Diz que o 1º de Maio é o Dia do Trabalhador, um pouco por todo o mundo. Mas diz também que o 1º de Maio é um dia especial em Berlim, especialmente na área de Kreuzberg, com um historial de manifestações e confrontos com a polícia. Porquê, não sabia até hoje ter ido ler um pouco sobre o assunto - sendo que o 1º de Maio é, tradicionalmente, um dia de festa e celebração, no ano de 1987 manifestantes de grupos anti-fascistas e de extrema-esquerda envolveram-se em graves confrontos com a polícia, que teve que se retirar por completo da área de Kreuzberg. Desde então (e já passaram 26 anos), o dia é normalmente marcado por alguns desacatos... mas nos últimos anos a situação tem acalmado e, na passada quarta-feira, em que também eu rumei a esse pedaço de Berlim, o ambiente era unicamente de festa. Milhares de pessoas nas ruas, música, comida, bebida. Muita animação. Nada que fizesse propriamente lembrar que estamos num país tão amplamente associado à austeridade... emocional. Porque Berlim é, definitivamente, uma cidade diferente.
Em magia, o terceiro passo refere-se à parte do truque em que a ilusão é produzida. A vida chegou ao terceiro passo. A ilusão, aparentemente, completou-se. O Terceiro Passo está agora fora de portas. À procura de novas ilusões para completar... Mais uma moedinha, mais uma voltinha.
E os hipopótamos cozeram nos seus tanques - William S. Burroughs & Jack Kerouac
Último livro que comprei antes de vir para Berlim. E sim, é verdade, regressámos aos Beat. Se calhar, até tenho algum tipo de fascínio por estes escritores...
Este livro tem um contexto importante e interessante, que eu desconhecia até o ler. Antes do desabrochar, propriamente, da Geração Beat, da qual Kerouac, Burroughs e Allen Ginsberg representam os nomes maiores, houve um acontecimento trágico que marcou, provavelmente, o desenrolar da história (minúscula ou maiúscula?...) - a morte de David Kammerer às mãos do jovem Lucien Carr, eles que protagonizavam uma relação excessiva, bem ao jeito dos Beat. E é precisamente a este acontecimento que Kerouac e Burroughs vão buscar a sua inspiração para escrever "E os hipopótamos cozeram nos seus tanques" a duas mãos, livro este que ficou perdido para publicação durante mais de 60 anos e que chegou, neste ano de 2013, a Portugal.
A escrita a duas mãos é bastante interessante porque nos vai dando duas visões distintas dos mesmos acontecimentos. Claro que o livro é, de determinada forma, autobiográfico, porque cada um dos autores conta a história consoante a viu e viveu. Mas claro que também há muito de ficcional nesta escrita. O leitor fica, assim, como que no meio da ponte, entre realidade e ficção.
Foi uma leitura da qual gostei. Faz um retrato da vida em Nova Iorque nos anos 1940, Segunda Guerra Mundial, excessos atrás de excessos... E de como este ambiente influenciou uma geração de escritores e artistas.
Pictoplasma - Best of 2013
Escrevo com algum atraso. A semana, ocupada, não me deu paz de espírito suficiente para me dedicar à escrita. Mas este domingo simpático é a altura ideal para o fazer.
No passado fim-de-semana, fiz o meu primeiro programa de cinema em Berlim. Não para ver um qualquer filme, mas sim para assistir às melhores curtas de animação do festival Pictoplasma (Festival and Conference of Contemporary Character Design and Art). O que foi, definitivamente, uma óptima ideia, visto que gosto de curtas e gosto de filmes de animação. Sinto que, de alguma forma, é mais fácil veicular informação nestes formatos.
A sessão que assisti, como disse, pretendia compilar o que de melhor passou pelo festival. E passaram coisas muito interessantes. Algumas nitidamente com um cariz mais político, como a curta "This land is mine", de Nina Paley (a qual adorei), outras com um propósito específico, como "Dumb ways to die", de Ollie McGill, encomendada pelo Metro Trains como alerta de consciência para os perigos dos comboios. Estas duas foram, provavelmente, as que melhor me ficaram na memória. Mas todo o conjunto era muito interessante, pelo que valeu muito a pena. Muitas gargalhadas, canções que ficam no ouvido (e não querem de lá sair!)... um serão bem passado.
This is the country - William Wall
Pois é, a leitura não anda profícua. Há que continuar a ter esperança e achar que, eventualmente, esta maré há-de mudar...
Ainda assim, após uns bons três meses, cheguei ao fim deste This is the country, de William Wall. Não conhecia o autor nem o livro, mas foi-me recomendado/emprestado pelo Russell, que é uma pessoa cujo gosto literário eu confio. Estava igualmente garantido que estaria na presença de uma leitura algo deprimente... o que não facilitou ao seu andamento.
Vamos, então, à história. Há um protagonista, cujo nome não creio que seja alguma vez mencionado. A acção passa-se na Irlanda, mas não em Dublin, o que me deixa na dúvida se estaremos a falar de Belfast e Irlanda do Norte... mas, realmente, não sei, porque tal nunca é abertamente mencionado. Voltemos ao protagonista - cresceu num qualquer bairro complicado, rodeado por marginais e um estilo de vida problemático. Adolescência mergulhada em todo o tipo de drogas, a sua vida muda quando engravida a irmã de Pat the Baker, o traficante maioral lá do pedaço. A partir deste momento, o rapaz tem a cabeça a prémio e a sua vida irá mudar por completo.
É uma história deprimente, claro que é. Mostra como é difícil dar a volta a uma vida que começa mal, como o percurso de cada um parece estar de alguma forma intimamente ligado a tudo um conjunto de factores fora do controlo, como a vida pode ser inexoravelmente madrasta apesar de todo e qualquer esforço... Será que há volta a dar-lhe? Não sei. Mas, ao mesmo tempo, este livro tem uma mensagem de esperança, por assim dizer. Porque a vida continua sempre, e temos que a viver. Independentemente de ser melhor ou pior, de ser a vida que ansiamos ou não. Há que fazer o melhor com as cartas que se tem na mão.
Acho que é essa a mensagem. Por isso, gostei.
Palma Violets ao vivo @ Lido
Primeira incursão na cena musical (que não clássica) berlinense. Os escolhidos? Palma Violets, banda originária de Londres, com um pézinho ali no punk-rock. Não conhecia, mas ao ouvir as gravações de estúdio, fiquei impressionada - um vocalista principal com uma voz bem grave, profunda, daquelas que vai até à alma... Bem impressionada, portanto.
Ao vivo, lá se foi a boa impressão. Concerto completamente caótico, com o baixista completamente alucinado (como já não via ninguém há muito tempo...) e a acabar com uma invasão de palco por parte de um grupo de miúdos cuja hora de deitar parecia já ter passado há algum tempo... Enfim. Não digo que os miúdos (perceba-se, da banda) não tenham jeito para a coisa. As (boas) influências estão lá - The Clash, talvez um pouquinho de Joy Division... Mas falta-lhes um bocadinho de juízo. Não digo muito, mas há que crescer e amadurecer um pouco aquela histeria. Se não, não há quem os ature, por muito boa que seja a música.
Berlinische Galerie - Museu de Arte Moderna
Segunda-feira a seguir à Páscoa é feriado na Alemanha. E ele há lá maneira melhor que aproveitar um feriado do que indo a um museu?... Talvez haja, mas para programas solitários, é do melhor que se pode arranjar!
Entre várias hipóteses, optei por fazer uma visita à Berlinische Galerie, que é o Museu de Arte Moderna, Fotografia e Arquitectura cá do sítio - bem ao jeito das minhas preferências, mas também aproveitei o facto de, nas primeiras segundas-feiras do mês, a entrada ser a metade do preço.
Neste momento, para além da exposição permanente, estão patentes três outras exposições (ou, pelo menos, foi aquilo que eu vi). Uma de K.H. Hödicke, pintor alemão; outra sobre os projectos arquitectónicos para edifícios públicos e embaixadas no período posterior a 1990 (no seguimento da queda do muro); e uma terceira de Sergej Jensen, vencedor do Prémio Fred Thieler 2013. Sobre este último não vou falar muito, porque não me despertou particular interesse. Agora das restantes exposições gostei muito. Hödicke tem trabalhos muito interessantes (fotografias do canto superior esquerdo e do canto inferior direito), muito fortes visualmente. A exposição de arquitectura é muito interessante do ponto de vista histórico, porque retrata algo de muito único nos tempos que correm, que é o renascer de uma cidade. É uma perspectiva muito interessante. E a exposição permanente, que faz um compêndio da arte berlinense de 1880 a 1980, engloba todo um conjunto de arte fascinante, passando por várias períodos históricos (Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Pós-Guerra/Muro), mas também por diversas correntes artísticas.
Gostei muito. Foram 2h30 muito bem passadas, cheias de descobertas.
Neste momento, para além da exposição permanente, estão patentes três outras exposições (ou, pelo menos, foi aquilo que eu vi). Uma de K.H. Hödicke, pintor alemão; outra sobre os projectos arquitectónicos para edifícios públicos e embaixadas no período posterior a 1990 (no seguimento da queda do muro); e uma terceira de Sergej Jensen, vencedor do Prémio Fred Thieler 2013. Sobre este último não vou falar muito, porque não me despertou particular interesse. Agora das restantes exposições gostei muito. Hödicke tem trabalhos muito interessantes (fotografias do canto superior esquerdo e do canto inferior direito), muito fortes visualmente. A exposição de arquitectura é muito interessante do ponto de vista histórico, porque retrata algo de muito único nos tempos que correm, que é o renascer de uma cidade. É uma perspectiva muito interessante. E a exposição permanente, que faz um compêndio da arte berlinense de 1880 a 1980, engloba todo um conjunto de arte fascinante, passando por várias períodos históricos (Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Pós-Guerra/Muro), mas também por diversas correntes artísticas.
Gostei muito. Foram 2h30 muito bem passadas, cheias de descobertas.
Novas tradições de Páscoa...
Mais uma Páscoa passada fora de portas. Tem sido tão comum que já não me lembro de estar no Pinheiro rodeada pela família, à espera do cabrito... Mas, desta vez, foi uma Páscoa diferente - não ando a viajar por um qualquer canto do mundo, estou mesmo a viver fora do país. O que torna toda a dinâmica destes momentos diferente.
Assim, o convite feito pelo big boss para um aparentemente típico pequeno-almoço de Páscoa acabou por calhar mesmo bem, mesmo em jeito de substituto de algo mais familiar. 11h em ponto lá estávamos nós no bairro mais chique de Berlim, último piso de um sólido prédio antigo que revela uma casa cheia de charme (incluindo um piano de cauda na sala de estar - que sonho!). Mesa cuidadosamente posta, mas de forma acolhedora, cheia de iguarias. Das quais se destacavam, obviamente, os ovos cozidos, coloridos, quais donos da mesa. O objectivo, segundo percebi, é comer de tudo. E misturar tudo, no mesmo prato. Só não vale não comer. E foi exactamente isso que fizemos, como bons convidados.
Claro que houve momentos estranhos, de pouco à vontade, como em qualquer situação em que se tenta uma intimidade que não existe. Uma Páscoa diferente, sem dúvida. Mas foi bem giro.
Tannhäuser and the Singers' Contest at Wartburg @ Deutsche Oper Berlin
Com o fim-de-semana da Páscoa veio o primeiro programa "cultural" em Berlim - e que começo auspicioso esse, com uma ida à ópera na Deutsche Oper Berlin. Com a companhia de alguns colegas de laboratório, o final de tarde de sábado trouxe consigo esta obra de Richard Wagner, de seu nome (em Inglês) "Tannhäuser and the Singers' Contest at Wartburg". É uma ópera em 3 actos que conta a história (ou melhor, o drama) de Tannhäuser que, depois de uns tempos bem passados (por assim dizer) na montanha de Vénus, deseja voltar à sua vida terrestre e reencontrar a sua amada, Elisabeth. Com a intercepção da Virgem Maria, Tannhäuser consegue regressar, mas durante o concurso de cantores em Wartburg resolve cantar sobre as suas aventuras com Vénus. O público, enfurecido, decide que ele terá que viajar até Roma e pedir perdão ao Papa pelos seus pecados, o que não acontece, resultando assim na morte de ambos os protagonistas, Elisabeth e Tannhäuser, visto não poderem estar juntos como tanto anseiam.
Assim contado até parece simples, embora muito dramático, sem dúvida! Aparentemente, as óperas alemãs têm uma tendência para o dramatismo... Mas agora imaginem assistir a esta obra com os cantores a cantarem em alemão e com as legendas em alemão. Ora bem, não percebi nada. Tenho mesmo que confessar. Esforcei-me, mas foi complicado. No entanto, foi uma experiência muito interessante, porque as partes "universais", como a música e a encenação, eram de uma qualidade muito elevada. A encenação, em particular, surpreendeu-me pela sua complexidade.
Por isso, primeiro programa cultural aprovadíssimo. Deixa vontade de voltar, provavelmente para algo um bocadinho mais animado e menos trágico. Mas, sem dúvida, uma experiência para repetir.
Ah, e com a modesta duração de 4 horas...
Berlim: a primeira semana
De vez em quando é preciso fazer pontos de situação. E quando nos mudamos para um país novo, a necessidade talvez seja um bocadinho maior... Então, agora que já ultrapassei a minha primeira semana em Berlim, o que tenho a dizer sobre isso?
Bem, a primeira coisa que me vem à cabeça é talvez o frio - como está frio nesta terra! Já nevou várias vezes desde que cheguei e o manto branco por cá continua, sabe-se lá para durar até quando. É giro, claro que é, mas a partir do segundo dia acho que perde o encanto (como tudo que entra na rotina). Fica o frio que se entranha pelos ossos, e os fusos de gelo do lado de fora da janela. Portanto, para além da neve, de que posso eu falar?...
Ainda não deu para passear muito, pelos motivos indicados no parágrafo anterior. Para além de um passeio pelo Tiergarten, no centro da cidade, apenas dei um outro passeio no parque de Büch, a bela terriola onde está sediado o instituto... Neve, neve, neve, lagos gelados que ainda assim não "empurram" os patos para paragens mais quentes (como o nosso Portugal). Tempo houve também para socializar e começar a conhecer novas pessoas, explorar a gastronomia da cidade, preguiçar pelos inúmeros cafés... Tentar de alguma forma afastar a estranheza, inevitável por estes dias.
Mas é mesmo assim. Tudo faz parte do processo. Primeira semana - check. Com um sorriso.
Ich bin ein Berliner*
Pois é, o mote tinha sido dado há já alguns meses. E agora aconteceu mesmo. O Terceiro Passo mudou de ares. Anda a passear. Para ver mundo e, quem sabe, mudar de vida. Permitir que a ilusão finalmente se complete. Sempre nessa ânsia... Porque "tudo vale a pena, se a alma não é pequena." Como dizia o genial Pessoa, cheio de sabedoria. Que a alma seja sempre suficientemente ampla para abrir os olhos e abraçar a vida. Que hoje seja Berlim a acolher-me, mas que possa sempre sentir o carinho do mundo... onde quer que vá. E fazer parte dele.
O regresso (e o adeus) ao Clubbing da Casa da Música
Passados quase dois anos (e após uma ligeira mudança de formato), regressei às sessões de Clubbing da Casa da Música. O principal motivo?... O regresso a Portugal de uma banda mítica, de seu nome Yo La Tengo (que, face ao preço do bilhete, foi realmente uma oportunidade imperdível). O ter podido assistir a este concerto com a companhia de dois grandes amigos foi um enorme bónus e fez desta ida à Casa da Música uma bela despedida (um até breve, prefiro assim).
Os Yo La Tengo fazem, desde há muito tempo, parte do meu imaginário musical. No entanto, não possuo nenhum dos seus álbuns e, tenho que confessar, também não conheço particularmente bem a música do trio americano. Mas aquilo que conheço, gosto, e isso é suficiente para me levar a um concerto.
Acho que posso afirmar que este foi um concerto único. E passo a explicar porquê. Primeiro, houve durante praticamente todo o concerto uma sensação de desconforto da banda, como se o palco fosse demasiado grande para eles, bem como a plateia cheia. Que culminou no momento em que Georgia Hubley é "obrigada" pelos restantes membros da banda a ser a voz de uma canção em que quase se ouvia apenas... a sua voz. Estranho, portanto. Depois, houve claramente uma alternância entre temas mais "barulhentos", com Ira Kaplan a divertir-se ao comando das suas diversas guitarras, e momentos bem mais calmos e intimistas. Ao mesmo tempo estranho e interessante, com os momentos mais barulhentos a serem quase hipnóticos, por incrível que pareça... Foi um estranho bom, um concerto sem pré-formatação, diferente daquilo que estou habituada.
O encore, com uma versão a cappella de "You Can Have It All", foi realmente a cereja no topo do bolo. Porque, de vez em quando, é bom ouvirmos as nossas músicas favoritas quando vamos a concertos.
Uma tarde bem passada
Hoje passei uma tarde diferente. Há já algum tempo que tinha curiosidade em aprender a técnica de pintura em tecido com stencils - pelo menos desde que a minha mãe começou a fazer obras tão bonitas com essa técnica. Hoje foi o dia em que me juntei a ela e a outras senhoras da Universidade Sénior de Cinfães para me iniciar nessas lides. O resultado foi este pano da louça, decorado com motivos algo pascais... Fiquei contente com o resultado e, principalmente, por ter aprendido algo novo. Fossem todos os dias assim.
Hitchcock
Se por um lado, se quebrou o enguiço da leitura, por outro lado temos enguiço para ver o tão aclamado "Amor", filme de Michael Haneke. Depois de muitas combinações e descombinações, lá rumámos ao El Corte Inglés para ver o filme quando, para nossa surpresa, não havia exibição à hora desejada naquele dia... No calor do momento e na posição de ter que escolher um filme substituto, a escolha recaiu neste Hitchcock, filme que retrata os métodos pouco convencionais do realizador por altura das filmagens de Psico.
Apesar das críticas que tinha lido até então não serem propriamente positivas, resolvi arriscar. Até porque a curiosidade em ver o filme existia de facto. Mas, para mal dos meus pecados, as críticas tinham razão. O filme é pobrezinho - Anthony Hopkins está estranhíssimo no papel de Hitchcock (parece que só se vê o silicone e a maquilhagem do "disfarce"), a história está demasiada simplificada (acharam que o espectador não teria capacidade para mais...) e tudo se desenrola à superfície, sem nunca ousar ir mais além. Hitchcock é retratado como um excêntrico, viciado em comida e bebida, voyeur e control freak - se corresponde ou não à realidade, não sei. O melhor do filme é, provavelmente, a interpretação de Helen Mirren, no papel de Alma Reville, esposa de Hitchcock. Aí sim, vê-se um pouco de profundidade, de sentimento... Tirando isso, é "produto acabado, da sociedade de consumo imediato. Mastiga. Deita fora. Sem demora."
The Bat - Jo Nesbo
O enguiço parece ter sido quebrado. Ou, pelo menos, temporariamente. Porque logo a seguir a acabar de ler Queer, foi me oferecido este The Bat, primeiríssimo volume da saga de Jo Nesbo que tem como protagonista Harry Hole, o que reavivou em mim o desejo de ler. Vai-se a ver e o que faltava era um bom thriller para me arrancar do marasmo!
Ora então, depois de ter lido quatro livros (acho eu, mais coisa menos coisa...) desta "colecção" e de muito ter lido sobre como Harry Hole ajudou a capturar um assassino em série na Austrália, chegamos finalmente ao ponto de conhecer esse episódio e ler o início dos inícios. Sim, porque a tradução para inglês data de 2012, se não me engano, apesar do livro ser originalmente de 1997... Mas vamos ao que interessa - como é chegar, apenas agora, ao início da saga? Se calhar não faz muita diferença, visto que li todos os outros livros fora de ordem... Mas, por outro lado, talvez haja aqui algo mais. Depois de ter lido aqueles que são os capítulos mais recentes, é bom perceber de onde tudo vem - quais as informações primordiais que temos sobre Harry, onde é que tudo correu mal, "porque é que ele é como é", se assim quisermos pôr a questão. É uma boa premissa. Já o enredo propriamente dito, acho que é bastante mais inocente do que aquilo que posteriormente temos oportunidade de ler, no seguimento da sua obra. Há menos pormenores, há menos suspense. Acho que se nota que é a primeira obra, com todas as suas limitações, mas também com uma energia genuína.
Claro que gostei, e gostei particularmente de voltar a sentir apetite para "devorar" um livro. Jo Nesbo é um artista destas lides dos thrillers.
Claro que gostei, e gostei particularmente de voltar a sentir apetite para "devorar" um livro. Jo Nesbo é um artista destas lides dos thrillers.
Django Libertado
Já li de tudo um pouco sobre o mais recente filme de Quentin Tarantino. Desde descrições que o põem num pedestal, qual oitava maravilha do mundo cinematográfico, a críticas acérrimas relativamente ao conteúdo racista e pouco dignificante da história da escravatura nos Estados Unidos. Tenho que confessar que me custa perceber tanto umas como outras opiniões...
Para mim, que não sou propriamente a maior seguidora de Tarantino, embora aprecie bastante o género, os filmes dele são uma desconstrução da violência - está sempre presente, mas é uma violência um pouco à desenho-animado, não é para levar muito a sério.
Django, exercício com quase 3h de duração, conta a história de... Django, está claro, interpretado por Jamie Foxx (actor que não gosto), escravo libertado pelo Dr. King Schultz (interpretação fantástica de Christoph Waltz), um alemão nos EUA, para juntos partirem pelo Sul caçando prémios e procurarem a mulher de Django, Broomhilda, ainda escrava. Pelo caminho, temos muito pedaço de corpo arrancado a tiro, muita polpa de tomate espalhada pelo cenário - o que apenas me consegue arrancar umas verdadeiras gargalhadas. Pelo caminho iremos encontrar, igualmente, o esclavagista Calvin Candie, numa interpretação de Leonardo DiCaprio que não me encheu propriamente as medidas (não é que esteja mal, mas não acho que seja a melhor interpretação que ele já fez, como também já li por aí). Claro que não poderia faltar a cena de carnificina, tão amada por Tarantino, e que, neste caso, chega já quase no final do filme. Mas mesmo a tempo de nos extasiar com tanta tinta vermelha no ecrã!!! Ah, e o papel de Samuel L. Jackson é, no mínimo, inesperado.
Mas, então, qual é o veredicto?... Adorei. Apesar das 3h (e de ter momentos um pouco mais murchos), é um filme que nos prende do início ao fim, seja pela banda sonora fabulosa, seja pelo humor acutilante, a adrenalina é garantida. Desenganemos, Tarantino não é (na minha opinião, claro está) um intelectual e não faz exercícios de intelectualidade cinematográfica. Faz sim filmes controversos, amados por uns, odiados por outros, mas aos quais ninguém fica indiferente. Eu acho-lhe piada, é um provocador. Com muito bom gosto musical.
Seis Sessões
Uma ida familiar ao cinema trouxe consigo a visualização deste "Seis Sessões", filme baseado na história de vida de Mark O'Brien, a quem a poliomielite em criança ditou uma profunda atrofia muscular para o resto da sua vida. Assim, Mark é obrigado a viver parte dos seus dias dentro de um "pulmão de ferro", equipamento que permite aos seus pulmões imobilizados respirarem. Contra todas as expectativas (baseadas naquilo que acabei de escrever), Mark é um homem dinâmico e com um óptimo sentido de humor. Jornalista e poeta, é um homem que enfrenta as suas limitações. E é precisamente o enfrentar de uma destas limitações, a de um relacionamento sexual, que é abordado neste filme.
Para qualquer pessoa que tenha visto o trailer, é fácil perceber do se está aqui a falar. Mark, sob aconselhamento do seu padre, resolve recorrer aos préstimos de uma terapeuta sexual de forma a poder lidar mais eficazmente com a sua sexualidade (Mark pode ter os músculos atrofiados, mas todas as suas capacidades sensoriais estão operacionais) e assim perder a virgindade, aos 38 anos.
Uma história como esta está "condenada" a arrancar muitas gargalhadas aos espectadores, tanto pelo inusitado das situações, como pelo próprio bom humor com que Mark vai lidando com elas. Mas esta é, acima de tudo, uma história comovente. Alguém que vive prisioneiro do seu próprio corpo ser capaz de viver uma vida, apesar de tudo, normal, cheia de afectos... é inspirador, no mínimo. Faz-nos pensar em tudo aquilo que vemos como problemas no nosso dia-a-dia e que se tornam limitações sérias à forma como vivemos as nossas vidas. A grande maioria de nós talvez não viva prisioneira do seu corpo, mas muitos vivem, sem sombra de dúvida, presos à sua mente.
Pelo menos,é essa a mensagem com que fico.
Gostei também das interpretações. Deve ser especialmente difícil fazer um filme em que se está o tempo todo deitado, a falar de lado, e por isso acho que John Hawkes está particularmente bem - credível, frágil mas forte. Helen Hunt, no papel de terapeuta sexual, está um pouco estranha, fisicamente falando - inteiraça, é verdade, mas a contrastar com todas as rugas do rosto... O padre de William H. Macy é muito divertido, num papel algo diferente do que estou habituada a vê-lo fazer. E todos os outros secundários também estão bastante bem.
Conclusão final: gostei do filme, é muito interessante, dentro do estilo. Despretensioso, acima de tudo.
Queer - William S. Burroughs
Passados quase três meses de um fenómeno algo estranho em mim, consegui finalmente dedicar-me à leitura de um livro. O escolhido foi este Queer, de William S. Burroughs, escritor pertencente à dita Geração Beat. E foi precisamente o facto de estar ligado a essa geração de escritores da década de 1950 que me fez comprar este livro e embarcar na sua leitura.
Como o próprio título indica, Queer é um livro sobre homossexualidade (masculina) e a segunda obra literária de Burroughs. Em larga escala baseado na experiência pessoal do autor, este livro segue a vivência de William Lee (alter ego de Burroughs, também personagem principal do anterior Junky) durante os anos 1950, na Cidade do México, e a sua história de amor com um jovem algo apático de nome Eugene Allerton.
Não é, seguramente, a leitura mais óbvia, mesmo para alguém que muito aprecie a Geração Beat (e não tenho a certeza de ser um desses casos...). No entanto, a introdução por Oliver Harris no início do livro faz uma contextualização tão interessante da obra, incluindo os meandros que rodearam a sua publicação (refira-se que este livro foi escrito em 1952, mas publicado pela primeira vez somente em 1985), que a sua leitura se torna incomparavelmente mais rica. Assim, posso dizer que gostei de ler esta pequena obra de 135 páginas. Foi uma leitura ávida e fácil, ainda que a escrita de Burroughs não me agrade particularmente - um pouco coloquial em demasia, na minha opinião. Não obstante, fico com curiosidade de ler Naked Lunch, essa sim a obra mais emblemática de Burroughs. Não sei se terei estômago para tanto, mas logo veremos.
A vida de Pi
Durante a minha estadia em Lisboa, fui também ver a adaptação cinematográfica de uma obra que muito de impressionou. Estou a falar de A vida de Pi, livro de Yann Martel. Quando soube que a obra estava a ser adaptada ao cinema, fiquei algo surpreendida, porque não é uma história nada óbvia para passar para a grande tela... No entanto, Ang Lee conseguiu, na minha opinião, fazer um óptimo trabalho, quer na transposição da história, quer na gestão de tempo e ritmo dessa mesma história. Como podem ler no que escrevi sobre o livro, grande parte da acção é passada em alto mar, com apenas duas personagens. Logo por aí podem perceber que é provavelmente difícil manter o espectador interessado e contar a história de forma a que as pessoas se mantenham acordadas! Mas o que às vezes é provável, nem sempre se verifica. Claro que Ang Lee optou por fazer um filme muito mais condensado (em relação ao livro) e de certa forma bem menos violento. Porque talvez o objectivo principal fosse dar ênfase àquela que é a grande questão do filme/história: a fé como motor de vida. Nesse aspecto, a adaptação ao grande ecrã de A vida de Pi está virtualmente fiel ao seu original literário. E talvez por isso tenha gostado muito do filme. Está lá tudo, para quem quiser ver. Ou, alternativamente, pode ser "apenas" a história de como um miúdo sobreviveu a um naufrágio em alto mar na companhia de um tigre de Bengala.
Guia para um Final Feliz
O regresso a Lisboa trouxe igualmente o regresso às "saudosas" sessões de cinema. Para uma bela tarde de fim-de-semana, o filme escolhido foi um dos candidatos aos Óscares, este "Guia para um final feliz". Claro que houve desconfiança, tanto em relação ao título (e ao que ele implica) como ao facto de Bradley Cooper, conhecido de filmes como "A Ressaca", ser o actor principal (e estar nomeado para o Óscar de Melhor Actor...). Desconfianças à parte, estamos a falar de uma sessão de cinema de tarde de fim-de-semana.... Mesmo que daqui saísse uma comédia romântica, tudo ficaria bem na mesma.
Digamos que não é exactamente o caso, ou pelo menos não o é a primeira (ou mais) metade do filme. Pat é bipolar e saiu recentemente de uma instituição mental, regressando a casa dos pais, onde tenta reconstruir a vida que tinha antes de ser internado (reconquistar a mulher, o emprego, reencontrar os amigos). É neste período de reajustamento que conhece Tifanny, uma jovem mulher que perdeu recentemente o marido e que luta por fazer adequadamente o seu luto. A relação entre os dois será tudo menos trivial, proporcionando momentos de humor deliciosos. Mas será precisamente esta relação entre eles que permitirá a cada um encontrar o seu lugar na sociedade, o seu "quê" de normalidade dentro da anormalidade que todos partilhamos... Portanto, a primeira parte, em que lidamos com o comportamento desfasado de ambos, é muito boa e interessante. Depois, a partir de determinada altura, sabemos que o filme tem que se encaminhar para o dito final feliz, por isso é só uma questão de como lá vai chegar... Nesse prisma, o filme torna-se completamente previsível (se bem que continuo com a minha opinião que não há nada de mal em finais previsíveis).
Pessoalmente, gostei do filme. É um filme de esperança, por assim dizer. Li outro dia uma crítica a este filme que exemplifica um pouco a minha opinião. E que diz "Os truques, as rotinas, os “slogans” que Pat encontra para se motivar e para se manter focado, os objectivos que procura atingir, a maneira como quer controlar as suas características negativas deviam ser uma inspiração para todos numa fase em que sentimos que as coisas estão tão mal que ter uma chance de um final feliz, já é muita sorte." (Leonor Capela, P3, Público)
Uma carteira para a minha princesa
Finalmente! O meu primeiro trabalho em feltro (o primeiro de vários, esperemos) foi dedicado à minha sobrinha e consistiu numa carteira para usar a tiracolo, decorada com um gato, na parte da frente, e um peixinho, na parte de trás. Embora a execução não tenha sido demasiado complicada (para as minhas capacidades, perceba-se) e tenha demorado, na prática, três dias, arrastou-se por cerca de dois meses (consequência da minha preguiça).
Os acabamentos finais foi o que mais trabalho me deu, nomeadamente a parte do fecho, mas estou muito contente com o resultado final - para um primeiro trabalho, acho que ficou bastante bonito. E a princesa parece ter gostado, pelo que o objectivo principal está cumprido.
Sei Miguel ao vivo na ZDB
Depois de uma temporada a matar saudades da minha bela terra natal, o regresso ao bulício de Lisboa trouxe também o regresso a programas mais "culturais". Assim, na passada semana fui pela segunda vez até à Galeria Zé dos Bois (ZDB), para assistir ao concerto de Sei Miguel Unit Core. Concerto de jazz dessa personagem sobre a qual já havia ouvido falar, mas até então desconhecida para mim. Sei Miguel tocou em forma de quarteto, contando com a presença de Pedro Gomes na guitarra, Fala Mariam no trombone e César Burago nas percussões. Sei Miguel toca o seu habitual trompete (mais corneta que outra coisa qualquer, como ele próprio afirma). Sei Miguel é um verdadeiro entertainer, gosta de fazer introduções às suas composições (o que eu gosto bastante, devo admitir). Mas quando logo no início do concerto nos informa que as composições que irá abordar neste concerto poderão ser apelidadas por vozes mais críticas como música desfragmentada, devo confessar que fiquei um bocadinho de pé atrás (não que me veja como uma voz muito crítica da música...). Apesar de tudo, houve momentos mais ritmados e melódicos, dos quais gostei. Não obstante, foi um concerto altamente idiossincrático, mas que valeu bem a pena. Sair durante a semana, ir até ao Bairro Alto num dia sem enchentes, matar conversa... Acho que me podia facilmente habituar a este estilo de vida.
Golas multicolores
Depois de um início promissor, a conclusão deste gola multicolor demorou muito mais tempo do que eu estava inicialmente à espera. Talvez pelo tipo de ponto utilizado (ponto de arroz duplo), que dá um bocadinho mais de trabalho do que aquilo que estou habituada. Embora o meu "hábito" seja muito recente, como já se devem ter apercebido! Ainda assim, fiquei muito contente com o resultado final, apesar do meu ponto de tricot ainda não ser completamente certinho e ter algumas imperfeições. Hoje dei o toque final, cosendo a gola, e até já a andei a passear, muito orgulhosa!
Numa outra liga de tricot'zices está esta gola que a minha mãe me fez recentemente, em lã multicolor e com um torcido central. Ficou deslumbrante com toda a mescla de cores e super elegante, com os dois botões em pele (recicladíssimos!) para aconchegar perfeitamente o pescoço.
Um dia também quero fazer coisas assim bonitas e delicadas. Mas, para já, vou treinando as minhas capacidades fazendo umas golas mais simples... Lá chegarei, assim o espero.
O Terceiro Passo completa-se
A caminhada iniciou-se há pouco mais de cinco anos, quando me mudei, de armas e bagagens, para Lisboa. Mais tarde, embarquei na aventura que agora culminou num dia de muitos nervos, mas também muita felicidade. Acaba então aqui a minha passagem profissional por Lisboa, da qual saio com mais um canudo e com (muitos) cabelos brancos. Foram anos importantes, por vezes difíceis, mas que muito me ensinaram, sobre mim e sobre o mundo. Conheci muitas pessoas. Umas irão ficar para a vida, outras porventura se perderão na névoa da memória... Mas todas ficarão comigo, como parte integrante desta que foi uma etapa muito importante da minha vida.
O fim de etapas é uma coisa interessante. Há o sentimento do "dever" cumprido, do atingir de uma meta. Mas há, ao mesmo tempo, também um vazio, uma noção de que nós paramos, enquanto o resto do mundo continua a girar. Sentimentos transitórios, com certeza... Porque a seguir a uma etapa, temos outra, e com ela novos desafios a enfrentar.
Por isso, quero, acima de tudo e neste momento, agradecer a todos os que fizeram parte da minha vida durante estes cinco anos, que contribuíram para que tenham sido cinco anos muito ricos. Muito obrigada.
E "O Terceiro Passo"? Que lhe acontece?... Embora a designação perca a validade, uma vez que a ilusão se completou, este blog faz parte de mim e da minha vida. Decidi, por isso, mantê-lo tal como está, até segundas núpcias. A ver vamos o que trará o "quarto passo"...
O futuro segue dentro de momentos.
Vodafone Mexefest @ Lisboa
É verdade que já lá vai algum tempo desde que "a música mexeu" na cidade de Lisboa. No seguimento daquela que foi uma intensiva época de concertos, a ida à versão lisboeta do Vodafone Mexefest (depois de, em Março, ter ido à versão portuense) foi o fim desse ciclo, e um fim muito feliz. O formato deste festival de música agrada-me. Claro que quando se quer muito ver um determinado concerto, particularmente se for concorrido, pode ficar-se um pouco frustrado... Mas o melhor de um festival com este formato é precisamente percorrer as diversas salas (algumas das quais nem sequer costumam receber este género de eventos) e deixar-se surpreender pelo que aí estiver a acontecer no momento.
Foi com esta ideia em mente que rumei até à Avenida da Liberdade e zonas adjacentes. Claro que, em relação ao concerto dos britânicos Alt-J, o sentimento era diferente - não queria por nada perder a oportunidade de ver este quarteto ao vivo, que foi uma das melhores descobertas musicais deste ano de 2012. E não perdi. Antes houve tempo para assistir a cerca de metade do concerto de Samuel Úria, personagem que muito aprecio, e ouvir as músicas que em breve estarão por aí, no segundo álbum do cantor de Tondela. Depois, nem sequer houve um levantar da cadeira, não fosse alguém roubar o lugar!!! O concerto de Alt-J seguiu-se, com o público ao rubro. Passaram por todo o álbum de estreia, Awesome Wave, e ainda por algumas versões (por mim identificadas como "These Days", de Nico, e "Slow", de Kylie Minogue; mas posso sempre estar enganada!). Gostei muito do concerto, mas sinto que, de alguma forma, não estava no meu ambiente ou no melhor dos humores para poder usufruir plenamente do concerto. Após este concerto, ainda houve tempo para espreitar Gala Drop no Maxime, o que valeu bastante a pena, até porque é um espaço do qual gosto. Fim do dia 1, amanhã há mais.
Segundo dia de concertos, desta vez sem um objectivo principal, embora tivesse gostado de espreitar os Django Django, o que não aconteceu devido à lotação mais do que esgotada do espaço! Ainda assim, deu para conhecer a Casa do Alentejo, onde tocava The Nicotine's Orchestra (liderados por Nick Nicotine, personagem interessante do Barreiro), com um som do qual muito gostei. Depois, subir um pouco a rua, até ao Ateneu, para ver Petite Noir, esse sim o grande momento da noite (e, muito provavelmente, do festival). Este rapaz de 21 anos faz uma música de alguém que tem muito para dizer. E eu estou cá para ouvir... Denso, algo negro (ou não fosse fazer jus ao nome), vibrante. Tem futuro, com certeza. Erro nosso, resolvemos deixar este a meio e ir tentar a nosso sorte com Django Django, o que não aconteceu. Assim, vimos as últimos músicas de Noiserv no São Jorge e depois aproveitámos para ficar mesmo por lá. Primeiro, num concerto de uma banda holandesa meia folk meia qualquer coisa desinteressante, depois no concerto de Efterklang, que não sendo uma banda da qual goste particularmente, fez um espectáculo de se lhe tirar o chapéu!!! Verdadeiros entertainers, sabem como manter o público entusiasmado e a vibrar. Assim terminou o Mexefest da cidade de Lisboa, com um saldo muito positivo. Foi uma boa despedida. E obrigada aos primos queridos que ofereceram o bilhete e uma óptima companhia.
O frio da Primavera (ou como um festival de música invadiu o berço da nação)
Aberta que estava a temporada de concertos, foi tempo de rumar a Norte (sempre um bom sentido de orientação) e visitar a cidade que este ano recebe a Capital Europeia da Cultura (e à qual ainda não tinha prestado uma visita neste tão ilustre ano). Este evento Optimus Primavera deixou os grande círculos urbanos e veio até Guimarães, o que atraiu muitos melómanos num fim-de-semana de muito frio. Eu incluída. Ir de Lisboa a Guimarães é um caminho longo (não chega às 9h de viagem da outra música, mas não anda lá muito longe), pelo que os primeiros concertos de sexta-feira ficaram para segundas núpcias. O que não poderia mesmo perder era o regresso a Portugal de Sharon Van Etten, cantautora americana que me deslumbrou nos últimos meses. Regresso ao Centro Cultural Vila Flor (CCVF) (já lá vão uns anos desde que aí vi Susheela Raman), numa atmosfera intimista a (re)lembrar-me porque é que gosto tanto de ir a concertos... Tocou praticamente todas as músicas do seu mais recente álbum, Tramp, com excepção de Give Out, a minha favorita... Tristezas à parte, rumou-se até ao Centro de Artes e Espectáculos São Mamede (antigo cinema, segundo fiquei a saber) para continuar a onda dos concertos. Chegámos a meio do concerto de Destroyer (não conheço, ou se conheço não me lembro), que depois deu lugar a Ariel Pink, que deu um concerto algo alucinado mas muito bom. E assim acabou a rodada de sexta-feira. Sábado trouxe uma maior disponibilidade para assistir aos concertos, que chocou na capacidade limitada do pequeno auditório do CCVF... E o que culminou com na prática apenas ter assistido ao concerto dos Tinariwen. Mas que valeu por todo um dia de concertos!!! Assistir a um concerto deste grupo de tuaregues do Mali era um objectivo gorado há já uns bons anos, e finalmente consegui. Embora sem a presença do seu membro mais carismático, Ibrahim Ag Alhabib, o grupo deu um espectáculo caloroso, alegre e lânguido. Gostei muito, só não gostei mais porque mais uma vez saí do concerto sem ouvir uma das minhas músicas favoritas, Aldechen Manin... Não se pode ter tudo, não é?
O balanço foi muito positivo. Adorei ir a Guimarães, que é uma cidade que me encanta e onde já não ia há muito tempo. E onde fui muito bem recebida. Até gostei do frio! Que saudades me fazem as terras frias lá de cima...
O balanço foi muito positivo. Adorei ir a Guimarães, que é uma cidade que me encanta e onde já não ia há muito tempo. E onde fui muito bem recebida. Até gostei do frio! Que saudades me fazem as terras frias lá de cima...
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