Crónica da semana (a segunda), ou a "magia" dos 34


Eu bem disse que quando voltasse a escrever neste blogue já o faria do alto dos meus 34 anos. E assim acontece (como diria o Carlos Pinto Coelho, nos idos tempos felizes da RTP2...). 
Quem me conhece um bocadinho sabe que dou importância a estas coisas dos aniversários. Sou uma pessoa de pormenores, de pequenas coisas, não de grandes festas ou manifestações. O que, na maioria das ocasiões, só torna as coisas um pouco mais complicadas. Mas os 34 lá chegaram, iluminados pelo sol inglês (que de vez em quando decide dar um ar da sua graça), mais calmos do que é costume nestes dias (será a maturidade a atingir-me?...). Houve direito a passeio em fim-de-semana de aniversário, para explorar a costa inglesa e uma região que há muitos anos povoava o meu imaginário: a Cornualha. Não saí decepcionada, não fosse dois acontecimentos (não relacionados) que marcaram o fim-de-semana de forma bastante distinta - primeiro, perder a minha máquina fotográfica no dia do meu aniversário; e segundo ter chovido continuamente durante o resto do tempo. O primeiro acontecimento marcou-me muito mais profundamente que o segundo, como seria de esperar, e quase estragou irremediavelmente o momento. Mas, a provar que estou uma miúda muito crescida e madura, lá consegui aceitar o provérbio que diz que o que não tem remédio, remediado está e perceber que estas coisas acontecem, mesmo que nos deixem tristes. Haverá mais máquinas fotográficas que, se tudo correr bem, não perderei. Mas, por uns momentos largos, tive que lidar com a frustração de algo que fugiu completamente ao meu controlo. Talvez tenha sido esse o ensinamento dos 34... agora que penso nisso com mais atenção, quase que parece um desígnio divino para me fazer libertar um bocadinho das minhas ansiedades e tentativas de controlar todos os pequeninos aspectos da minha vida. Acho que vou escolher essa interpretação e tentar abraçar esse ensinamento o mais profundamente possível.
Ensinamentos à parte, esta coisa dos aniversários traz sempre sentimentos mistos. Por um lado é um dia em que nos tornamos o centro das atenções, mas por vezes as atenções não vêm de onde desejamos. Porque é que fazemos isso? Porque é que nos agarramos ao que não temos em vez de ficar felizes por aquilo que nos é oferecido? Também tive um pouco desses momentos neste aniversário, mas bastante menos do que em anos anteriores. Houve muitas pessoas que não se lembraram, como seria de esperar, embora umas doam mais do que outras. Mas houve tanto carinho vindo de tantos lados! Postais que chegaram com quase uma semana de antecedência, encomendas, telefonemas de vozes distantes, mensagens e felicitações sem conta. Por isso, fica aqui um agradecimento oficial a amigos e família que, através da sua presença ou não, contribuíram para um dia feliz. E porque a vida não se faz só de aniversários, nem pouco mais ou menos, reitero igualmente a importância que têm para lá destes dias felizes.

E pronto, os 34 aconteceram e estão para ficar. Para já parecem-me bem.

3 comentários:

Ana Isabel Pinheiro disse...

Como dizia o outro "máquinas há muitas"...deixa lá! :)
Continuação de uns óptimos 34 :)

fernanda resende disse...

Gostei de ler a tua cronica e de ter sentido que reina em ti um sentimento de integração na vida com uma certa alegria. Ainda bem que a maturidade te bateu à porta. Já era tempo! Temos que viver a vida aceitando as coisas com conformismo, pois o rio vai sempre ter ao mar. Beijos e saudades. tia Fernanda

Unknown disse...

Sou uma desgracada!!!!! nao te dei os Parabens, nem vou tentar dar tos atrasados, mas a celebracao fica por minha conta logo ( e espero que seja logo) que estejamos juntas. Um abraco enorme e um obrigada pela partilha Ate Ja