A Pesca do Salmão no Iémen

Finalmente, o regresso a uma sala de cinema!!! Não quero exagerar, mas acho que se passaram uns bons dois meses desde a última vez... Algo de muito errado se passa, com certeza.
Ver um filme no Atlântida Cine é uma experiência especial, para quem gosta de cinema. A sala pequena, quase familiar; o ecrã escondido por uma cortina que abre ao sinal das luzes coloridas... A experiência cinematográfica é ainda mais autêntica.
O filme escolhido foi o mais recente do realizador sueco Lasse Hallström, A Pesca do Salmão no Iémen. O enredo é algo rebuscado: um especialista em pescas, tipicamente inglês na sua postura rígida, é contactado por uma advogada para ajudar na realização do sonho de um sheik árabe, de introduzir a pesca de salmão no deserto do Iémen. A ideia, aparentemente disparatada e megalómana, vai mudar a vida dos seus intervenientes. E, através de aventuras e desventuras, vai provar que, na vida, a persecução dos sonhos é o mais importante.
Pronto, ok, é uma comédia romântica, mas bastante engraçada por sinal. Tem piadas inteligentes, paisagens magníficas da Escócia e de Marrocos, protagonistas carismáticos. Funciona bem, mesmo que o final lembre uma qualquer história de Jane Austen (oh Mr Darcy...). Mas suponho que até nem fique mal. E cumpre o seu maior objectivo, que é entreter o espectador durante aqueles momentos mágicos em que a luz se apaga e ficámos só nós e a história que passa no ecrã.

The Devil's Star - Jo Nesbo

E mais um capítulo lido da série Harry Hole de Jo Nesbo! Pronto, talvez se esteja a tornar um bocadinho repetitivo, mas o que é certo é estes livros proporcionam uma leitura refrescante, principalmente em alturas de stress como aquela que estou a viver...
The Devil's Star é o terceiro livro desta "saga", o que quer dizer que estou definitivamente a ler isto da frente para trás. Mas, como vos disse da última vez, até é um ponto de vista interessante, porque talvez dê para me aperceber melhor da evolução na escrita. Desta vez, estamos de volta ao ambiente de serial killer à solta, mas talvez seja mais interessante a história paralela entre Harry e o seu colega Tom Waaler. Dá todo um outro colorido à acção... 
Claro que não me posso alongar em detalhes da história, mas posso acrescentar que é um pouco desconcertante "ver" Harry a lidar com a sua dependência do álcool. E como isso, a pouco e pouco, vai destruindo a sua vida.  Aqui está um ponto a favor de ler os livros na ordem errada!
Mais uma vez, recomendo vivamente a leitura destes livros de Jo Nesbo. Mal posso esperar, eu própria, por ter mais um volume desta história... Mas, para já, vai ter que esperar.

Os anos da (minha) princesa

O tempo passa a correr. Parece que ainda foi ontem que me tornei tia e, afinal, já passaram 3 anos desde essa bela terça-feira de Junho...
Este foi o bolo para assinalar a ocasião, decorado com a Minnie, como não poderia deixar de ser. Obrigada, Juanita, pela obra de arte - ficou lindo e a aniversariante adorou (bem como os crescidos!).

Só posso desejar tudo, mas realmente tudo, de bom à minha sobrinha querida, e que eu a possa ver crescer saudável e feliz. 
Parabéns.

Passeio pela jardim das princesas

Num destes fins-de-semana, a família foi passear até Sintra e um dos seus muitos lugares mágicos para visitar: o Chalet da Condessa d'Edla.
Inserido no parque adjacente ao Palácio da Pena, é um cenário saído de um qualquer livro de princesas. Não há como não sonhar, sair da realidade monótona do dia-a-dia, quando se está num lugar assim.

O Chalet ainda está em "remodelação" (ou deveria antes dizer reconstrução), mas pelo andar das coisas vai ficar lindo. Ainda assim, vale a pena uma visita, quanto mais não seja para conhecer a história deste que foi o refúgio de D. Fernando com a sua segunda mulher, a Condessa d'Edla. Os jardins são lindos e oferecem uma vista única do Palácio da Pena. E o parque, esse... é para uma pessoa se perder.

Antígonas pelo TUT

Lá estou eu a atrasar-me nas actualizações deste blog! Mas, pelo menos desta vez, foi por uma boa razão, porque coisas para fazer não têm faltado (e, consequentemente, a mente tem estado deveras ocupada...). Mas vamos ao que interessa.

O TUT teve nova peça em cena, desta vez uma junção de diferentes "Antígonas", diferentes versões feitas ao longo dos tempos com base no texto de Sófocles. A encenação teve estreia no Teatro da Malaposta, passou depois uma temporada no Teatro do Bairro até "regressar" ao poiso habitual do TUT, o Palácio Burnay. E foi nesta última morada que eu finalmente vi a peça. 
Não sei como funcionou, cenicamente falando, nos outros espaços. Mas duvido que tenha sido melhor do que no átrio do Palácio Burnay, com a sua imponente escadaria e os seus gessos pintados. 
A adaptação desta tragédia grega foi muito bem conseguida, porque, ao juntar diferentes versões, permitiu que todo o vasto elenco que constitui o TUT participasse na peça. As diferentes personagens tiveram vários intérpretes, o que também ajudou a criar o ambiente tão especial que rodeou esta apresentação.

Mais uma vez, muitos parabéns a todos, mas com um ênfase especial para a Ana Rita Pires e a Andreia Pinto, que fizeram duas Isménias muito especiais. Parabéns, meninas! E muito sucesso.

The Redeemer - Jo Nesbo

Mais uma "aventura" de Harry Hole que acabo de ler. Parece que ando a ler ao contrário, porque agora saltei para o 4º volume da série (depois de ter lido o 5º e o 6º).
O estilo mantém-se, se bem que, neste caso, a história é um pouco diferente porque não envolve nenhum serial killer. O que acaba por ser, na minha opinião, mais interessante (em termos de credibilidade de narrativa). 
Acaba por ser engraçado ler os livros fora de ordem. Como vos disse, as histórias são auto-contidas, embora haja sempre pormenores com sentido temporal. Por isso, há desfechos que se antevêem, mas não creio que a leitura perca interesse por isso. O estilo de escrita teve uma evolução ao longo das histórias, pelo que a leitura desencontrada permite ao leitor aperceber-se disso, quando de outra forma seria difícil. 
Os mistérios de Harry Hole são electrizantes como sempre. Para quem gosta do estilo thriller policial, continua a valer muita a pena. E o resto, só lendo. Porque, senão, perde a piada.

Para a minha irmã grande

o bolo dos anos
Uma nota pequenina para deixar um grande beijinho de parabéns à minha irmã, que faz hoje 34 anos.


Que sejas muito feliz.


:)

Exposições em Lisboa










O fim das férias trouxe consigo o regresso à capital e ao ram-ram da vida dita normal. E uma das coisas boas que tem viver na zona de Lisboa é ter acesso à "fervilhante" vida cultural da cidade. Assim sendo, na última semana visitei duas exposições das quais gostei muito.
A primeira, Game On, patente no Museu de Arte Popular, é descrita como "a maior exposição de videojogos do mundo". Não sei se é verdade, mas que é muito divertida, é. É contada a história dos videojogos, desde os seus primórdios, mostrando a sua evolução ao longo dos tempos e as diferentes modalidades existentes hoje em dia. Mas o que é mais interessante é que a exposição tem uma forte componente interactiva e, portanto, é possível experimentar praticamente qualquer jogo em exibição! Foi um verdadeiro regresso ao passado poder jogar Space Invaders, Pacman ou Doom. E esse é o trunfo desta exposição, que tem tudo para cativar miúdos mas, especialmente, graúdos saudosistas.
A segunda exposição foi a (já) habitual World Press Photo (que falhei no ano passado), em exibição no belo Museu da Electricidade. Gosto muito de ver os destaques fotográficos do ano, que desta vez têm muito a ver com a denominada "Primavera Árabe". Mas a parte que normalmente prefiro é aquela que se refere a histórias do quotidiano (não sei bem como se chama a categoria), porque aí sim se vê a capacidade do artista (fotógrafo) enquanto contador de histórias através da sua lente.


Duas boas razões para sair de casa. Game On estará patente até 15 de Julho, enquanto a World Press Photo fica apenas até dia 20 de Maio.
Aproveitem.

Duas semanas na ilha

Metade do mês de Abril foi passado fora de portas. Primeiro, uma semana de trabalho. Mas depois, houve direito a férias e muito passeio!!! A Sardenha é uma ilha muito bonita e interessante, há de tudo um pouco: mar azul (a rodos), comida fantástica (como dá para comprovar pelas fotografias), cidades encantadoras, pessoas simpáticas, natureza especial. Foi uma bela semana a passear pela ilha, ao volante de um Fiat 500, quais Bond girls, cheias de estilo!

Fica uma pequena amostra, através desta visão fotográfica.















                                             



Bosa multicolor e a nossa machina





The Snowman + The Leopard - Jo Nesbo























Já se passou bastante tempo desde que "entrei" na leitura dos livros do norueguês Jo Nesbo sobre as desventuras do detective Harry Hole. Aliás, já li dois volumes e encontro-me neste momento a ler o terceiro! Mas falta de oportunidade fez com que ainda não tivesse escrito sobre eles aqui.
Comecei por ler The Snowman, o quinto volume da série. Embora haja algumas referências a acontecimentos passados, os livros são bastante auto-contidos, pelo que é possível ler qualquer um deles de forma independente. Assim, comecei por aquele que me foi oferecido, e que também é o mais famoso (segundo me disseram). De seguida, encomendei mais dois volumes pela Amazon e li o sexto livro, The Leopard! Em ambos os casos (como, provavelmente, em toda a série), Harry Hole vê-se a braços com múltiplos assassínios, perpetrados por um mesmo assassino... Estamos a falar de thrillers onde o suspense é, nitidamente, rei! Os livros estão muito bem escritos (embora, à terceira, já se consiga perceber um certo modus operandi), o mistério é mantido até bem perto do fim (normalmente) e estes livros são, portanto, uma verdadeira maravilha para quem gosta do estilo mistério policial. Eu, pessoalmente, adoro.
As comparações a Stieg Larsson somam-se. Não acho que os estilos sejam muito semelhantes, para dizer a verdade. Nesbo tem uma forma característica de incluir referências culturais, musicais e não só, o que torna a sua contextualização bastante diferente da de Larsson. E, pelo menos nesta série, temos nitidamente um (anti-)herói, alguém que carrega nas costas todo o peso destas histórias. Por isso, acho que o paralelismo com Larsson se esgota na categoria literária em que ambos se incluem, e no facto de serem ambos autores escandinavos. Não que um seja melhor do que o outro. Gosto muito de ambos. Mas este (Nesbo), pelo menos, ainda está vivo e disponível para continuar a dar-nos (boas) aventuras do lobo solitário Harry Hole.

Tabu


Isto de ficar uma quase eternidade sem escrever neste blog tem muito que se lhe diga. Entre falta de tempo, falta de vontade, e duas semanas fora, o resultado foi este!
Antes de ir de férias (e antes mesmo da Páscoa), fui ver este "Tabu" com a Raquel, de passagem pelo nosso Portugal. Dia de estreia, imagine-se lá!!! :)
Claro que havia expectativas, boas e más. Por um lado boas, por todo o reconhecimento internacional que o filme de Miguel Gomes teve, nomeadamente no Festival de Berlim. E más porque sou um bocadinho desconfiada em relação a todo o cinema português (e sim, sei que é muito triste e preconceituoso da minha parte afirmar uma coisa destas - estou a tentar mudar a minha opinião). Mas é com filmes como este que a minha opinião vai começando a mudar.
Ao início, desconfiei. Uma espécie de introdução meia teatral deixou-me pouco à vontade. Mas, entretanto, o filme começa a desenvolver-se. Duas partes, uma num qualquer presente próximo, a segunda num passado longínquo em África. No sopé do monte Tabu. Na primeira parte, temos um filme "normal", com personagens e diálogos, na segunda parte apenas temos narrador e ruídos de fundo. 
Nem sequer me tinha apercebido deste facto, no início. E não, não é de todo estranho. Porque a perspectiva que o realizador (permito-me pensar assim) quer dar é de uma certa distância emocional em relação ao que aconteceu nesse passado - como se fosse um recalcamento.
A memória já não me deixa falar de muitos pormenores. Mas gostei muito do filme, tanto em termos estéticos como em termos de história e a forma como é contada. Gosto das imagens a preto-e-branco, tão saturadas que quase transpiram para fora da tela. E gosto da história de amor.

Há bom cinema português por aí. Só é preciso não ter preconceitos.

Quinto Império apresenta "A Mente Agita a Matéria"


Na passada sexta-feira, dia 30 de Março, fui assistir ao concerto-encenado "A mente agita a matéria", com música pelo Quinto Império, quinteto de metais, e encenação de Andreia Pinto, com a ajuda da Ana Rita Pires. Com base na poesia d"A Mensagem", de Fernando Pessoa, e através da música de compositores variados, assistimos a um belo espectáculo. Gostei muito da música, do ambiente, da sala de espectáculos (belíssimo Palácio Burnay!) e, principalmente, de ver aquelas duas miúdas tão desenvoltas neste "novo" papel de organização e encenação.

Passei um serão muito agradável, com companhias simpáticas. Agora é esperar pela próxima aventura.

Parabéns, meninas!!!

Doces de fim-de-semana

Mais uma vez, fui buscar inspiração ao blog Mão na Massa para cozinhar a sobremesa para este sábado.
Desta vez, escolhi estes muffins de chocolate e laranja, que é uma combinação que eu adoro.

Apesar de não ter todo o material que precisaria para fazer isto bem feito (o que resultou em massa a verter para fora das formas...), os muffins ficaram muito bons (modéstia à parte), fazendo as delícias da família que voltou a casa depois de uma semana de férias. Que me deixaram cheia de saudades...

Para repetir, sem dúvida, até porque não vão durar muito. :)

Passeio no Porto em família

No passado sábado, houve dia de passeio no Porto para a família Resende. Já há muito tempo que tal não acontecia, e realmente é pena, porque são oportunidades maravilhosas de fazer o que mais gosto: (1) passear, (2) estar com a família, (3) tirar fotografias.

O passeio começou no Palácio de Cristal e prolongou-se pela freguesia de Massarelos, com uma descida até à beira-rio para almoçar, e consequente subida até ao Campo Alegre onde visitei, pela primeira vez (apesar de ter trabalhado na zona durante mais de um ano!) o Jardim Botânico do Porto.

Pelo meio, muitas flores, para todos os gostos, ou não estivéssemos nós na Primavera. Eu, como o sangue que me corre nas veias tem, com certeza, alguma coisa em comum com o do Avô Dino, gosto de fotografar flores. No chão, nas paredes, caídas ou a trepar por um muro. E, neste passeio, fiz o gosto ao dedo, como se costuma dizer. "Modelos" não faltaram e, apesar de o sol não se ter mostrado muito amigo, a chuva não apareceu, proporcionando-nos um belo dia de passeio.

Agora, é marcar o próximo.

Vergonha

A vontade para escrever neste blog tem sido menos que pouca. Ando "desinspirada". Desinteressada.

Finalmente vi, há uns dias, o dito "filme do ano", segundo no currículo de Steve McQueen, polémico realizador britânico. Não, não vi o primeiro, "Fome" de seu nome. Por isso não estava familiarizada com o estilo do realizador, nem sabia muito bem o que esperar. Mas antes assim.
Não sei muito bem como falar sobre este filme. Como o próprio nome do filme sugere, vergonha é o sentimento que o domina. Vergonha pela vida que Brandon, personagem-mais-do-que-principal do filme (brilhantemente interpretada por Michael Fassbender), vive. Brandon é um predador sexual, vive imerso num mundo onde não existem pessoas nem sentimentos, mas apenas corpos e volúpia. No mundo real, Brandon é um tipo quase tímido, que rejeita qualquer contacto emocional mais íntimo, desajeitado. É assustador pensar que alguém é capaz de viver uma vida assim (e estou certa que os haverá entre as pessoas que me rodeiam). A vertigem é tal que chega a ser nauseante... Mesmo, ao contrário do que estava à espera (afinal sempre tinha expectativas), não havendo sexo explícito. Muito pouco é mostrado, mas não é preciso, porque o filme é de tal forma denso que não precisa de recorrer a isso.
Fiquei realmente repugnada. Acho que essa é a melhor palavra para descrever o que senti. O filme é muito, muito bom, está filmado de forma fantástica (há uma anonimidade latente que funciona muito bem na ideia geral), Fassbender é soberbo. Aliás, posso até dizer que é um actor que achava muito interessante (fisicamente). E digo "achava", porque depois de ver este filme, e enquanto me lembrar, não vou conseguir desligar da repugnância que me suscitou. Chega a ficar fisicamente feio, velho, deformado. Como se o exterior quisesse espelhar o que tem por dentro... É um filme fantástico, mas não um filme de que se goste (e a arte nem sempre se rege por esses princípios).

No fim, só espero que haja esperança, e que seja essa a mensagem final. Que o mundo em que vivemos não seja um mundo de cínicos.

Uma Doce Mentira

Duas idas ao cinema na mesma semana é algo muito raro hoje em dia. Mas esta semana aconteceu. Desta vez, as três primas foram ver (mais) um filme francês, mas agora uma comédia romântica com Audrey Tautou, bem ao estilo francês.
Então: Emilie, a personagem interpretado por Tautou, é uma "solteirona" dona de um cabeleireiro no sul de França. Um dia, recebe um bela carta de amor anónima, mas que não lhe desperta o interesse. No entanto, resolve reenviá-la à mãe, que ainda não recuperou do facto de ter sido abandonada pelo marido, o seu pai... Aqui começa um conjunto de mal-entendidos muito divertidos e caricatos.
História simples, fórmula ganhadora. Mas os pormenores fazem a diferença. Como, por exemplo, o facto de o filme ser rodado em Sète, cidade costeira no sul da França que eu visitei várias vezes enquanto vivi por esses lados... Lindo.

Declaração de Guerra

De volta às sessões de cinema. Domingo à noite trouxe consigo este filme francês da autoria de Valérie Donzelli, a mesma de "La Reine des Pommes". Vem novamente acompanhada do "seu" Jérémie Elkaïm, para ambos protagonizarem uma história comovente: como toda vida se altera quando descobrem que o filho de ambos, com apenas 18 meses, tem um tumor cerebral extremamente agressivo. A história é tão mais comovente sabendo que é baseada na experiência pessoal dos protagonistas (enquanto casal na vida real), que têm realmente um filho que passou pela doença.
Tinha curiosidade em perceber como essa história dramática seria contada, onde é que a tónica seria colocada. Mas a verdade é que, talvez por ser uma história tão próxima dos actores que a protagozinam, acaba por ser contada com aquilo que me parece ser grande superficialidade. Talvez o objectivo seja desdramatizar, mas não foi bem isso que senti. Foi quase como se, nos momentos mais difíceis, eles não conseguissem ser convincentes porque, no fundo, sabiam que a história iria acabar bem. Não sei...
A verdade é que acabei por não gostar muito. Quer dizer, não é que não tenha gostado. Mas não gostei muito. Ficou um bocado aquém das minhas expectativas.

Vodafone Mexefest @ Porto

Este fim-de-semana que passou fui ao Porto. Não ia lá há um mês. Fui ao Vodafone Mexefest, por sugestão da prima Cristina. Na sexta-feira lá fomos nós em direcção à Invicta. Chegados lá, pousámos as tralhas e, depois de comer qualquer coisa, rumámos até Passos Manuel, centro nevrálgico do festival.
O primeiro concerto que espreitámos foi Nicky and the Dove, no Coliseu, mas foi algo muito rápido, porque saímos todos de lá a bater com os pés no rabo! A senhora é um bocado assustadora e não gostei nada da música. Daí, descemos ao Sá da Bandeira, que se compôs para ouvir Cass McCombs, cantautor americano. A acústica da sala é muito má (como em tempos tinha desconfiado, num concerto de Tricky), mas os meninos também pareciam ter-se esquecido de fazer o sound check... Não obstante, foi um concerto interesssante, mas definitivamente a pedir um espaço mais intimista. A noite ia crescendo e nós mudamos de poiso, desta vez para a Garagem Vodafone (ie, Garagem Passos Manuel, em frente ao Coliseu), para ouvir King Krule, colectivo londrino liderado por um jovem de 17 anos "leite com cenoura" (Pedro dixit). Um som muito interessante, denso, profundo. A desafiar a juventude de quem o produz. Mesmo que essa juventude parecesse completamente alienada... Fiquei até o concerto terminar, para depois me juntar ao resto do pessoal no Coliseu, para ver a parte final do concerto de St. Vincent. Música que não aprecio, mas a prestar um bom espectáculo. E assim chegou ao fim o primeiro dia de concertos.
No segundo dia, os concertos começaram mais cedo. Ao final da tarde, fui ver o concerto dos Lacraus no Guarany, café mítico da baixa portuense onde eu nunca havia estado. O espaço é giro e depressa se apinhou de gente ávida para assistir ao concerto. Foi giro, gostei das músicas, apesar da pronúncia "betinha" do vocalista. Gostei particularmente da participação de Samuel Úria (e do seu "Teimoso") e da versão de "Inventor", dos Heróis do Mar, que fizeram. Quando regressámos à baixa depois do jantar, já o concerto de Josh Rouse estava quase no fim, por isso fomos até ao Ateneu Comercial, para conhecer o espaço e ouvir Fink, rapaz que tem umas músicas giras, principalmente para música ambiente. Subi novamente Passos Manuel para me plantar junto à Garagem Vodafone, onde tocou de seguida Hanni El Khatib, que (me) proporcionou o melhor concerto do festival. Fiquei completamente rendida ao rock visceral do norte-americano, que faz música que faz lembrar outros tempos, em que a música era mais sincera... O concerto, esse, foi poderoso, tendo apenas dois músicos em palco: guitarra+voz e bateria. Mas não precisaram de mais ninguém! A seguir ainda fomos espreitar Twin Shadow ao Coliseu, que deram o que me pareceu um concerto muito eficiente, um bom espectáculo. Mas não sou grande fã da banda. Para terminar, tentámos ver Ladrões do Tempo no Cinema Passos Manuel, mas a lotação (que não deveria ser grande) esgotou. Tant pis pour eux.
Assim ficou para trás um fim-de-semana de concertos, com muita música, alguma muito boa. E que me deixou absolutamente viciada na música de Hanni El Khatib. Pena que tenha ficado o travo amargo de ter estado no Porto um fim-de-semana sem ter visto ninguém conhecido... Acho que me tornei numa "sem-terra".

Dor de cabeça de Domingo

Domingo. Dia do qual nunca gostei particularmente.

Hoje, por privação de sono durante a semana, ou por ter dormido demais na última noite, acordei com dor de cabeça. Que se manteve durante o dia. E, por isso, resolvi fazer um belo de um bolo de chocolate, para ver se a cabeça ganhava juízo. Depois de procurar um pouco pela internet, resolvi-me por esta receita: Bolo de Chocolate com Frutos Vermelhos, de um blog apetitoso que costumo seguir. Fiz algumas alterações à receita, como usar framboesas frescas no recheio do bolo. Que ficou muito bom.

Fica também a indicação que o chocolate com 70% de cacau não é o ideal para a cobertura, porque fica um bocadinho amargo em demasia.

Para repetir, definitivamente.

(ou, como diz a Cristina, "Deus te dê muitas dores de cabeça.")

Fernando Pessoa: Plural como o Universo

As actividades do último fim-de-semana incluíram uma visita à mais recente exposição da Gulbenkian, sobre Fernando Pessoa. Tem tido muita publicidade, pelo menos na televisão, onde já vi várias reportagens sobre o assunto. E, através delas, já me tinha parecido que daqui talvez não fosse sair grande coisa.
Pois então: a exposição foi organizada por dois museus brasileiros, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, e veio para Portugal depois de temporadas em São Paulo (2010) e no Rio de Janeiro (2011). Acredito que, no Brasil, a exposição tenha tido um grande impacto, até porque não há nada de errado com ela - apenas o seu cariz vagamente didáctico faz com que o seu interesse, em Portugal, seja limitado. Se pensarmos que qualquer português que tenha feito o 12º ano de escolaridade estudou a fundo a obra (e vida) de Fernando Pessoa, esta exposição nada acrescenta àquilo que já sabíamos...
Fiquei um pouco desiludida, sem dúvida. Sempre tive um grande interesse em Pessoa, como autor e como homem, em toda a sua multiplicidade. Pouco aprendi de novo, mas ao menos passei uma tarde na companhia dele e dos seus poemas. Que tanto me dizem.

Os Descendentes

Preguiça, preguiça. Muita preguiça.
Tem sido este o sentimento dominante em relação a este blog. Depois de um momento de grande actividade, surgiu a preguiça... Vamos lá ver se ganho vontade.

A minha última ida ao cinema, na companhia das primas, foi no dia dos namorados. Uma bela data para observar as outras pessoas que também decidiram ir ao cinema. Aos pares ou nem por isso. Adiante.
Os Descendentes é o mais recente filme de Alexander Payne, o mesmo realizador de Sideways (filme que ainda não consegui descobrir se já vi ou não...). De qualquer forma, é um realizador bem cotado na onda do cinema independente americano. O filme segue Matt King - herdeiro de uma considerável fortuna oriunda dos primeiros ocupantes do Havai, mas que vive uma vida consideravelmente modesta ainda assim - na altura em que a mulher deste tem um acidente de barco e fica em coma. O acontecimento irá obrigar Matt a aproximar-se das duas filhas e a estar mais presente nas suas vidas. Mas irá igualmente fazer com que ele se confronte com o sentido da sua vida. Assim, Os Descendentes é um filme sobre o sentido da vida - amor, dinheiro, família. Para que servem todos eles, qual o seu papel e o seu lugar na vida de uma pessoa. No geral, o género de filme que eu costumo gostar. Muito. Deste filme, gostei. Mais ou menos. Mas não muito. Não espectacularmente. Não consegui criar empatia suficiente para que tal acontecesse. Mas não deixa de ser um bom filme.

Mais prendas para os bebés

Entre o final de Janeiro e o início de Fevereiro, nasceram as duas crianças de que 2012 estava à espera.

Tudo correu bem e aproveito para deixar aqui um grande beijinho aos papás e respectivos filhotes!






Com o nascimento, vieram as ofertas destas duas pequenas lembranças que preparei: uma babete para o A., uma fralda para a M., tudo com muito carinho.







Agora, é vê-los crescer e desejar-lhes toda a felicidade do mundo! E, já agora, que não dêem muito trabalho
aos pais. ;)


Telhados de Lisboa


Do meu terraço, vejo telhados de Lisboa.





















E, ao fundo, corre o Tejo, que neste dia estava coberto de neblina.

Solar - Ian McEwan

Outro escritor da minha eleição é Ian McEwan. Este autor britânico foi-me dado a conhecer quando era ainda adolescente e, seis livros e muitos anos depois, continua como um dos meus escritores favoritos. Este Solar data de 2010, mas só agora me veio parar às mãos, e foi com grande prazer que o li. É engraçado como a forma de escrever, e os próprios temas, foram mudando ao longo do tempo na escrita de McEwan (pequena nota: o primeiro livro dele que li foi O Jardim de Cimento, que data de 1978...). Solar conta a história de Micheal Beard, um físico de meia-idade que ganhou o Nobel ainda muito jovem, por alterações às teorias de Einstein. Logo por aqui, este livro já se torna muito apelativo, porque é muito raro ter um cientista como personagem principal num livro destes! Adiante. A história divide-se em três espaços temporais distintos, todos marcados por acontecimentos bizarros. Michael "flutua" por esses diferentes tempos, quase como se nada lhe dissesse respeito (o que me faz de imediato sorrir...).
A escrita é muito bem conseguida, divertida e refrescante, pregando o leitor a uma história pouco provável, mas que eu até imaginaria a acontecer. Porque o Universo de tudo é capaz! Gostei mesmo muito, aconselho a todos a sua leitura, até porque faz um inside job muito bem apanhado aos trâmites da ciência.

John Abercrombie & Marc Copland @ CCB

Com uns meses de atraso, chegou finalmente o dia do concerto de John Abercrombie no Centro Cultural de Belém, acompanhado de Marc Copland. Era suposto ter acontecido em Setembro do ano passado, mas um problema de saúde do guitarrista (se não me engano) adiou o concerto para Janeiro. E ainda bem, porque assim foi-me possível assistir a esse encontro entre os dois músicos.
Na bagagem, para além de muitos anos de experiência, trazem um disco em comum, Speak to Me, para além de muitos clássicos que marcam a sua formação enquanto músicos de jazz.
O concerto foi calmo, um pouco como ambos queriam: transportar-nos para a sala de estar deles. Acho que foi assim que me senti, como uma convidada em casa de uns anfitriões simpáticos e virtuosos. Muito relaxante, muito introspectivo. Gostei.