Dor de cabeça de Domingo

Domingo. Dia do qual nunca gostei particularmente.

Hoje, por privação de sono durante a semana, ou por ter dormido demais na última noite, acordei com dor de cabeça. Que se manteve durante o dia. E, por isso, resolvi fazer um belo de um bolo de chocolate, para ver se a cabeça ganhava juízo. Depois de procurar um pouco pela internet, resolvi-me por esta receita: Bolo de Chocolate com Frutos Vermelhos, de um blog apetitoso que costumo seguir. Fiz algumas alterações à receita, como usar framboesas frescas no recheio do bolo. Que ficou muito bom.

Fica também a indicação que o chocolate com 70% de cacau não é o ideal para a cobertura, porque fica um bocadinho amargo em demasia.

Para repetir, definitivamente.

(ou, como diz a Cristina, "Deus te dê muitas dores de cabeça.")

Fernando Pessoa: Plural como o Universo

As actividades do último fim-de-semana incluíram uma visita à mais recente exposição da Gulbenkian, sobre Fernando Pessoa. Tem tido muita publicidade, pelo menos na televisão, onde já vi várias reportagens sobre o assunto. E, através delas, já me tinha parecido que daqui talvez não fosse sair grande coisa.
Pois então: a exposição foi organizada por dois museus brasileiros, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, e veio para Portugal depois de temporadas em São Paulo (2010) e no Rio de Janeiro (2011). Acredito que, no Brasil, a exposição tenha tido um grande impacto, até porque não há nada de errado com ela - apenas o seu cariz vagamente didáctico faz com que o seu interesse, em Portugal, seja limitado. Se pensarmos que qualquer português que tenha feito o 12º ano de escolaridade estudou a fundo a obra (e vida) de Fernando Pessoa, esta exposição nada acrescenta àquilo que já sabíamos...
Fiquei um pouco desiludida, sem dúvida. Sempre tive um grande interesse em Pessoa, como autor e como homem, em toda a sua multiplicidade. Pouco aprendi de novo, mas ao menos passei uma tarde na companhia dele e dos seus poemas. Que tanto me dizem.

Os Descendentes

Preguiça, preguiça. Muita preguiça.
Tem sido este o sentimento dominante em relação a este blog. Depois de um momento de grande actividade, surgiu a preguiça... Vamos lá ver se ganho vontade.

A minha última ida ao cinema, na companhia das primas, foi no dia dos namorados. Uma bela data para observar as outras pessoas que também decidiram ir ao cinema. Aos pares ou nem por isso. Adiante.
Os Descendentes é o mais recente filme de Alexander Payne, o mesmo realizador de Sideways (filme que ainda não consegui descobrir se já vi ou não...). De qualquer forma, é um realizador bem cotado na onda do cinema independente americano. O filme segue Matt King - herdeiro de uma considerável fortuna oriunda dos primeiros ocupantes do Havai, mas que vive uma vida consideravelmente modesta ainda assim - na altura em que a mulher deste tem um acidente de barco e fica em coma. O acontecimento irá obrigar Matt a aproximar-se das duas filhas e a estar mais presente nas suas vidas. Mas irá igualmente fazer com que ele se confronte com o sentido da sua vida. Assim, Os Descendentes é um filme sobre o sentido da vida - amor, dinheiro, família. Para que servem todos eles, qual o seu papel e o seu lugar na vida de uma pessoa. No geral, o género de filme que eu costumo gostar. Muito. Deste filme, gostei. Mais ou menos. Mas não muito. Não espectacularmente. Não consegui criar empatia suficiente para que tal acontecesse. Mas não deixa de ser um bom filme.

Mais prendas para os bebés

Entre o final de Janeiro e o início de Fevereiro, nasceram as duas crianças de que 2012 estava à espera.

Tudo correu bem e aproveito para deixar aqui um grande beijinho aos papás e respectivos filhotes!






Com o nascimento, vieram as ofertas destas duas pequenas lembranças que preparei: uma babete para o A., uma fralda para a M., tudo com muito carinho.







Agora, é vê-los crescer e desejar-lhes toda a felicidade do mundo! E, já agora, que não dêem muito trabalho
aos pais. ;)


Telhados de Lisboa


Do meu terraço, vejo telhados de Lisboa.





















E, ao fundo, corre o Tejo, que neste dia estava coberto de neblina.

Solar - Ian McEwan

Outro escritor da minha eleição é Ian McEwan. Este autor britânico foi-me dado a conhecer quando era ainda adolescente e, seis livros e muitos anos depois, continua como um dos meus escritores favoritos. Este Solar data de 2010, mas só agora me veio parar às mãos, e foi com grande prazer que o li. É engraçado como a forma de escrever, e os próprios temas, foram mudando ao longo do tempo na escrita de McEwan (pequena nota: o primeiro livro dele que li foi O Jardim de Cimento, que data de 1978...). Solar conta a história de Micheal Beard, um físico de meia-idade que ganhou o Nobel ainda muito jovem, por alterações às teorias de Einstein. Logo por aqui, este livro já se torna muito apelativo, porque é muito raro ter um cientista como personagem principal num livro destes! Adiante. A história divide-se em três espaços temporais distintos, todos marcados por acontecimentos bizarros. Michael "flutua" por esses diferentes tempos, quase como se nada lhe dissesse respeito (o que me faz de imediato sorrir...).
A escrita é muito bem conseguida, divertida e refrescante, pregando o leitor a uma história pouco provável, mas que eu até imaginaria a acontecer. Porque o Universo de tudo é capaz! Gostei mesmo muito, aconselho a todos a sua leitura, até porque faz um inside job muito bem apanhado aos trâmites da ciência.

John Abercrombie & Marc Copland @ CCB

Com uns meses de atraso, chegou finalmente o dia do concerto de John Abercrombie no Centro Cultural de Belém, acompanhado de Marc Copland. Era suposto ter acontecido em Setembro do ano passado, mas um problema de saúde do guitarrista (se não me engano) adiou o concerto para Janeiro. E ainda bem, porque assim foi-me possível assistir a esse encontro entre os dois músicos.
Na bagagem, para além de muitos anos de experiência, trazem um disco em comum, Speak to Me, para além de muitos clássicos que marcam a sua formação enquanto músicos de jazz.
O concerto foi calmo, um pouco como ambos queriam: transportar-nos para a sala de estar deles. Acho que foi assim que me senti, como uma convidada em casa de uns anfitriões simpáticos e virtuosos. Muito relaxante, muito introspectivo. Gostei.

Millenium 1

Dois anos e qualquer coisa depois, novo filme baseado na obra de Stieg Larsson, Millenium. Depois de 3 livros e os equivalentes 3 filmes suecos, David Fincher decidiu pegar na história. O casting foi francamente melhor - tanto Daniel Craig como Rooney Mara estão bastante credíveis na pele de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, respectivamente.
Não vou estar aqui a falar sobre a história, porque sobre essa já muito falei. Aliás, devo confessar que começa a ficar tudo um bocado confuso na minha cabeça, entre a visão dos livros que se mistura com a do primeiro filme sueco e agora este. Não é fácil!
Mas, então, que posso eu dizer?... Gostei do filme. Filmado na Suécia, tem credibilidade mais do que suficiente em termos de cenário. Os actores, como já referi, estão à altura das suas personagens e até têm boa química, embora a relação entre Mikael e Lisbeth não seja muito explorada. O ritmo não me deixou por aí além contente - há partes que são contadas "a correr", com os acontecimentos um pouco precipitados, para depois poder "perder" tempo nos momentos que mais lhe interessam. Percebo, mas não quer dizer que seja fã. Depois, há uma coisa que acho ridícula: actores de expressão inglesa a fazer pronúncias, neste caso sueca. Porquê? Acham que o filme se torna mais autêntico? Gostaria muito mais que as pessoas se deixassem de parvoíces e falassem normalmente.
Mas, pronto, tirando isso, é um bom filme. Gostei muito. Conseguiu enervar-me apesar de já conhecer a história de trás para a frente. É um feito, não?...

Pena que o senhor Larsson tenha morrido, deixando-nos apenas 3 livros desta saga que eu tanto gosto.

A mudança

E, num ápice, tornei-me uma lisboeta de gema.

Habemus Papam

Finalmente, um cineminha!!! E, desta vez, não foi "apenas" com uma prima, mas com duas!

Já tinha ouvido falar bem deste último filme do italiano Nanni Moretti, realizador que prezo, apesar de apenas ter visto um dos seus filmes, "O quarto do filho".
Pelo título, será bastante fácil perceber o assunto do filme. Então, os dias são os que correm. A morte do actual Papa leva à reunião dos cardeais em conclave. Daí sairá o futuro Papa, cuja nomeação é algo inesperada. O cardeal Melville, ao ver-se escolhido como sucessor, reage como nunca ninguém pensaria: recusa fazer a benção papal e refugia-se nos seus aposentos. O conclave vê-se, então, obrigado a tomar medidas e recorrem ao mais famoso psiquiatra - mas nem ele terá capacidade para resolver o imbróglio, uma vez que a (falta de) liberdade dada pela Santa Sé não lhe permite usar os seus métodos.

Daqui irão sair todo um conjunto de situações divertidas, mas também tocantes. O filme, no fundo, é sobre a fragilidade humana, sobre ambições e expectativas, não apenas nossas, mas que os outros têm em relação a nós.
Gostei muito. Houve momentos em que ri às gargalhadas (o que não é de todo muito comum), mas não é um filme tonto. Pelo contrário, é um filme muito interessante.

Tricot - a 1ª obra

Pois bem, ainda há uns tempos vos falei da minha primeira abordagem ao tricot. E já há algum tempo que está pronta, uma gola em lã roxa mesclada, feita em canelado de ponto de arroz e meia. Não foi difícil, não demorou muito a fazer e ficou bem bonita (embora longe da perfeição!). E fica ainda mais bonita com a flor amarela oferecida pela Raquel. :)


Outra obra da qual estou imensamente orgulhosa é este xaile que a minha mãe me fez. Deu muito trabalho, obrigou a várias idas à Ovelha Negra para pedir ajuda, mas valeu bem a pena, porque ficou lindo e muito jeito tem dado nestes dias de frio (mesmo na capital!). Muito obrigada, Mãezinha!!!


Espero um dia também ser capaz de fazer algo assim, mas até lá terei que trabalhar muito, praticar muito. Mas é sempre fantástico chegar-se ao fim e ver que se é capaz de criar algo com as próprias mãos. É uma sensação sem igual.

A perspectiva das coisas - a Natureza-Morta na Europa (1840-1955) (exposição no Museu Calouste Gulbenkian)

Após uns 4 meses a tencionar ir ver esta exposição, devo dizer que tal só aconteceu no último fim-de-semana em que esteve patente. Muito portuguesa, esta minha atitude.
Por um lado, foi bom, porque a entrada foi gratuita. Mas acho que a quantidade de gente que andava por lá (e toda a entropia daí derivada) talvez não tenha compensado o não pagar entrada. Um exposição de pintura é algo que exige uma certa concentração, um estado de espírito compatível à reflexão. E com tanta gente a andar de um lado para o outro, mas também "plantada" em frente aos quadros, tornou-se um bocado difícil, para não dizer impossível, entrar nesse estado de espírito.
Ainda assim, a exposição valeu muito a pena. Grandes nomes da pintura, quadros bonitos, uma colecção interessante. Gauguin, Cézanne, Monet, Van Gogh, foram alguns dos destaques com as suas naturezas-mortas que, não sendo um estilo que considere espectacularmente interessante, têm a sua piada pela experimentação que permitem, nomeadamente em termos de cores.
Foi também a primeira vez que a minha sobrinha, do alto dos seus dois anos, visitou uma exposição de pintura, e não correu nada mal, vistas bem as coisas.
Só preferia ter ido ver esta exposição com um pouco menos de rebuliço. Acho que poderia ter aproveitado melhor.


The delicate prey - Paul Bowles

O primeiro livro de 2012. Mas tenho que dizer que a sua leitura começou ainda no ano anterior, de forma que não sei se é completamente correcto chamar-lhe "o primeiro livro de 2012". Mas, também, parece-me essa uma questão muito pouco relevante!

Por esta altura, já toda a gente que lê este blog sabe que gosto muito de Paul Bowles e dos seus livros. É um autor que me inspira. Este livro que li agora, "The delicate prey", estava na prateleira há uns bons 3 anos... Infelizmente, começam a rarear nas minhas prateleiras livros que ainda não tenha lido! (há que renovar o stock) Este veio directamente de Paris, até porque não é assim tão fácil encontrar livros deste senhor cá em Portugal, e nem todos estão sequer traduzidos para Português.

"The delicate prey" é um livro de contos, ou pequenas histórias, se quisermos fazer uma tradução literal. Os primeiros dois terços de histórias têm cenários americanos (seja América do Norte ou do Sul), mas a última parte move-se em terrenos africanos (ou, pelo menos, fica essa ideia). Se as histórias são relativamente "avulsas", não tendo propriamente um fio condutor, há no entanto algo que salta à vista, e que se prende com a sua crueldade. Isso mesmo, crueldade. Há sempre um pormenor desagradável, algo que não bate certo, um final que não é feliz. Mas não é um livro triste ou depressivo, nem sequer mete medo. Dá-me a sensação que, se calhar, é um livro que retrata histórias que poderiam acontecer a qualquer um de nós, em qualquer altura. Histórias de pessoas que habitam este nosso mundo real (qual?...). Esse pensamento, sim, pode ser um tanto ou quanto assustador.

Gostei mesmo muito desta leitura. Bowles tem um estilo de escrita que me seduz, muito visual e descritivo - a minha imaginação voa, literalmente! Não sei se existe tradução deste livro para Português, mas aconselho vivamente a sua leitura. Vale mesmo a pena.

2012

Faz hoje uma semana que começou este novo ano. Impõe-se uma reflexão, por pequena que seja.

Dizem por aí que este será ano em que iremos, como país e sociedade, bater no fundo. Dizem, também, que este será o ano de todos os sacrifícios. Podemos acreditar que vai ser um ano difícil, sem sombra de dúvida.
Pessoalmente, será um ano cheio de decisões. Um ano muito importante, provavelmente o mais importante de sempre (até agora) em termos profissionais. Definitivamente, um ano de mudança(s).

Desejo a todos (e a mim também, já agora!) um ano de 2012 que corresponda a todas expectativas. Boas, está claro. E que a dita crise nos impulsione para todas as mudanças positivas que merecemos.

Feliz Ano Novo.

Trabalhos manuais e prendas de Natal

Este ano, houve algo que me deixou muito contente no Natal. E particularmente orgulhosa.

Consegui realizar, com muito trabalho árduo, grande parte dos presentes que ofereci a familiares e amigos.


Houve marmelada e geleia, em coloridos embrulhos vermelhos e brancos.


Houve peças bordadas a ponto-de-cruz para os bebés que estão quase aí a chegar.


E houve biscoitos de limão e de gengibre, numa aventura que durou várias horas e muitas fornadas!


No final, ficou uma grande felicidade da minha parte, em ser capaz de "criar" tudo isso, e em poder ver um sorriso do outro lado.
Isto, sim, é Natal.

A pele onde eu vivo

A minha última incursão a uma sala de cinema marcou o regresso ao Atlântida Cine (essa mítica sala de Carcavelos), para ver o último filme de Pedro Almodóvar, na companhia (habitual) da prima Carol.
O mais recente filme do realizador espanhol conta a história de Robert Ledgard, cirurgião plástico de renome e líder em novas terapias celulares adoptivas. (Aliás, aí está todo um capítulo sobre o qual poderia falar e que se refere à correcção com que são abordados os assuntos referentes à parte científica... valha-nos Santa Engrácia...)
Robert perdeu a mulher e, algum tempo depois, a própria filha, ambas em circunstâncias traumatizantes. O facto de a mulher ter sofrido queimaduras gravíssimas num acidente de automóvel deu-lhe a motivação para desenvolver uma terapia de forma a tornar a pele resistente a todo o tipo de agressões. Mas esta procura irá levá-lo a ultrapassar todos e quaisquer constrangimentos éticos...

Os filmes de Almodóvar conseguem abranger estilos algo diferentes, embora sempre com uma procura de "chocar" o espectador, de o emocionar. E sim, é verdade, é difícil ficar indiferente a um filme dele. Este "A pele onde eu vivo" fez-me lembrar "Má Educação", talvez porque me tenha, também, revoltado as entranhas. Tive uma daquelas reacções viscerais, de repulsa. A história é revoltante (parece-me incrível que algum dia alguém tenha, sequer, pensado em semelhante coisa), mas muito bem contada, com a cadência adequada. Não deixei de sair do cinema impressionada (e muito!). Aliás, durante alguns dias, não me saiu da cabeça aquela história, aquelas personagens...

Gostei muito do filme e aconselho-o a todos aqueles que se considerem suficientemente fortes. Aos outros, talvez seja melhor não o fazer. ;)

O homem que gostava de cães - Leonardo Padura

Ora aqui está um livro que comprei porque: (1) gostei do título; (2) quando vi que era sobre a vida de Trotski no exílio e sobre o seu assassinato, gostei ainda mais. E, assim, lá o comprei. Mas ficou uns bons 6 meses na estante, à espera de tempo e vontade para o ler. Que, finalmente, chegaram.

Leonardo Padura, escritor cubano, faz uma abordagem original do tema, que é contado a três vozes: o narrador propriamente dito, Iván; Liev Trotsky, ele mesmo; e Ramon Mercader, o homem que será o seu carrasco. A história começa quando, com a mulher às portas da morte, em 2004, o cubano Iván resolve contar-lhe uma história que carrega consigo há mais de 30 anos, e que começou no dia em que, numa praia de Cuba, conheceu um homem enigmático, acompanhado de dois galgos russos, que lhe revelou pormenores sobre a morte de Trotsky... Depois, recua até ao final dos anos 1920, altura em que Trotsky é enviado por Estaline para o exílio, e a partir daí continua a história, sempre intercalada entre as três personagens, até à altura da sua morte, no México, em Agosto de 1940.

Este é um livro, acima de tudo, sobre a desilusão, e uma enorme crítica ao comunismo. Ou como se processa a queda de uma utopia. Para mim, é um notável exercício sobre a nossa história recente, particularmente sobre a cultura russa, que é algo que, desde sempre, me fascinou. É um daqueles livros que serve dois propósitos: entreter e ensinar. E, por isso mesmo, aconselho vivamente a sua leitura. Até porque o saber não ocupa lugar.

Comédia de Insectos

Depois de muito procurar, não consegui arranjar uma imagem adequada para aqui colocar! Vai sem imagem, então.

Na passada quarta-feira, 30 de Novembro, o TUT (Teatro da Universidade Técnica) apresentou no Teatro da Trindade, por ocasião do 90º aniversário de Jorge Listopad (fundador do TUT), a peça Comédia de Insectos. Como é que eu soube do evento? Porque a Ana Rita Pires, minha colega de trabalho, integra o TUT e participa na peça. :)
Comédia de Insectos é uma peça da autoria dos irmãos Josef e Karel Capek, e teve, neste caso, encenação de Júlio Martín da Fonseca. É, a modos que, uma sátira à sociedade contemporânea, retratada através de diferentes comunidades de insectos - desde a avareza dos escaravelhos à inconsequência das belas borboletas. É uma interessante reflexão sobre a condição humana.

Gostei da peça, mas gostei principalmente de ver a Ana Rita tão bonita e confiante em palco. É assim mesmo, mulher! Continua assim.

Tradições...

Como já aqui referi, estes fins-de-semana outonais em família são pródigos em aprendizagens. Desta vez, não houve passeios nem fotografias, mas houve muito tricot! Finalmente consegui "convencer" a minha mãe a ensinar-me a fazer ponto de arroz. E, por conseguinte, aprendi também a fazer meia (porque liga já sabia desde pequena!).

Estou muito contente com estas novas "competências". Agora tenho que comprar agulhas e lã para poder treinar e lançar-me na aventura do tricot. :)

Uma vida melhor

Lá estou eu novamente a entrar em atrasos de escrita... É que, quanto menos escrevo, menos vontade tenho de escrever. Há que combater estes estados de espírito!!!

Ora bem, no fim-de-semana passado, e ainda no âmbito do Leffest (que é como quem diz Lisbon and Estoril Film Festival), fui ver com a prima Carol este filme de Cédric Kahn, o mesmo de Arrependimentos, de seu nome Une Vie Meilleure.

Tendo nos principais papéis os actores Guillaume Canet e Leila Bekhti, o filme conta a história de Yann e Nadia, um jovem casal que se apaixona de uma forma pouco ortodoxa e que, assim, enceta uma vida em comum, acompanhados pelo filho dela, Slimane. O sonho de Yann, chef de profissão, é ter o seu próprio restaurante, sonho esse que parece mais próximo quando uma oportunidade de negócio aparece. Mas o casal irá enredar-se numa teia de dívidas quando decide apostar tudo nesse negócio...
O tema do filme é, assim, extremamente actual e algo que assola muitas famílias: o sobre-endividamento. Como se chega a essas situações, como se lida com elas, quais as suas consequências e possibilidades de "fuga". Não é, como podem imaginar, um filme fácil ou para bem dispôr. Aliás, cheguei a uma dada altura em que só me apetecia sair dali, por causa da certeza que nada de bom iria acontecer. Nesse aspecto, é um filme de certa forma empático...

O que dizer, então, sobre a minha opinião pessoal? Gostei e não gostei. Há credibilidade na forma como a história é contada, embora com desenlaces em termos de narrativa que não me agradam particularmente (como seja a ligação a um determinado submundo). Também acho que se sente como se o início do filme estivesse em fast-forward - compreendo que não seja o objectivo do filme mostrar como o casal se relaciona, mas às tantas perde essa profundidade, que poderia ser interessante mais para a frente. E já toda a gente sabe que gosto de filmes/histórias que exploram relações entre pessoas.
É um bom filme, mas não necessariamente um filme de que se gosta. Põe-nos a pensar no que é necessário para termos "uma vida melhor"... E que talvez não seja nada de tão complicado como imaginamos.

Acabo com um pequeno apontamento, apenas para dizer que este filme conquistou o Prémio Especial do Júri e o Prémio Cineuropa no Leffest. Por isso, não há-de ser mau...

Pensei que o meu pai era Deus - Paul Auster

A minha última leitura foi esta antologia de pequenas histórias compiladas por Paul Auster. É um autor do qual gosto bastante, mas aqui não tem qualquer papel criativo, a não ser, talvez, na génese da ideia - convidado para fazer um programa de rádio, Auster lança um desafio aos ouvintes: enviarem pequenas histórias, que possam ser contadas durante a emissão, e que relatem factos singulares e verdadeiros. A resposta foi de tal forma monumental que Auster recebeu mais de quatro mil relatos, a partir dos quais editou e seleccionou aqueles que aqui se podem ler.

O resultado é um conjunto de histórias a roçar o inacreditável, mas ao mesmo tempo um verdadeiro retrato da América do século XX. Encontramos um pouco de tudo, desde retratos familiares a experiências traumatizantes no seio da guerra, passando por coincidências fenomenais (relativos a este último caso, há diversas histórias).

É um livro de fácil leitura, tanto por ser composto por histórias realmente pequenas em termos de dimensão (nunca ultrapassam as 4, 5 páginas), como por ter uma linguagem simples e coloquial (o que é normal, visto que são histórias reais contadas por pessoas do dito "mundo real", e não nascidas da imaginação fantasiosa de um escritor).

Embora tenha gostado, ao mesmo tempo soube-me a pouco. Digámos que não fiquei tremendamente impressionada, embora haja relatos que activaram a minha faceta mais introspectiva. Mas, na generalidade, é uma leitura demasiado fácil, um pouco superficial, se assim se pode pôr a questão. Sem com isso perder o seu mérito, claro está.

Mais um fim-de-semana de Outono...




Estes fins-de-semana de Outono têm sido pródigos em muitas coisa: passeios, gastronomia, convívio familiar... Tudo muito bom.

Experimentei, pelo primeira vez, fazer marmelada, segundo a receita da minha mãezinha. Devo dizer que correu bastante bem, está muito boa, tanto em termos de aspecto como em termos de sabor. E eu fico contente por ir, aos poucos, entrando nestes rituais tradicionais a que sempre assisti, mas onde agora tenho direito a participar.

The Ides of March

Sessão dupla de cinema num só dia não é coisa que aconteça muitas vezes. Mas o Lisbon & Estoril Film Festival assim obriga. Até porque a ante-estreia nacional deste último filme de George Clooney, The Ides of March (Nos idos de Março, versão portuguesa), dificilmente passaria em branco. Assim, agarrei nos dois últimos bilhetes (pelo menos, assim me disse a menina que mos vendeu) e obriguei a minha irmã a ir comigo à sessão, que incluía um masterclass com Paul Giamatti. Só boas razões para estar presente, portanto.

The Ides of March é um filme político. Apesar de parecer ser uma resposta à eleição de Barack Obama, aparentemente foi pensado quando Bush filho ainda estava no poder. Portanto, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência (ou talvez não).

Mike Morris (Clooney) é um candidato democrata à Presidência dos EUA., mas primeiro é preciso ultrapassar as primárias (sistema esquisito, o dos americanos). Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o seu jovem assessor de campanha, que acredita estar a trabalhar para o melhor candidato que a América já viu. Um idealista. Mas o decurso da campanha, e todos os seus meandros, irá provar que, em política, não há homens bons nem lugar para idealismos.

Como disse Giamatti durante a sessão de perguntas-respostas, este é um filme sobre o fim da juventude e a entrada na idade adulta. E sobre a desilusão que ocorre entre uma e outra. É um filme duro, recheado de boas interpretações. Um filme masculino, claro está. E um filme triste. Porque à parte o facto de a história se passar na arena política, o retrato está bem feito e todos passamos pela desilusão da idade adulta. O fim do lirismo. A gravidade que nos puxa os pés para o chão...

Ryan Gosling tem uma interpretação particularmente bem conseguida. O contraste entre o início do filme e a cena final é tal que parecemos conseguir sentir o que vai dentro daquela cabeça. A mostrar que é um actor versátil e que, apesar de não ser muito bonito, tem uma daquelas estrelinhas difíceis de explicar. E Giamatti é uma pessoa muito afável, entretendo o público que enchia o auditório do Centro de Congressos do Estoril até perto da 1h da manhã, com o seu estilo divertido e despreocupado.

Les amants du Pont Neuf

Começou o Lisbon & Estoril Film Festival. Mudou de nome e passou a incluir Lisboa no seu itinerário. À procura de maior visibilidade? Ou apenas uma forma do produtor Paulo Branco rentabilizar as "suas" salas de cinema (Medeia)?...

O cartaz de este ano, tal como nos anos anteriores, deve referir-se, é muito bom e inclui ante-estreias de vários filmes que irão marcar a cena cinematográfica deste final de 2011. Boas são também as retrospectivas propostas que incluem, entre outros, artistas como Wes Anderson (do qual muito gosto) e Leos Carax. E é precisamente este último que realizou o filme de que vou falar.

Les amants du Pont Neuf é um filme que já anteriormente me despertou a atenção. Porquê ao certo, não sei. Mas quando vi que passaria num sábado à tarde, pareceu-me um plano perfeito para uma tarde chuvosa. E, por isso, lá fui.

O filme conta a história de Alex e Michele, dois sem-abrigo em Paris. A Pont Neuf, em período de recuperação (nos idos 1991...), serve de casa a este casal improvável. Alex, viciado em álcool e sedativos, foi em tempos um acrobata. Michele, pintora, está nas ruas por razões pouco óbvias, enquanto a sua visão se deteriora de dia para dia. O amor nascerá entre eles, com Michele a tornar-se cada vez mais dependente de Alex, à medida que perde a visão. E o medo de perdê-la irá conduzi-lo a medidas desesperadas...

Imagens belíssimas de uma Paris que já não existe percorrem o filme, habitam-no. Como uma cidade se transforma em 20 anos... Mas com uma imutável beleza, sem dúvida. O filme não me fascinou. É um bom filme, mas não houve grande empatia, não sei bem porquê. Mas é um filme que vale a pena, quanto mais não seja por uma Juliette Binoche extremamente nova e por um cenário a que é difícil ficar indiferente.

Finalmente, fotografias!

Agora que já passou mais de um mês desde que regressei das minhas férias, finalmente tive acesso às minha fotografias reveladas! Isto de ser fã do analógico tem muito que se lhe diga (e exige muita paciência também...). Depois de muito procurar, optei por revelar os 6 rolos na Embaixada Lomográfica do Porto (até porque uma das minhas máquina é uma Lomo Sprocket Rocket). Mas não estou muito satisfeita, porque detectei vários problemas, quer ao nível da revelação propriamente dita, quer ao nível da digitalização. Enfim...

Problemas à parte, ficam então algumas fotos do belo passeio! Ah, devo referir que primeiro estive uns dias em Paris, cidade que eu adoro, em visita à R., e daí fui de comboio até Basileia, visitar o J., de onde seguimos para uma viagem pela Suiça! Ricas férias.


Jardin des Tuileries

Vista da janela da R.

:)

Place des Vosges

Jardins du Ranelagh





Lucerna vista das muralhas

Funicular do Monte Pilatus

Tomlishorn

Lucerna

Glaciar Aletsch

No glaciar Aletsch

Lago Oeschinen, Kandersteg

Kandersteg


Fotografias por Rita Barbosa