acabei por sair deprimida do cinema! Mas, ao menos, que seja por uma boa razão.

À espera de um futuro...

Uma Outra Educação, ou, mais concretamente, Um Homem Sério



Sexta-feira foi um dia complexo. Começou bem e depois foi andando por aí abaixo... Uma das situações mais caricatas aconteceu na ida ao cinema com a prima Carol. Confusões com o estacionamento, mas lá comprei os bilhetes e fiquei à espera que a Carol chegasse. Entrámos para o cinema (El Corte Inglès) e lá fomos nós em direcção à sala 2. Sentámo-nos e quase imediatamente começou o filme.
Dois camponeses a falar yiddish, ou algo do género, um homem que está morto mas não está morto... "Estranho, este filme não parece nada o que vínhamos ver..." 5 minutos passam, e a situação continua. "Ah! Não é mesmo o filme que queríamos ver (Uma Outra Educação), mas sim o último filme dos irmãos Coen!!! Ok, vamos ficar e vê-lo, já que aqui estamos."
E assim foi. Larry Gopnik é judeu (como todas as personagens do filme, bem como toda a temática do filme), um homem que apenas quer ser "um homem sério". Professor universitário de Física, tem um método único altamente incompreendido pelos seus alunos. E todos os seus problemas começam quando um dos seus alunos, indignado com o chumbo à cadeira, tenta todos os métodos para o convencer a passá-lo. Logo depois, a sua mulher quer o divórcio, para casar com um dos seus amigos - e o homem acaba por morrer, tendo que Larry ainda pagar o funeral! Enfim, todo um conjunto de absurdos se desenrolam, e culminam num desfecho... aberto. Aberto às considerações de cada espectador.
Quanto à minha opinião, não sei o que diga. Às vezes, acho que não tenho sentido de humor para acompanhar estes dois irmãos realizadores. É que passei 3/4 do filme completamente irritada com todas as personagens! É que não faz bem ao espírito!
Mas não deixa de ser um filme interessante, com uma perspectiva de vida diferente. É quase como que o comodismo-mor: aceitar sempre a vida tal como ela é. Quem é que consegue?



Ah, claro que não estávamos na sala 2, mas sim na 3...

Num dia igual aos outros



"Dois irmãos, separados abruptamente na adolescência, reencontram-se após 15 anos e descobrem a verdade sobre o seu passado. No espaço fechado de uma divisão, entregam-se a uma viagem sobre as suas vidas, onde recordam uma história negra sobre o misterioso desaparecimento do pai. John Kolvenbach assina este drama psicológico onde se traça o retrato de uma família disfuncional à procura da redenção."

Com encenação de Marco Martins, o realizador de "Alice", esta peça conta com a interpretação de Gonçalo Waddington e Nuno Lopes, e está em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II. Foi a minha primeira visita a este Teatro, e gostei muito do pouco que pude ver da arquitectura do espaço. A Sala Estúdio, essa, é bem pequenina, com lugar para cerca de 70 pessoas. Tão pequena que não quis ficar na primeira fila, que está basicamente dentro do cenário!
Acho que posso dizer que esta não é uma peça qualquer, porque a actuação está muito mais próxima do coloquial, ou do cinematográfico (se preferirem), do que propriamente do que estamos habituados a ver no teatro. E ao longo de cerca de uma hora e meia, vamos assistindo ao diálogo destes dois irmãos, gastos pela vida.
Gostei muito. Já há muito tempo que não ia ao teatro (como podem perceber pelo que escrevo por cá), e acho que até posso dizer que não sou assim muito fã. Mas deste gostei mesmo a sério.

Esta em cena até 18 de Abril. Por isso, aproveitem.

A luta dos bolseiros

Na passada quinta-feira, os bolseiros de investigação científica manifestaram-se em frente à Assembleia da República. O grande objectivo: a revisão do estatuto do bolseiro, com direito a contratos de trabalho. Porque chega de precariedade.




A imprensa foi um pouco "vaga" na atenção que deu a este assunto, mas aqui fica, de qualquer forma, os links para a notícia publicada no Público online e para a notícia no portal TVI24.
Deixo, igualmente, o link para a o site da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), para poderem saber mais sobre esta causa.

Crónica de um fim anunciado



Sábado, dia 6 de Março. Mark Linkous, aka Sparklehorse, decidiu que era um bom dia para pôr fim à sua vida. Há muito que se adivinhava este dia. Principalmente desde 1996, quando, devido ao consumo excessivo de álcool e antidepressivos, ficou inconsciente durante várias horas, de pernas dobradas, o que levou a que estivesse oficialmente morto durante alguns minutos e quase tivesse ficado sem ambas as pernas.
A sua música, densa e intimista, sempre transpareceu esse sentimento.
Passou uma única vez por Portugal, em 2006, pelo Festival para Gente Sentada. Tive a felicidade de lá estar e assistir a esse concerto, muito, muito negro...

Um momento que não se repetirá.



"May all your days be gold, my child."

Lisboa Restaurant Week


Ontem foi noite de Jantar de Primos. O grupo esteve reduzido, por motivo de doença do elemento mais novo, mas, ainda assim, animado.
Resolvemos aproveitar a iniciativa do "Lisboa Restaurant Week", em que restaurantes de alto gabarito propõem menus pela módica quantia de 20€. Ou 19+1€, uma vez que, em cada edição, 1€ de cada menu é doado a diferentes instituições. Este ano, calhou na sorte a CAIS e a Associação Viver a Ciência.
Assim sendo, fomos até à Travessa do Alecrim, junto ao Cais do Sodré, ao restaurante Alecrim às Flores. O menu proponha 2 entradas, 2 pratos principais e 2 sobremesas, à escolha. Da minha parte, a escolha foi:

Entrada:
Cogumelos gratinados com queijo com confit de cebola

Prato Principal:
Medalhões de vitela com queijo da Serra e legumes salteados

Sobremesa:
Afogatto de Tangerina em Champanhe


A entrada não me agradou muito mas, de resto, as escolhas foram boas. Se bem que me pareceu um bocadinho simplista para o dito gabarito do restaurante...
Para a próxima há mais!

Fica a nota para aproveitarem também esta iniciativa, porque é bem interessante.


Tudo Pode Dar Certo



Agora que a prima Carol já é uma especialista (Parabéns!), resolvemos comemorar com um programinha a duas, como era costume há uns meses atrás. O destino levou-nos até ao Cine-Teatro do Monumental, para ver este "Tudo Pode Dar Certo", o último filme de Woody Allen.
O realizador volta a filmar na sua amada cidade, Nova Iorque, e volta também ao seu estilo mais típico: pessoas disfuncionais, personagem principal cheia de mau humor, mas muito humor (e bom) ao longo da história. Podem dizer que o filme está previsível, que se via mesmo o que ia acontecer, mas eu não pude deixar de gostar muito, e de dar gargalhadas sonoras, coisa que raramente me acontece.
Desta vez, em vez de termos Woody Allen, temos Larry David, que vai dar quase ao mesmo, se bem que com um toque de arrogância que normalmente não vemos no próprio Woody. De resto, está tudo lá: a hipocondria, o medo de morrer, o desprezo pela humanidade. Mas tudo é vencido pelo amor, como não poderia deixar de ser numa comédia romântica! Mas pronto, depois de hora e meia de fantasia, é preciso voltar ao mundo real. E por muito que este seja semelhante a determinadas situações que vemos com Woody Allen, falta-lhe depois o romantismo.
Because, after all, life sucks.

Passeio de Carnaval

Para aproveitar o fim-de-semana prolongado do Carnaval, lá foi o casalinho rumo ao norte do país, mais precisamente para terras durienses e transmontanas. O passeio foi muito bom, apesar do frio, que muito se fez sentir! Paisagens bonitas, gentes simpáticas, boa mesa... Que mais se pode pedir?


Rio de Onor


Bragança - jardim dos animais de louça!


Bragança - vista do Castelo


Bragança - Domus Municipalis


Zamora


Miranda do Douro



Freixo de Espada-à-Cinta


Torre de Moncorvo


No meio de nenhures, os efeitos do frio!

Fotografias por Rita Barbosa e Rui Gaspar

Mais tontinhos



Mais um ano que passou, a contabilizar os amáveis visitantes deste blog. Fica, então, o "aspecto" dessas visitas, e um grande OBRIGADA a todos.
Para breve há mais.

Up in the Air - Nas Nuvens



Na passada sexta-feira, e para compensar um dia passado em infinitos seminários (...), fui ao cinema ver este "Nas Nuvens", do realizador Jason Reitman, o mesmo de "Juno".
A premissa é bastante interessante e singular: um homem tem como emprego despedir pessoas (quando os seus patrões não o querem fazer pessoalmente) e passa mais de 300 dias por ano a viajar, numa vida sem laços nem compromissos. A chegada de uma recém-licenciada à sua empresa ameaça revolucionar a sua vida - não é que a miúda quer que os despedimentos passem a ser feitos por vídeo-conferência?!? Que irá acontecer à sua vida se deixar de viver no ar e tiver que assentar os pés na terra?...
O filme tem jeito de comédia romântica, mas é muito mais do que isso. É verdade que o "tom" é ligeiro, e acompanhado por uma bela banda sonora, mas contém também todo um conjunto de mensagens que torna este filme em algo mais. George Clooney veste a pele a esta personagem de uma forma magistral. Aliás, a personagem parece ter tudo a ver com ele - o tipo sedutor, com um estilo de vida atraente. No entanto, ele não é só isso. É também a vulnerabilidade quando a vida muda de registo, a profundidade para lá da superficialidade bonita e que atrai.
Assim, este "Nas Nuvens" é um filme extremamente agradável. Pelas interpretações, pela história, pela música, pelas mensagens. A lembrar como o cinema americano mais independente continua a dar-nos obras muito interessantes.

Um Profeta



Faz hoje uma semana que fui ver este filme de Jacques Audiard, de seu nome "Um Profeta". Tendo em conta que o último filme dele foi "De Tanto Bater o Meu Coração Parou", o registo tem coisas muito semelhantes e coisas muito diferentes. Semelhanças: uma história dominada por uma presença masculina, um herói sóbrio e de poucas falas. Diferenças: a acção. Num filme temos Paris, no outro uma prisão.
Falemos, então, deste profeta. A personagem, Malik, é o que eu definiria por anti-herói. Chega à prisão para passar 6 anos e o filme conta a história de como ele gere a sua vida para chegar ao fim desses 6 anos da melhor forma. Sem querer entrar em grandes detalhes, porque a ideia não é desvendar a história, posso dizer-vos que o filme é desconcertante. Tanto a sua construção como a interpretação de Tahar Rahim, para mim um perfeito desconhecido até este momento. O rapaz tem um ar angelical, tendo ele transmitido este sentimento para a personagem. Então, é completamente perturbador vê-lo manipular a realidade, gerindo as pessoas à sua volta, quais peões de um jogo de xadrez, para chegar ao seu objectivo primordial: tornar-se senhor da prisão e garantir o futuro à sua saída.
O filme é, por vezes, brutal. Quer por imagens, que por mensagens. Mas as quase três horas de duração passam num instante e mais que justificam uma ida ao cinema, para ver este profeta que ganhou o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes.

Albert Camus



Passaram, no dia 4 de Janeiro, 50 anos sobre a morte de Albert Camus. Nascido em 1913 na Argélia, morreu num acidente de carro em França, com apenas 46 anos de idade, tendo deixado uma obra vasta que, em 1957, tinha sido distinguida com o Prémio Nobel da Literatura.
Camus é um dos meus escritores favoritos. Tudo o que li da obra dele foi em Francês, já depois de minha estadia por essas terras. Apenas li "L'étranger", "La Chute" e "La Peste", qualquer um deles uma obra fantástica. Marcaram-me muito estas leituras, por toda a filosofia de vida que está por detrás. A escrita de Camus é altamente pictórica, é fácil imaginar tudo aquilo que ele vai descrevendo. Talvez por isso, por exemplo, "La Peste" é um livro extremamente denso. Parece que estamos realmente em Oran, por altura do surto de peste!
Com esta nota, quero apenas prestar a minha pequena homenagem a um escritor que muito me inspirou ao longo do tempo. Para que continue sempre vivo na minha (nossa) memória.

New York, I love you



É preciso redimir-me pela longa ausência. Os tempos têm sido de fraca inspiração e de pouca dedicação à escrita. E, por isso, este blog tem ficado para trás.
Então, há que recomeçar. E nada melhor do que um novo ano para incitar a recomeços.
Conto-vos, então, a minha última ida ao cinema. Foi com a prima Carol, durante uma estadia de 2 semanas no centro de Lisboa, a fazer cat-sitting ao querido Tuvinhas. E nada melhor do que matar saudades das Amoreiras, lugar favorito das idas ao cinema durante a adolescência.
O fime escolhido foi este New York, I Love You, uma espécie de reedição de Paris, Je t'aime, um conjunto de histórias à volta da sua respectiva cidade. A ideia é pegar em vários realizadores e deixá-los contar uma história que gire à volta da energia da cidade. E, depois, juntar tudo e dar-lhe um fio condutor. No filme sobre Paris, não gostei muito do resultado final porque faltava, precisamente, esse fio condutor - as histórias estavam desgarradas e tinham energias muito diferentes. Mas neste filme sobre Nova Iorque, a dinâmica foi bastante diferente. Soube criar-se pontos em comum entre as diferentes histórias, e as próprias histórias eram mais intimistas e fluidas.
Gostei muito do filme. Não posso dizer que tenha ficado desejosa de visitar Nova Iorque, mas será, com certeza, uma cidade interessante. Mas Paris, essa, estará sempre no meu coração.

Fim-de-semana de concertos

O passado fim-de-semana foi um fim-de-semana de concertos. Para matar saudades e repôr energias. Para lembrar que a vida, de vez em quando, pode ser mais do que trabalho.
No sábado, fomos ver J.P. Simões ao Cabaret Maxime. Um dois-em-um, portanto. Por um lado, o prazer que é poder ouvir um dos autores portugueses mais interessantes e, por outro lado, ir ao Maxime, essa lenda da noite lisboeta, de decoração sublimamente kitsch, com todos os brilhinhos e sofás de veludo vermelho... O concerto, esse, era suposto começar às 23h30, mas só se ouviu o rapaz já passava da meia-noite. Muita conversa, como é costume, muito cigarro e vinho tinto. Temos boémio, portanto. O concerto foi seguindo, lento, a acústica não era a melhor, e estar de pé com visibilidade reduzida foi cansando. Houve intervalo "para mudar a água às azeitonas", tendo a segunda parte do concerto trazido repetições, talvez pelo adiantado da hora... Entretanto, sempre nos conseguimos sentar para ver o resto do concerto. Mas o senhor J.P. foi um bocadinho chato, é preciso que se diga. Talvez por ser a despedida do amigo de longa data, Sérgio Costa... não sei.

No domingo, mudámos de cenário e fomos até ao Campo Pequeno (uma estreia) para ver a segundo dia de concertos em Lisboa dos Massive Attack. Para o R. uma primeira vez, para mim o quarto concerto dos miúdos de Bristol. Confesso que a vontade para mais um concerto não era imensa, mas ainda bem que decidimos ir, porque foi muito bom. A primeira parte foi assinada por Martina Topley Bird, de quem não conheço muito, mas gosto do pouco que conheço - e que bem que esteve ao vivo. Fiquei surpreendida pelo aspecto dela, não estava nada à espera de uma diva loura em vestido comprido e saltos altos a cantar música tão rockeira.
Martina voltou para cantar com os rapazes, que trouxeram igualmente o habitué Horace Andy, esse personagem delicioso. A primeira parte do concerto foi dedicada a músicas do novo álbum (ainda sem data de lançamento), que me pareceram bastante bem, com ritmo e força a fazer lembrar tempos antigos. Depois, começaram a desfilar os temas emblemáticos que marcaram os anos 90 (ou deveria dizer 1990...) e toda uma geração - incluindo a minha adolescência, marcada por esse concerto no Sudoeste de 1999.
O espectáculo visual de um concerto de Massive Attack é um espanto. Entre as mensagens, em Português, e as luzes a encadear o público ao ritmo da música, o concerto foi crescendo em intensidade - a lembrar-me porque é que sempre gostei tanto dos Massive Attack. E que saudades tinha de os ouvir.

Fica algo em comum dos dois concertos: uma citação de Henry David Thoreau. Referida por J.P. Simões no sábado, e passado no ecrã do concerto dos Massive Attack no domingo.
"Com um governo que prende alguém injustamente, o lugar do homem justo é na prisão. A prisão é, num estado esclavagista, o único lugar onde um homem livre pode viver com honra."

Caramulo

Há duas semanas atrás, num fim-de-semana passado em Viseu, fomos passear até à Serra do Caramulo. O tempo não estava completamente simpático, mas deu, de qualquer forma, para ficar deslumbrada pela paisagem agreste. A vila do Caramulo tem aquele charme das terras de termas e afins (neste caso, um sanatório), mais ainda acentuado pelo nevoeiro... Subimos ao Caramulinho, ponto mais alto da serra, o que exigiu alguma coragem, porque estava bem fresquinho!
Ficam, então, umas fotografias ilustrativas da beleza do local.







fotografias por Rita Barbosa

As Loucuras de Brooklyn - Paul Auster



"Tendo como pano de fundo as polémicas eleições americanas de 2000, este romance conta-nos a história de Nathan e do seu sobrinho Tom. Ainda que de formas diferentes, são ambos solitários, atormentados... e vizinhos. Tendo acabado a viver no mesmo subúrbio de Brooklyn, juntos vão inesperadamente descobrir uma comunidade que pulsa de vida e lhes oferece uma imprevisível possibilidade de redenção. Sob a égide de Walt Whitman, desfila neste livro toda a dimensão e multiplicidade de Brooklyn: os personagens típicos de bairro, drag queens, intelectuais frustrados, empregadas de café decadentes, a burguesia urbana, tudo isto sob o olhar ternurento que Auster lança da mítica ponte de Brooklyn." (sinopse do livro)

Já lá vai algum tempo desde que li um livro do Paul Auster, um autor que muito aprecio. Este foi-me oferecido pela minha Mãezinha pelos meus 27 anos, mas só agora chegou a sua vez, porque a lista de espera vai longa e lenta...
Pela sinopse, já têm uma ideia da história do livro. A escrita, essa, é a que Auster nos habituou: fluida, coloquial, com o narrador a confundir-se com o autor, o que faz com que, na minha cabeça, todos os livros dele sejam um só!
Ao início, custou-me um bocadinho a arrancar com a leitura, quando Nathan se instala em Brooklyn e a história se começa a desenrolar. Mas quando Tom entra em cena, com os seus desaires pessoais, há toda uma dinâmica que se cria e que acaba por prender o leitor. E, talvez por causa disso, acabei o livro a ler umas 80 páginas de enfiada, numa noite em o que o sono teimava em não aparecer.
Muito bom. Até me deixou com vontade de conhecer Nova Iorque. O que, por si só, já é dizer bastante.

Fica, como amostra, uma frase que me tocou particularmente:

"Todas estas coisas me inundam a cabeça e fazem-me lembrar que é impossível fugir à infelicidade que assola o mundo."