Quinto Império apresenta "A Mente Agita a Matéria"


Na passada sexta-feira, dia 30 de Março, fui assistir ao concerto-encenado "A mente agita a matéria", com música pelo Quinto Império, quinteto de metais, e encenação de Andreia Pinto, com a ajuda da Ana Rita Pires. Com base na poesia d"A Mensagem", de Fernando Pessoa, e através da música de compositores variados, assistimos a um belo espectáculo. Gostei muito da música, do ambiente, da sala de espectáculos (belíssimo Palácio Burnay!) e, principalmente, de ver aquelas duas miúdas tão desenvoltas neste "novo" papel de organização e encenação.

Passei um serão muito agradável, com companhias simpáticas. Agora é esperar pela próxima aventura.

Parabéns, meninas!!!

Doces de fim-de-semana

Mais uma vez, fui buscar inspiração ao blog Mão na Massa para cozinhar a sobremesa para este sábado.
Desta vez, escolhi estes muffins de chocolate e laranja, que é uma combinação que eu adoro.

Apesar de não ter todo o material que precisaria para fazer isto bem feito (o que resultou em massa a verter para fora das formas...), os muffins ficaram muito bons (modéstia à parte), fazendo as delícias da família que voltou a casa depois de uma semana de férias. Que me deixaram cheia de saudades...

Para repetir, sem dúvida, até porque não vão durar muito. :)

Passeio no Porto em família

No passado sábado, houve dia de passeio no Porto para a família Resende. Já há muito tempo que tal não acontecia, e realmente é pena, porque são oportunidades maravilhosas de fazer o que mais gosto: (1) passear, (2) estar com a família, (3) tirar fotografias.

O passeio começou no Palácio de Cristal e prolongou-se pela freguesia de Massarelos, com uma descida até à beira-rio para almoçar, e consequente subida até ao Campo Alegre onde visitei, pela primeira vez (apesar de ter trabalhado na zona durante mais de um ano!) o Jardim Botânico do Porto.

Pelo meio, muitas flores, para todos os gostos, ou não estivéssemos nós na Primavera. Eu, como o sangue que me corre nas veias tem, com certeza, alguma coisa em comum com o do Avô Dino, gosto de fotografar flores. No chão, nas paredes, caídas ou a trepar por um muro. E, neste passeio, fiz o gosto ao dedo, como se costuma dizer. "Modelos" não faltaram e, apesar de o sol não se ter mostrado muito amigo, a chuva não apareceu, proporcionando-nos um belo dia de passeio.

Agora, é marcar o próximo.

Vergonha

A vontade para escrever neste blog tem sido menos que pouca. Ando "desinspirada". Desinteressada.

Finalmente vi, há uns dias, o dito "filme do ano", segundo no currículo de Steve McQueen, polémico realizador britânico. Não, não vi o primeiro, "Fome" de seu nome. Por isso não estava familiarizada com o estilo do realizador, nem sabia muito bem o que esperar. Mas antes assim.
Não sei muito bem como falar sobre este filme. Como o próprio nome do filme sugere, vergonha é o sentimento que o domina. Vergonha pela vida que Brandon, personagem-mais-do-que-principal do filme (brilhantemente interpretada por Michael Fassbender), vive. Brandon é um predador sexual, vive imerso num mundo onde não existem pessoas nem sentimentos, mas apenas corpos e volúpia. No mundo real, Brandon é um tipo quase tímido, que rejeita qualquer contacto emocional mais íntimo, desajeitado. É assustador pensar que alguém é capaz de viver uma vida assim (e estou certa que os haverá entre as pessoas que me rodeiam). A vertigem é tal que chega a ser nauseante... Mesmo, ao contrário do que estava à espera (afinal sempre tinha expectativas), não havendo sexo explícito. Muito pouco é mostrado, mas não é preciso, porque o filme é de tal forma denso que não precisa de recorrer a isso.
Fiquei realmente repugnada. Acho que essa é a melhor palavra para descrever o que senti. O filme é muito, muito bom, está filmado de forma fantástica (há uma anonimidade latente que funciona muito bem na ideia geral), Fassbender é soberbo. Aliás, posso até dizer que é um actor que achava muito interessante (fisicamente). E digo "achava", porque depois de ver este filme, e enquanto me lembrar, não vou conseguir desligar da repugnância que me suscitou. Chega a ficar fisicamente feio, velho, deformado. Como se o exterior quisesse espelhar o que tem por dentro... É um filme fantástico, mas não um filme de que se goste (e a arte nem sempre se rege por esses princípios).

No fim, só espero que haja esperança, e que seja essa a mensagem final. Que o mundo em que vivemos não seja um mundo de cínicos.

Uma Doce Mentira

Duas idas ao cinema na mesma semana é algo muito raro hoje em dia. Mas esta semana aconteceu. Desta vez, as três primas foram ver (mais) um filme francês, mas agora uma comédia romântica com Audrey Tautou, bem ao estilo francês.
Então: Emilie, a personagem interpretado por Tautou, é uma "solteirona" dona de um cabeleireiro no sul de França. Um dia, recebe um bela carta de amor anónima, mas que não lhe desperta o interesse. No entanto, resolve reenviá-la à mãe, que ainda não recuperou do facto de ter sido abandonada pelo marido, o seu pai... Aqui começa um conjunto de mal-entendidos muito divertidos e caricatos.
História simples, fórmula ganhadora. Mas os pormenores fazem a diferença. Como, por exemplo, o facto de o filme ser rodado em Sète, cidade costeira no sul da França que eu visitei várias vezes enquanto vivi por esses lados... Lindo.

Declaração de Guerra

De volta às sessões de cinema. Domingo à noite trouxe consigo este filme francês da autoria de Valérie Donzelli, a mesma de "La Reine des Pommes". Vem novamente acompanhada do "seu" Jérémie Elkaïm, para ambos protagonizarem uma história comovente: como toda vida se altera quando descobrem que o filho de ambos, com apenas 18 meses, tem um tumor cerebral extremamente agressivo. A história é tão mais comovente sabendo que é baseada na experiência pessoal dos protagonistas (enquanto casal na vida real), que têm realmente um filho que passou pela doença.
Tinha curiosidade em perceber como essa história dramática seria contada, onde é que a tónica seria colocada. Mas a verdade é que, talvez por ser uma história tão próxima dos actores que a protagozinam, acaba por ser contada com aquilo que me parece ser grande superficialidade. Talvez o objectivo seja desdramatizar, mas não foi bem isso que senti. Foi quase como se, nos momentos mais difíceis, eles não conseguissem ser convincentes porque, no fundo, sabiam que a história iria acabar bem. Não sei...
A verdade é que acabei por não gostar muito. Quer dizer, não é que não tenha gostado. Mas não gostei muito. Ficou um bocado aquém das minhas expectativas.

Vodafone Mexefest @ Porto

Este fim-de-semana que passou fui ao Porto. Não ia lá há um mês. Fui ao Vodafone Mexefest, por sugestão da prima Cristina. Na sexta-feira lá fomos nós em direcção à Invicta. Chegados lá, pousámos as tralhas e, depois de comer qualquer coisa, rumámos até Passos Manuel, centro nevrálgico do festival.
O primeiro concerto que espreitámos foi Nicky and the Dove, no Coliseu, mas foi algo muito rápido, porque saímos todos de lá a bater com os pés no rabo! A senhora é um bocado assustadora e não gostei nada da música. Daí, descemos ao Sá da Bandeira, que se compôs para ouvir Cass McCombs, cantautor americano. A acústica da sala é muito má (como em tempos tinha desconfiado, num concerto de Tricky), mas os meninos também pareciam ter-se esquecido de fazer o sound check... Não obstante, foi um concerto interesssante, mas definitivamente a pedir um espaço mais intimista. A noite ia crescendo e nós mudamos de poiso, desta vez para a Garagem Vodafone (ie, Garagem Passos Manuel, em frente ao Coliseu), para ouvir King Krule, colectivo londrino liderado por um jovem de 17 anos "leite com cenoura" (Pedro dixit). Um som muito interessante, denso, profundo. A desafiar a juventude de quem o produz. Mesmo que essa juventude parecesse completamente alienada... Fiquei até o concerto terminar, para depois me juntar ao resto do pessoal no Coliseu, para ver a parte final do concerto de St. Vincent. Música que não aprecio, mas a prestar um bom espectáculo. E assim chegou ao fim o primeiro dia de concertos.
No segundo dia, os concertos começaram mais cedo. Ao final da tarde, fui ver o concerto dos Lacraus no Guarany, café mítico da baixa portuense onde eu nunca havia estado. O espaço é giro e depressa se apinhou de gente ávida para assistir ao concerto. Foi giro, gostei das músicas, apesar da pronúncia "betinha" do vocalista. Gostei particularmente da participação de Samuel Úria (e do seu "Teimoso") e da versão de "Inventor", dos Heróis do Mar, que fizeram. Quando regressámos à baixa depois do jantar, já o concerto de Josh Rouse estava quase no fim, por isso fomos até ao Ateneu Comercial, para conhecer o espaço e ouvir Fink, rapaz que tem umas músicas giras, principalmente para música ambiente. Subi novamente Passos Manuel para me plantar junto à Garagem Vodafone, onde tocou de seguida Hanni El Khatib, que (me) proporcionou o melhor concerto do festival. Fiquei completamente rendida ao rock visceral do norte-americano, que faz música que faz lembrar outros tempos, em que a música era mais sincera... O concerto, esse, foi poderoso, tendo apenas dois músicos em palco: guitarra+voz e bateria. Mas não precisaram de mais ninguém! A seguir ainda fomos espreitar Twin Shadow ao Coliseu, que deram o que me pareceu um concerto muito eficiente, um bom espectáculo. Mas não sou grande fã da banda. Para terminar, tentámos ver Ladrões do Tempo no Cinema Passos Manuel, mas a lotação (que não deveria ser grande) esgotou. Tant pis pour eux.
Assim ficou para trás um fim-de-semana de concertos, com muita música, alguma muito boa. E que me deixou absolutamente viciada na música de Hanni El Khatib. Pena que tenha ficado o travo amargo de ter estado no Porto um fim-de-semana sem ter visto ninguém conhecido... Acho que me tornei numa "sem-terra".

Dor de cabeça de Domingo

Domingo. Dia do qual nunca gostei particularmente.

Hoje, por privação de sono durante a semana, ou por ter dormido demais na última noite, acordei com dor de cabeça. Que se manteve durante o dia. E, por isso, resolvi fazer um belo de um bolo de chocolate, para ver se a cabeça ganhava juízo. Depois de procurar um pouco pela internet, resolvi-me por esta receita: Bolo de Chocolate com Frutos Vermelhos, de um blog apetitoso que costumo seguir. Fiz algumas alterações à receita, como usar framboesas frescas no recheio do bolo. Que ficou muito bom.

Fica também a indicação que o chocolate com 70% de cacau não é o ideal para a cobertura, porque fica um bocadinho amargo em demasia.

Para repetir, definitivamente.

(ou, como diz a Cristina, "Deus te dê muitas dores de cabeça.")

Fernando Pessoa: Plural como o Universo

As actividades do último fim-de-semana incluíram uma visita à mais recente exposição da Gulbenkian, sobre Fernando Pessoa. Tem tido muita publicidade, pelo menos na televisão, onde já vi várias reportagens sobre o assunto. E, através delas, já me tinha parecido que daqui talvez não fosse sair grande coisa.
Pois então: a exposição foi organizada por dois museus brasileiros, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, e veio para Portugal depois de temporadas em São Paulo (2010) e no Rio de Janeiro (2011). Acredito que, no Brasil, a exposição tenha tido um grande impacto, até porque não há nada de errado com ela - apenas o seu cariz vagamente didáctico faz com que o seu interesse, em Portugal, seja limitado. Se pensarmos que qualquer português que tenha feito o 12º ano de escolaridade estudou a fundo a obra (e vida) de Fernando Pessoa, esta exposição nada acrescenta àquilo que já sabíamos...
Fiquei um pouco desiludida, sem dúvida. Sempre tive um grande interesse em Pessoa, como autor e como homem, em toda a sua multiplicidade. Pouco aprendi de novo, mas ao menos passei uma tarde na companhia dele e dos seus poemas. Que tanto me dizem.

Os Descendentes

Preguiça, preguiça. Muita preguiça.
Tem sido este o sentimento dominante em relação a este blog. Depois de um momento de grande actividade, surgiu a preguiça... Vamos lá ver se ganho vontade.

A minha última ida ao cinema, na companhia das primas, foi no dia dos namorados. Uma bela data para observar as outras pessoas que também decidiram ir ao cinema. Aos pares ou nem por isso. Adiante.
Os Descendentes é o mais recente filme de Alexander Payne, o mesmo realizador de Sideways (filme que ainda não consegui descobrir se já vi ou não...). De qualquer forma, é um realizador bem cotado na onda do cinema independente americano. O filme segue Matt King - herdeiro de uma considerável fortuna oriunda dos primeiros ocupantes do Havai, mas que vive uma vida consideravelmente modesta ainda assim - na altura em que a mulher deste tem um acidente de barco e fica em coma. O acontecimento irá obrigar Matt a aproximar-se das duas filhas e a estar mais presente nas suas vidas. Mas irá igualmente fazer com que ele se confronte com o sentido da sua vida. Assim, Os Descendentes é um filme sobre o sentido da vida - amor, dinheiro, família. Para que servem todos eles, qual o seu papel e o seu lugar na vida de uma pessoa. No geral, o género de filme que eu costumo gostar. Muito. Deste filme, gostei. Mais ou menos. Mas não muito. Não espectacularmente. Não consegui criar empatia suficiente para que tal acontecesse. Mas não deixa de ser um bom filme.

Mais prendas para os bebés

Entre o final de Janeiro e o início de Fevereiro, nasceram as duas crianças de que 2012 estava à espera.

Tudo correu bem e aproveito para deixar aqui um grande beijinho aos papás e respectivos filhotes!






Com o nascimento, vieram as ofertas destas duas pequenas lembranças que preparei: uma babete para o A., uma fralda para a M., tudo com muito carinho.







Agora, é vê-los crescer e desejar-lhes toda a felicidade do mundo! E, já agora, que não dêem muito trabalho
aos pais. ;)


Telhados de Lisboa


Do meu terraço, vejo telhados de Lisboa.





















E, ao fundo, corre o Tejo, que neste dia estava coberto de neblina.

Solar - Ian McEwan

Outro escritor da minha eleição é Ian McEwan. Este autor britânico foi-me dado a conhecer quando era ainda adolescente e, seis livros e muitos anos depois, continua como um dos meus escritores favoritos. Este Solar data de 2010, mas só agora me veio parar às mãos, e foi com grande prazer que o li. É engraçado como a forma de escrever, e os próprios temas, foram mudando ao longo do tempo na escrita de McEwan (pequena nota: o primeiro livro dele que li foi O Jardim de Cimento, que data de 1978...). Solar conta a história de Micheal Beard, um físico de meia-idade que ganhou o Nobel ainda muito jovem, por alterações às teorias de Einstein. Logo por aqui, este livro já se torna muito apelativo, porque é muito raro ter um cientista como personagem principal num livro destes! Adiante. A história divide-se em três espaços temporais distintos, todos marcados por acontecimentos bizarros. Michael "flutua" por esses diferentes tempos, quase como se nada lhe dissesse respeito (o que me faz de imediato sorrir...).
A escrita é muito bem conseguida, divertida e refrescante, pregando o leitor a uma história pouco provável, mas que eu até imaginaria a acontecer. Porque o Universo de tudo é capaz! Gostei mesmo muito, aconselho a todos a sua leitura, até porque faz um inside job muito bem apanhado aos trâmites da ciência.

John Abercrombie & Marc Copland @ CCB

Com uns meses de atraso, chegou finalmente o dia do concerto de John Abercrombie no Centro Cultural de Belém, acompanhado de Marc Copland. Era suposto ter acontecido em Setembro do ano passado, mas um problema de saúde do guitarrista (se não me engano) adiou o concerto para Janeiro. E ainda bem, porque assim foi-me possível assistir a esse encontro entre os dois músicos.
Na bagagem, para além de muitos anos de experiência, trazem um disco em comum, Speak to Me, para além de muitos clássicos que marcam a sua formação enquanto músicos de jazz.
O concerto foi calmo, um pouco como ambos queriam: transportar-nos para a sala de estar deles. Acho que foi assim que me senti, como uma convidada em casa de uns anfitriões simpáticos e virtuosos. Muito relaxante, muito introspectivo. Gostei.

Millenium 1

Dois anos e qualquer coisa depois, novo filme baseado na obra de Stieg Larsson, Millenium. Depois de 3 livros e os equivalentes 3 filmes suecos, David Fincher decidiu pegar na história. O casting foi francamente melhor - tanto Daniel Craig como Rooney Mara estão bastante credíveis na pele de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, respectivamente.
Não vou estar aqui a falar sobre a história, porque sobre essa já muito falei. Aliás, devo confessar que começa a ficar tudo um bocado confuso na minha cabeça, entre a visão dos livros que se mistura com a do primeiro filme sueco e agora este. Não é fácil!
Mas, então, que posso eu dizer?... Gostei do filme. Filmado na Suécia, tem credibilidade mais do que suficiente em termos de cenário. Os actores, como já referi, estão à altura das suas personagens e até têm boa química, embora a relação entre Mikael e Lisbeth não seja muito explorada. O ritmo não me deixou por aí além contente - há partes que são contadas "a correr", com os acontecimentos um pouco precipitados, para depois poder "perder" tempo nos momentos que mais lhe interessam. Percebo, mas não quer dizer que seja fã. Depois, há uma coisa que acho ridícula: actores de expressão inglesa a fazer pronúncias, neste caso sueca. Porquê? Acham que o filme se torna mais autêntico? Gostaria muito mais que as pessoas se deixassem de parvoíces e falassem normalmente.
Mas, pronto, tirando isso, é um bom filme. Gostei muito. Conseguiu enervar-me apesar de já conhecer a história de trás para a frente. É um feito, não?...

Pena que o senhor Larsson tenha morrido, deixando-nos apenas 3 livros desta saga que eu tanto gosto.

Habemus Papam

Finalmente, um cineminha!!! E, desta vez, não foi "apenas" com uma prima, mas com duas!

Já tinha ouvido falar bem deste último filme do italiano Nanni Moretti, realizador que prezo, apesar de apenas ter visto um dos seus filmes, "O quarto do filho".
Pelo título, será bastante fácil perceber o assunto do filme. Então, os dias são os que correm. A morte do actual Papa leva à reunião dos cardeais em conclave. Daí sairá o futuro Papa, cuja nomeação é algo inesperada. O cardeal Melville, ao ver-se escolhido como sucessor, reage como nunca ninguém pensaria: recusa fazer a benção papal e refugia-se nos seus aposentos. O conclave vê-se, então, obrigado a tomar medidas e recorrem ao mais famoso psiquiatra - mas nem ele terá capacidade para resolver o imbróglio, uma vez que a (falta de) liberdade dada pela Santa Sé não lhe permite usar os seus métodos.

Daqui irão sair todo um conjunto de situações divertidas, mas também tocantes. O filme, no fundo, é sobre a fragilidade humana, sobre ambições e expectativas, não apenas nossas, mas que os outros têm em relação a nós.
Gostei muito. Houve momentos em que ri às gargalhadas (o que não é de todo muito comum), mas não é um filme tonto. Pelo contrário, é um filme muito interessante.

Tricot - a 1ª obra

Pois bem, ainda há uns tempos vos falei da minha primeira abordagem ao tricot. E já há algum tempo que está pronta, uma gola em lã roxa mesclada, feita em canelado de ponto de arroz e meia. Não foi difícil, não demorou muito a fazer e ficou bem bonita (embora longe da perfeição!). E fica ainda mais bonita com a flor amarela oferecida pela Raquel. :)


Outra obra da qual estou imensamente orgulhosa é este xaile que a minha mãe me fez. Deu muito trabalho, obrigou a várias idas à Ovelha Negra para pedir ajuda, mas valeu bem a pena, porque ficou lindo e muito jeito tem dado nestes dias de frio (mesmo na capital!). Muito obrigada, Mãezinha!!!


Espero um dia também ser capaz de fazer algo assim, mas até lá terei que trabalhar muito, praticar muito. Mas é sempre fantástico chegar-se ao fim e ver que se é capaz de criar algo com as próprias mãos. É uma sensação sem igual.

A perspectiva das coisas - a Natureza-Morta na Europa (1840-1955) (exposição no Museu Calouste Gulbenkian)

Após uns 4 meses a tencionar ir ver esta exposição, devo dizer que tal só aconteceu no último fim-de-semana em que esteve patente. Muito portuguesa, esta minha atitude.
Por um lado, foi bom, porque a entrada foi gratuita. Mas acho que a quantidade de gente que andava por lá (e toda a entropia daí derivada) talvez não tenha compensado o não pagar entrada. Um exposição de pintura é algo que exige uma certa concentração, um estado de espírito compatível à reflexão. E com tanta gente a andar de um lado para o outro, mas também "plantada" em frente aos quadros, tornou-se um bocado difícil, para não dizer impossível, entrar nesse estado de espírito.
Ainda assim, a exposição valeu muito a pena. Grandes nomes da pintura, quadros bonitos, uma colecção interessante. Gauguin, Cézanne, Monet, Van Gogh, foram alguns dos destaques com as suas naturezas-mortas que, não sendo um estilo que considere espectacularmente interessante, têm a sua piada pela experimentação que permitem, nomeadamente em termos de cores.
Foi também a primeira vez que a minha sobrinha, do alto dos seus dois anos, visitou uma exposição de pintura, e não correu nada mal, vistas bem as coisas.
Só preferia ter ido ver esta exposição com um pouco menos de rebuliço. Acho que poderia ter aproveitado melhor.


The delicate prey - Paul Bowles

O primeiro livro de 2012. Mas tenho que dizer que a sua leitura começou ainda no ano anterior, de forma que não sei se é completamente correcto chamar-lhe "o primeiro livro de 2012". Mas, também, parece-me essa uma questão muito pouco relevante!

Por esta altura, já toda a gente que lê este blog sabe que gosto muito de Paul Bowles e dos seus livros. É um autor que me inspira. Este livro que li agora, "The delicate prey", estava na prateleira há uns bons 3 anos... Infelizmente, começam a rarear nas minhas prateleiras livros que ainda não tenha lido! (há que renovar o stock) Este veio directamente de Paris, até porque não é assim tão fácil encontrar livros deste senhor cá em Portugal, e nem todos estão sequer traduzidos para Português.

"The delicate prey" é um livro de contos, ou pequenas histórias, se quisermos fazer uma tradução literal. Os primeiros dois terços de histórias têm cenários americanos (seja América do Norte ou do Sul), mas a última parte move-se em terrenos africanos (ou, pelo menos, fica essa ideia). Se as histórias são relativamente "avulsas", não tendo propriamente um fio condutor, há no entanto algo que salta à vista, e que se prende com a sua crueldade. Isso mesmo, crueldade. Há sempre um pormenor desagradável, algo que não bate certo, um final que não é feliz. Mas não é um livro triste ou depressivo, nem sequer mete medo. Dá-me a sensação que, se calhar, é um livro que retrata histórias que poderiam acontecer a qualquer um de nós, em qualquer altura. Histórias de pessoas que habitam este nosso mundo real (qual?...). Esse pensamento, sim, pode ser um tanto ou quanto assustador.

Gostei mesmo muito desta leitura. Bowles tem um estilo de escrita que me seduz, muito visual e descritivo - a minha imaginação voa, literalmente! Não sei se existe tradução deste livro para Português, mas aconselho vivamente a sua leitura. Vale mesmo a pena.

2012

Faz hoje uma semana que começou este novo ano. Impõe-se uma reflexão, por pequena que seja.

Dizem por aí que este será ano em que iremos, como país e sociedade, bater no fundo. Dizem, também, que este será o ano de todos os sacrifícios. Podemos acreditar que vai ser um ano difícil, sem sombra de dúvida.
Pessoalmente, será um ano cheio de decisões. Um ano muito importante, provavelmente o mais importante de sempre (até agora) em termos profissionais. Definitivamente, um ano de mudança(s).

Desejo a todos (e a mim também, já agora!) um ano de 2012 que corresponda a todas expectativas. Boas, está claro. E que a dita crise nos impulsione para todas as mudanças positivas que merecemos.

Feliz Ano Novo.

Trabalhos manuais e prendas de Natal

Este ano, houve algo que me deixou muito contente no Natal. E particularmente orgulhosa.

Consegui realizar, com muito trabalho árduo, grande parte dos presentes que ofereci a familiares e amigos.


Houve marmelada e geleia, em coloridos embrulhos vermelhos e brancos.


Houve peças bordadas a ponto-de-cruz para os bebés que estão quase aí a chegar.


E houve biscoitos de limão e de gengibre, numa aventura que durou várias horas e muitas fornadas!


No final, ficou uma grande felicidade da minha parte, em ser capaz de "criar" tudo isso, e em poder ver um sorriso do outro lado.
Isto, sim, é Natal.

A pele onde eu vivo

A minha última incursão a uma sala de cinema marcou o regresso ao Atlântida Cine (essa mítica sala de Carcavelos), para ver o último filme de Pedro Almodóvar, na companhia (habitual) da prima Carol.
O mais recente filme do realizador espanhol conta a história de Robert Ledgard, cirurgião plástico de renome e líder em novas terapias celulares adoptivas. (Aliás, aí está todo um capítulo sobre o qual poderia falar e que se refere à correcção com que são abordados os assuntos referentes à parte científica... valha-nos Santa Engrácia...)
Robert perdeu a mulher e, algum tempo depois, a própria filha, ambas em circunstâncias traumatizantes. O facto de a mulher ter sofrido queimaduras gravíssimas num acidente de automóvel deu-lhe a motivação para desenvolver uma terapia de forma a tornar a pele resistente a todo o tipo de agressões. Mas esta procura irá levá-lo a ultrapassar todos e quaisquer constrangimentos éticos...

Os filmes de Almodóvar conseguem abranger estilos algo diferentes, embora sempre com uma procura de "chocar" o espectador, de o emocionar. E sim, é verdade, é difícil ficar indiferente a um filme dele. Este "A pele onde eu vivo" fez-me lembrar "Má Educação", talvez porque me tenha, também, revoltado as entranhas. Tive uma daquelas reacções viscerais, de repulsa. A história é revoltante (parece-me incrível que algum dia alguém tenha, sequer, pensado em semelhante coisa), mas muito bem contada, com a cadência adequada. Não deixei de sair do cinema impressionada (e muito!). Aliás, durante alguns dias, não me saiu da cabeça aquela história, aquelas personagens...

Gostei muito do filme e aconselho-o a todos aqueles que se considerem suficientemente fortes. Aos outros, talvez seja melhor não o fazer. ;)

O homem que gostava de cães - Leonardo Padura

Ora aqui está um livro que comprei porque: (1) gostei do título; (2) quando vi que era sobre a vida de Trotski no exílio e sobre o seu assassinato, gostei ainda mais. E, assim, lá o comprei. Mas ficou uns bons 6 meses na estante, à espera de tempo e vontade para o ler. Que, finalmente, chegaram.

Leonardo Padura, escritor cubano, faz uma abordagem original do tema, que é contado a três vozes: o narrador propriamente dito, Iván; Liev Trotsky, ele mesmo; e Ramon Mercader, o homem que será o seu carrasco. A história começa quando, com a mulher às portas da morte, em 2004, o cubano Iván resolve contar-lhe uma história que carrega consigo há mais de 30 anos, e que começou no dia em que, numa praia de Cuba, conheceu um homem enigmático, acompanhado de dois galgos russos, que lhe revelou pormenores sobre a morte de Trotsky... Depois, recua até ao final dos anos 1920, altura em que Trotsky é enviado por Estaline para o exílio, e a partir daí continua a história, sempre intercalada entre as três personagens, até à altura da sua morte, no México, em Agosto de 1940.

Este é um livro, acima de tudo, sobre a desilusão, e uma enorme crítica ao comunismo. Ou como se processa a queda de uma utopia. Para mim, é um notável exercício sobre a nossa história recente, particularmente sobre a cultura russa, que é algo que, desde sempre, me fascinou. É um daqueles livros que serve dois propósitos: entreter e ensinar. E, por isso mesmo, aconselho vivamente a sua leitura. Até porque o saber não ocupa lugar.

Comédia de Insectos

Depois de muito procurar, não consegui arranjar uma imagem adequada para aqui colocar! Vai sem imagem, então.

Na passada quarta-feira, 30 de Novembro, o TUT (Teatro da Universidade Técnica) apresentou no Teatro da Trindade, por ocasião do 90º aniversário de Jorge Listopad (fundador do TUT), a peça Comédia de Insectos. Como é que eu soube do evento? Porque a Ana Rita Pires, minha colega de trabalho, integra o TUT e participa na peça. :)
Comédia de Insectos é uma peça da autoria dos irmãos Josef e Karel Capek, e teve, neste caso, encenação de Júlio Martín da Fonseca. É, a modos que, uma sátira à sociedade contemporânea, retratada através de diferentes comunidades de insectos - desde a avareza dos escaravelhos à inconsequência das belas borboletas. É uma interessante reflexão sobre a condição humana.

Gostei da peça, mas gostei principalmente de ver a Ana Rita tão bonita e confiante em palco. É assim mesmo, mulher! Continua assim.