Festival de Músicas do Mundo - Sines

A edição deste ano do Festival de Músicas do Mundo (FMM para os amigos) decorreu de 17 de Julho a 26 do mesmo mês, 10 dias de música para festejar a 10ª edição do festival. Como é da praxe, as lides dividiram-se entre Porto Covo e Sines, dois lugares muito bonitos e que eu não conhecia!
Nós só pudemos ir no último fim-de-semana e por isso tivemos direito a assistir ao fecho do festival, com um fogo-de-artifício muito bonito (ver foto).
Devo dizer que foi uma aventura, porque não deu para acampar no parque de campismo, porque estava cheio, e, por isso, fomos "mandados" para o estádio municipal de Sines, que a Câmara local pôs ao dispor dos festivaleiros. Aliás, é de referir como tudo está extremamente bem organizado e, explique-se, a organização está a cabo da dita Câmara Municipal de Sines. Muito bem.
Depois de montadas as tendas, o primeiro passo foi comprar bilhetes e explorar o espaço. Os concertos pagos acontecem dentro do Castelo (um espaço muito bonito!), mas depois há também concertos na avenida à beira-mar, onde se encontram igualmente dezenas de tasquinhas de comes-e-bebes, para além de barracas de artesanato.
O ar está saturado de boa disposição e calmaria. É uma maravilha passear por entre as gentes, descobrir as pequenas obras de arte vendidas nas coloridas tendinhas, ser invadida pelo espírito multicultural do festival... Muito bom.
Falemos, então, da música. As expectativas não eram muitos, porque não havia um único nome que eu conhecesse no alinhamento de sexta e sábado. Na noite de sexta, gostei muito de Asif Ali Khan, um senhor paquistanês que vem acompanhado de uma trupe de músicos - muito bom! Já os concertos que se seguiram não foram minimamente do meu agrado - sonoridades um pouco pesadas, com um acordeonista finlandês (KTU) e um rockalheiro chinês (Cui Jian). Questionável.
No sábado, ala para a praia! Percorremos a costa até Porto Covo, onde tivemos direito a um almoço tardio de chocos fritos. Muito Bom.
Nos concertos da noite, o saldo foi muito positivo. Primeiro tivemos Koby Israelite, que foi bastante animado, e depois veio o grande momento da noite: Rokia Traoré, também chamada a nova diva do Mali. Pessoalmente, não conhecia a música dela, mas o concerto foi fantástico, cheio de energia à volta de uma música envolvente! Para terminar, tivemos um grupo de homenagem a Jimmy Hendrix, com uma senhora algo esquisita como vocalista...
Deixo-vos, então, com algumas fotos do evento.



Asif Ali Khan


Rokia Traore


Concerto de Rokia Traore


Fogo-de-artifício no fecho do festival


(fotos retiradas do website oficial do Festival de Músicas do Mundo - http://www.fmm.com.pt/ )

Kings of Convenience - Cidadela de Cascais

Na passada quinta-feira, finalmente aconteceu o concerto há muito anunciado (e desejado!). A romaria foi feita a três, eu, Rui e Carol, até à Cidadela de Cascais. A noite estava agradável, mas fresquinha, e o espaço é muito giro, se bem que me tenha surpreendido por ser algo pequeno.

Confesso que estava muito expectante em relação ao concerto, os reis da conveniência são uma das minhas bandas favoritas. Adoro a calmaria que exala das músicas delas, sem que haja demasiada tristeza ou melancolia associada...

Mas falemos do concerto.

Começou com Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe, cada um com sua guitarra, a tocar as suas músicas minimalistas, com aquelas vozes límpidas a ecoar na escuridão da noite. O repertório foi altamente diversificado, a percorrer os álbuns anteriores mas a incluir muitas músicas novas. A determinado momento, um incidente aconteceu com Erlend Øye e a sua guitarra, que ficou inutilizada para o resto do concerto. E assim, esse entertainer genuíno teve a sua oportunidade de brilhar, contando piadas, dançando, animando o público... Foi muito bom. Gostei muito, muito, muito!!!

E a noite acabou calma e serena, ao som de Misread, uma das músicas mais bonitas que estes rapazes escreveram.

Como se de um doce se tratasse, aqui deixo com vocês uma amostra do concerto, para que também possam disfrutar.


video

4 meses, 3 semanas e 2 dias


Como já antes tinha referido aqui, está a ocorrer no cinema Nimas um ciclo de cinema que faz, basicamente, uma retrospectiva dos melhores filmes estreados no último ano.
Depois de "Dear Wendy", fui ver este "4 meses, 3 semanas e 2 dias", um filme romeno, realizado por Cristian Mungiu e que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2007.
O filme conta-nos a história de duas amigas, Otilia e Gabita, estudantes universitárias. Gabita está grávida e, com a ajuda de Otilia, consegue combinar um encontro com Mr. Bebe, que realiza abortos clandestinos. Cedo se persegue que as coisas não estão a correr bem, logo quando Otilia chega ao hotel que Gabita supostamente reservou para o efeito e é informada que não há nenhuma reserva nesse nome. Otilia tem, assim, que ir à procura de outro sítio, o que se revela difícil e dispendioso.
Ainda assim, tudo está a postos para seguir com o combinado. Mas quando Mr. Bebe percebe que a gravidez de Gabita não tem 3 meses, como ela havia assegurado, mas sim bastante mais, tudo descamba. Ele irá ameaçar não fazer o aborto e acaba por exigir que ambas as amigas tenham relações sexuais com ele como forma adicional de pagamento, o que elas acabam por aceitar.
O filme é extremamente cru, até mesmo cruel, na história que conta. Tudo é filmado com uma desafectação imensa, de uma forma muito racional. Talvez por isso, e apesar da tragédia da história, não sobra grande sentimento depois de ver o filme. O que se calhar até é uma coisa boa.

Optimus Alive 2008 - Dia 3

À terceira é de vez, como de costuma dizer, e, por isso, no terceiro dia do Alive tive, finalmente, a companhia do Rui.
Sendo sábado, esperava-se uma grande enchente e, como tal, foi sem grande espanto que não encontrámos lugar para estacionar nas imediações do recinto, tendo, mais uma vez, recorrido à estratégia de ir até Belém.
O Rui, sortudo, conseguiu bilhete à borliú, mas tivemos que esperar que nos viessem entregar o dito cujo à entrada. Lá dentro já tocava Donavon Frankenreiter, esse que eu pensava ser um singer-songwriter e que, afinal, é um surfista com música bem típica de costa oeste (o que quer que isso queira dizer...). O concerto foi giro, o rapaz é animado, com tatuagens altamente pouco estilosas com fotografias da família (!) e, mesmo sem conhecer uma musiquita que fosse, deu para nos divertir-nos.



O pior, esse, estava ainda para vir. Depois de ter passado o dia todo a ignorar os sinais, a fazer de conta que não era comigo, qual avestruz com a cabeça enfiada na areia, "ela" chegou, com toda a sua pujança: mais uma vez, tive a infelicidade de ser "bafejada" com uma infecção urinária e, assim sendo, fui a correr para casa, pouco depois do concerto de Neil Young ter começado. Claro que fiquei com um mau humor daqueles, por todas as razões.



E assim acabou a minha aventura no Optimus Alive, que acabou por ficar àquem das minha expectativas. Tant pis pour moi....

Optimus Alive 2008 - Dia 2

E depois veio o segundo dia. Mais calmo em termos de cartaz, acenava ao público em geral com uma visita do senhor Robert Zimmermann, esse mesmo, Bob Dylan (com pronúncia francesa, que é como eu gosto de dizer o nome do senhor...).



Desta vez já sem o João, rumei a Algés (de comboio, é claro, que não há paciência para andar à procura de lugar!) a meio da tarde, na expectativa de ver Nouvelle Vague, relegados para um concerto bastante diurno... A Carine e o Orlando já andavam por lá, mas os franceses nem vê-los - acabaram por cancelar o concerto, pelos vistos. Assim, John Butler e companhia entraram mais cedo em cena, e deram um concerto de quase 3 horas! Se estão a pensar "Ei, que seca!...", pensem novamente - o concerto foi realmente muito bom. O John é um virtuoso das cordas (poderia dizer guitarra, mas houve lá pelo meio outros instrumentos de cordas dos quais eu não sei os nomes), a música é boa e entra no ouvido com facilidade, pelo que foram umas 3 horas bem animadas, com muita dança pelo meio (ok, não exactamente dança, mais um abanar de ancas, algo desse género...).



And then came Mr. Bob. O início foi promissor, estava toda a gente com muita vontade de o ouvir. Mas à medida que o concerto foi avançando, sem incluir os grande ícones da sua música, o ânimo foi esmorecendo (pelo menos, o meu) e, já não muito longe do fim, desistimos e fomos comer uns cachorros!!!
Deu para perceber que, para o fim do concerto, o senhor tocou umas músicas mais conhecidas, e parece que acabou mesmo com "Like a rolling stone"... Eu não ouvi.
Contudo, esta foi, sem dúvida, a noite mais divertida do Alive, com direito a perseguições aos rapazinhos da Sagres (grande ideia essa, de "portabilizar" a venda de cerveja), filmes feitos in locus e outras animações que tais!
O mais giro foi mesmo ir de Algés a Sete Rios, buscar o moço ao autocarro - ainda bem que não apareceu nenhum carro da GNR.............

Optimus Alive 2008 - Dia 1

Com algum atraso, eu sei, aqui vou deixar algumas impressões do festival Optimus Alive, que decorreu no passado fim-de-semana, no Passeio Marítimo de Algés.
O primeiro dia era, por mim, o mais desejado. Os grandes culpados eram os MGMT, nova banda sensação de rock psicadélico - eu diria, até, que, se o rock psicadélico já não tivesse sido inventado no passado, com certeza teriam sido estes dois rapazes, Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, a lembrar-se da ideia!




No primeiro dia, estive acompanhada pelo João, recém chegado da sua aventura alemã! MGMT tinham concerto agendado para as 20h. Saímos do HSM já quase às 20h, por isso aqui a minha pessoa já estava um pouco stressada... E ainda mais stressada ficou quando viu o maralhal de gente que pairava nas imediações da estação de Algés!!! Onde deixar o meu bolinhas???? A solução foi ir estacionar à beira da estação de Belém e depois apanhar o comboio, imaginem lá... Ao menos, não demorou muito tempo e lá fomos nós, os dois estarolas, em direcção ao recinto. O João entrou e eu, qual horror, tive que ir para mais uma fila para pôr a pulseirinha dos 3 dias do festival... Ai ai ai ai ai! O melhor foi que, para além de mim, estava lá também a Carine e o Orlando, com quem tinha combinado encontrar-me! Ele há coincidências... :)
Fazendo agora um pequeno fast-forward, lá consegui chegar a tempo de ver uma meia dúzia de músicas dos MGMT - uma emoção, foi o que foi! Houve alguns problemas técnicos, com a aparelhagem a fazer feedback, e também outros problemitas menores, como o vocalista a desafinar ligeiramente ao cantar "Electric Feel" (quem o mandou cantar num tom mais grave do que devia?...), ou o concerto acabar com "Kids" (a mais ansiada!), cantada em playback... Ainda estou para perceber. Seja como for, gostei. Mas soube a pouco, gostava de tornar a ouvir os rapazes num ambiente um pouco menos confuso.
De seguida, rumámos às tendas da comida (ele há pessoas com fome!), enquanto, entretanto, chegavam ao palco principal os Gogol Bordello. Embora o concerto tenha sido, maioritariamente, assistido de longe e sem grande concentração, gostei mesmo muito - música animada, banda divertida e com grande presença, um daqueles concertos que vale mesmo a pena e deixa uma pessoa bem disposta.
Seguiram-se os suecos The Hives. Confesso que até gosto dos rapazes. O concerto começou bem, com as músicas que eu conhecia e com o vocalista a puxar pelo público. O problema foi que a atitude pró-activa do rapaz durou o concerto todo, tornando-se extremamente repetitiva e cansativa... Mas foi giro.
Com isto tudo, era quase 1h da manhã e lá estava eu à espera de RATM (aka Rage Against The Machine), essa banda culto de determinado momento da minha adolescência, que nunca mais chegavam! "Se o concerto não começar dentro de 5 minutos, vamos embora." - disse ao João. Certo e sabido que, passados 2 minutos, os ditos cujos estavam em cima do palco! Não reconheci as primeiras músicas, pelo o que comecei o desesperar (o objectivo era mesmo só ver como os rapazes se comportavam em palco, porque no dia seguinte havia muito trabalhinho à minha espera...) - novo repto. "Se não conhecer a próxima música, vamos embora". E não conheci. Lá partimos nós, rumo à estação - pelo caminho, ainda ouvimos 2 músicas dos bons velhos tempos, "Bombtrack" e, a mais ansiada, "Know your enemy". Deu para matar saudades.
E assim terminou a primeira noite. Com o sentimento de que já não tenho idade para estas andanças.

E já só faltam 3 dias........

O grande festival deste Verão está quase aí, começou a contagem decrescente... 3 dias apenas e lá estarei! Muito ansiosa por ver MGMT...