A vida num turbilhão

O último mês foi confuso. Fui a Portugal passar duas semanas de férias, que consigo trouxeram uma epifania difícil de aceitar. Mudar de país, por muito glamouroso que pareça à distância, tem consequências nas nossas relações que é preciso enfrentar. Ao estar longe da vista, fica-se também, invariavelmente, um pouco longe do coração. Perde-se um certo fio condutor que só existe quando conseguimos, melhor ou pior, ir acompanhando de perto a vida uns dos outros. É-me difícil aceitar, embora saiba e perceba que é uma verdade incontornável. Claro que os amigos continuam amigos, pelo menos alguns. Mas as amizades tornam-se diferentes. Crescem ou implodem. Esta é, portanto, uma altura complicada para mim - muitas mudanças, pouco apoio, mas com a certeza/esperança que será passageiro.

Há precisamente uma semana atrás, recebi uma notícia difícil de digerir - a morte do meu Alberto, gato que acompanhou a minha vida nos últimos sete anos. Quem não "aprecia" animais, o melhor é parár de ler neste momento. Foi uma perda muito grande para mim, agravada pelo facto de estar longe e não ter acompanhado os seus últimos momentos. É-me penoso imaginar que, na próxima vez que for a Portugal, ele não estará lá para me receber... A vida é feita de perdas, é verdade, mas esta veio numa altura difícil.
Não penso muito naquilo que aqui escrevo neste momento. Apenas quero de alguma forma explicar porque não tenho andado com a melhor das cabeças para actualizar este espaço. 

No entanto, tenho também que dizer que o último mês trouxe um acontecimento muito feliz, com o nascimento do mais recente membro da família. Finalmente um rapaz, para fazer as delícias da mãe, da tia e da avó! Felicidade extrema por tudo ter corrido bem, apesar da pequena angústia em saber que, desta vez, não serei uma tia presente... Por vezes pergunto-me que raio de caminho é este que percorro, mesmo que ciente de que é preciso seguir o meu rumo. Todos precisamos ter as nossas vidas individualizadas, ainda que isso nos faça sentir sós. Mas, na verdade, não estamos. Pois não?...

14 comentários:

Anónimo disse...

Ainda bem que escreveste este texto. Penso que foi um "lavar a alma". :)
Lamechice à parte (não sou nada dada a isso e tu também), mesmo longe eu estou aqui e continuarei... Onde quer que a vida te leve.
Beijocas da M

irRita disse...

Obrigada. Há momentos em que é preciso exorcizar... Beijinhos

Miguel Teixeira disse...

Na verdade nunca estamos realmente sós. Quanto mais não seja levamos um bocadinho de todos dentro de nós.
Apesar de "distante" espero que saibas que continuo aqui para o que precisares.

irRita disse...

Obrigada, Bruno. ***

Anónimo disse...

"Claro que os amigos continuam amigos" Sempre...onde quer que estejas :) Bjo* AIP

Anónimo disse...

"Claro que os amigos continuam amigos" Sempre...onde quer que estejas :) Bjo* AIP

CR disse...

Não, não estamos...olha eu aqui tão pertinho agora!! :D
Beijinhos

CR disse...

Não, não estamos...olha eu aqui tão pertinho agora!! :D
Beijinhos

irRita disse...

CR?...

irRita disse...

Obrigada. ***

CR disse...

Carol!

irRita disse...

Agora já posso agradecer convenientemente (que já sei quem é): obrigada. ***

*S* disse...

Penso nisso muitas vezes... Que raio ando aqui a fazer?? MAs aqui continuo...! Só para que saibas que não estás sozinha nesse pensamento! :)

Beijinhos!

Rita C disse...

Precisamente porque penso em ti com frequência, independentemente da distância física que nos separa neste momento, vim visitar este teu blog.
Quando também eu pensava ir para longe da minha família e dos meus amigos, encontrei conforto nas seguintes palavras de Frederick Buechner: "Podes despedir-te da tua família e dos teus amigos e afastar-te milhares de quilómetros, mas, ao mesmo tempo, leva-los no teu coração, na tua mente, no teu estômago, pois não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti."
Tenho a certeza que os teus verdadeiros amigos assim continuam a ser.
Da minha parte, espero que saibas que estou aqui pronta para ti. Mas é preciso deixares...:)
Beijinhos,
Rita C