Pequenas mentiras entre amigos



Há vida pós-Cartão Medeia.
Julho trouxe consigo o fim de uma "amizade" que durou pouco mais de um ano. A conjectura económica fez com que deixasse de ser proveitoso ser assinante do Cartão Medeia e, por isso, cancelei-o. Mas nem por isso se acabaram as idas ao cinema. Aliás, há agora mais liberdade de escolha em termos de filmes.
Num dia algo atribulado, com uma tentativa frustrada de ir à Cinemateca ver "Guerra Civil", um filme português com muito boas críticas - não chegamos tarde, mas quando chegamos os bilhetes já estavam esgotados. Ir a correr para o El Corte Inglés, chegar mesmo em cima da hora do filme, uma fila gigantesca para comprar bilhete (mas que raio é que se passa com esta gente???). Stress! Graças à intervenção da prima Carol, lá conseguimos ver este "Pequenas mentiras entre amigos", de Guillaume Canet (um actor do qual gosto muito), com apenas 5 minutos de atraso em relação ao real início do filme.
O filme segue a vida de um conjunto de amigos, trintões ou mais velhos, que todos os anos fazem férias juntos, na mansão de férias de um deles, no sul de França. Este ano, no entanto, um deles sofreu um acidente de mota e está hospitalizado, em estado grave. Ainda assim, os restantes membros do grupo decidem que não ficam a fazer nada em Paris e partem de férias. O mau-estar provocado pelos remorsos e pelas mentiras que impingem uns aos outros irá, contudo, pôr estas férias em risco...
Este é, então, um filme na tradição de "Amigos de Alex", unicamente baseado na complexidade das relações humanas. É um filme interessante, mesmo com as suas 2h30 de duração! Há apontamentos de humor, mais ou menos bem conseguidos, e há outros momentos que não resultam tão bem. Mas, no geral, é um filme que vale a pena ver. Gostei.

Ah, as filmagens nas imediações da duna de Pylat são muito boas!!! É realmente um sítio espectacular. :)

O furacão a fechar o fim-de-semana


Noite de domingo a fechar um fim-de-semana animado - nem de propósito, Sharon Jones, acompanhada dos seus Dap Kings, foi até à Casa da Música para incendiar os ânimos. Inicialmente previsto para a Sala 2, o concerto acabou por se realizar na Sala Suggia, a principal, devido à elevada afluência de público. Porque o pessoal sabe o que é bom.

O concerto começou com a entrada da banda, sem vocalista, que tocou durante cerca de 10 minutos, para "aquecer" a audiência para a chegada da artista. O som lembra os tempos idos das décadas de 60 e 70 no século passado... Soul, funk, o que lhe queiram chamar, transpira ritmo. E pronto, nós lá fomos abanando o corpo, entrando no espírito da coisa. Mas nada fazia prever que a entrada de Sharon em palco traria consigo um verdadeiro furacão. Que energia tem esta senhora, de cinquenta e tal anos, a fazer inveja a muito boa gente! E que vozeirão! A partir desse momento, foi sempre a dançar. E nem o facto de não conhecer quase nada do seu repertório foi impeditivo para um concerto fantástico.
Adorei, adorei, adorei. Tanto, que a seguir fomos comprar CDs da banda, que estavam à venda na saída do concerto. Assim, já não há desculpa para não conhecer as músicas. E ganham-se bons momentos de descontracção. Que mais se pode pedir, com toda esta energia?...

O sedutor charme tímido



O dia 16 de Junho já lá vai um pouco distante, mas só agora me dei conta que ainda não tinha feito o meu "comentário" à passagem do sr. Ryan Adams pela Aula Magna, em Lisboa! Que falha terrível, até parece que não gostei do concerto...
Devo começar por dizer que fui ver este concerto à borla, uma vez que a minha querida Radar me ofereceu um bilhete. Não que eu não estivesse disposta a pagar os 33€, mas simplesmente a altura não era propícia para esses gastos. Quis o destino que ganhasse um bilhete, para assim estar presente no concerto daquele que é um dos grandes "cantautores" (detesto essa expressão) americanos. E que eu tanto gosto.
Depois disto, o que poderia correr mal?...
Ora bem, correr mal não é propriamente a forma de falar sobre este concerto. Mas que foi estranho, foi. Ryan Adams subiu ao palco já atrasado, depois das 22h. E logo na primeira canção, espeta-se ao comprido quando recorre à harmónica, estranhamente desafinada! Peripécias do género não faltariam durante a noite, com o músico a encará-las com bom humor (?) e fazendo algumas piadas. O que, à partida, poderia condenar o concerto ao fracasso, resultou assim em momentos intimistas, em que o músico mais parecia estar na sua sala de estar, a cantar para os amigos. Apesar de ter começado tarde, não foi, à conta disso, um concerto curto: acabou já passava da meia-noite e meia. O registo foi calmo, completamente acústico, com umas notas de rebeldia aqui e ali, ou não estivéssemos a falar de Ryan Adams. Claro que não cantou nada de "Rock 'n' Roll", o álbum que lhe conheço melhor... Mas não faltaram momentos doces - porque se há forma de definir a voz deste rapaz, é como doce. Uma doçura que arranha.

Muito bom.

Palavra de Gato - Robert de Laroche



Ao mesmo tempo que li o ensaio sobre o papel das mulheres na literatura, de Virginia Woolf, li igualmente, e para desanuviar, este "Palavra de gato", livro sobre gatos para amantes da gatos, que me foi oferecido pela Rita Cavaleiro.
O livro está escrito em forma de diálogo entre o narrador e o seu gato, que lhe conta um pouco da sua visão do mundo. Confesso que a fórmula, embora bem pensada, não resulta muito credível e acaba por soar forçada. Porque aquilo que o gato nos vai transmitindo é, basicamente, aquilo que o conhecimento científico foi "descobrindo" ao longo dos tempos.
Apesar de não ter gostado muito da forma, é um livro recheado de informações úteis. Mesmo para mim, que tanto gosto de gatos! Por exemplo, fiquei a saber que os gatos adoram o cheiro da lixívia - não fazia a mínima ideia. Também fiquei a par de outros detalhes sobre a vida destes felinos, alguns bem úteis para quem tem 3 em casa... Assim se prova que há sempre coisas que podemos aprender, mesmo quando não estamos a contar com isso.

É preciso manter uma mente aberta. :)

E, para quem gosta de gatos, sabe sempre bem partilhar da visão destes animais domésticos amorosos.

A Ressaca II



Apenas dois dias depois de ter vista a primeira parte desta "Ressaca", a sessão habitual de cinema com a prima Carol levou-me a ver a segunda parte...

... tenham medo, muito medo, porque a tripla mais doida de sempre está de volta e com situações ainda mais fora do normal do que as que nos tinham brindado na primeira parte!

Desta vez, os amigalhaços Phil, Alan, Stu e Doug vão todos até a Tailândia, para o casamento de Stu. Este opta por uma despedida de solteiro calma com os amigos, ainda antes de partir, sem álcool - não vá o diabo tecê-las e acabarem da mesma forma que na despedida de Doug! No entanto, já na Tailândia e dois dias antes do casamento, os amigos juntam-se à volta de uma fogueira na praia, para uma última cerveja...
Podem aperceber-se que a premissa é exactamente a mesma do primeiro filme. As situações, essas, são novas e, se possível, ainda mais amalucadas. Com tudo o que o exotismo asiático tem para oferecer...

É um filme divertido, que arranca boas gargalhadas. Mas, como fórmula, funcionou melhor à primeira (até porque há muitas situações que são uma autêntica cópia!), com este segundo filme a puxar a corda em algumas situações. É uma daquelas comédias um pouco apalermadas, por isso é necessário ter uma mente aberta. Mas não é má.

A room of one's own - Virginia Woolf



Mais de um ano volvido desde que a Raquel me ofereceu este livro (e depois de o ter lido quase até ao fim e de a minha sobrinha me ter retirado a marca de onde ia), acabei de ler (de novo do início) este ensaio de Virginia Woolf sobre a literatura no feminino, intitulado "A room of one's own".
Virginia Woolf faz uma reflexão sobre o papel das mulheres na literatura, ao longo dos séculos, e a razão pela qual há tão poucas obras no feminino (à data desta obra, em 1928). A conclusão, embora simples, é muito sábia:

"A woman must have money and a room of her own if she is to write."

Sim, uma mulher precisa do seu espaço e do seu dinheiro para poder ter paz de espírito suficiente, de forma a dar asas ao seu poder imaginativo, mesmo se exemplos existem, ao longo dos tempos, de mulheres que não tinham nem uma nem outra condições. Virginia Woolf faz um exercício bastante interessante, mas não desapaixonado, sobre esta questão fundamental da nossa cultura. E conclui que a mulher tem tendência para se transportar para aquilo que escreve e que, enquanto não se distanciar, não conseguirá ser mestre da escrita. O que, para mim, resulta num importante conselho...
É um livro bom e muito interessante, testemunho de uma época e da luta feminina pelo seu lugar na literatura. Para mim, fica a importante mensagem: uma mulher precisa realmente do seu espaço, e também de tempo e paz de espírito para poder escrever. Ao menos, já sei o que me falta...

Maratona Fotográfica FNAC Lisboa 2011

No passado sábado, dia 28 de Maio, realizou-se uma Maratona Fotográfica, iniciativa da FNAC, em Lisboa. A maratona durou 14h, com pontos intermédios de 2h em 2h, onde nos eram dados temas para fotografarmos. Foi uma experiência muito interessante, que me fez fotografar com outros olhos e com outra emoção. De mais de 300 fotografias tiradas, foi depois preciso escolher uma por tema, para ir a concurso com os restantes participantes.

Deixo-vos, então, com as minhas escolhas.

Tema 1
“Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo.”



Tema 2
“Aprender é fundamental. Não só a olhar, mas a ver em profundidade, em detalhe, na globalidade.”


Tema 3
“A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”


Tema 4
“Lisboa do meu amor, deitada. Cidade por minhas mãos despida."


Tema 5
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.”


Tema 6
“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”


(todas as fotografias por Rita Barbosa)

A árvore da vida



O filme estreou e é claro que, com todo o alvoroço (e pouco depois de ter ganho a Palma de Ouro em Cannes), uma pessoa tinha que o ver. Mr. Terrence Malick, o senhor dos 5 filmes em 30-e-não-sei-quantos anos, teve, supostamente, um regresso em grande.
Ora, sobre isso, não posso tecer comentários, porque acho que não vi nenhum dos 4 filmes anteriores. Mas este "A árvore da vida" é um obra deveras estranha e que não me agradou. Não digo "nem um bocadinho", porque tem partes que até me emocionaram, mas no geral só me tirou um bocado do sério.
Então, porquê? Não sei bem explicar. Sejam as filmagens demasiado perfeitas, a falta de diálogo, os pensamentos esotéricos em voz off, tudo contribuiu para que não tenha gostado do filme. Mas o que realmente me desagradou profundamente foram os interlúdios dedicados à origem da vida, com imagens planetárias e afins... Por amor da santa, não há paciência. A história (sim, porque há uma, no meio disto tudo) concentra-se, principalmente, nos acontecimentos da vida que levam à perda da inocência e conduzem ao crescimento e maturidade. Apesar da premissa ser interessante, também não achei que a execução fosse particularmente brilhante, porque insiste em ser explícita em situações em que deveria deixar o espectador chegar às suas próprias conclusões.
Portanto, não gostei. Mas os meus manos adoraram, o que só mostra que o filme é capaz de suscitar todo o tipo de paixões. Ao menos isso.

PJ Harvey e o concerto mais curto da história



Bem, talvez não tenha sido o concerto mais curto da história da música, mas foi curto que chegue para os espectadores notarem. Miss PJ fez os seus primeiros concertos de sempre na capital do país (por aquilo que me foi dado a perceber), a propósito do seu novo álbum, "Let England Shake". Um álbum muito interessante e diferente do que a senhora tem feito até agora, mas do qual tenho gostado muito. O concerto incidiu, principalmente, nas músicas do último álbum. Mas, quando digo "principalmente", significa que apenas reconheci duas músicas que não fossem desse mesmo álbum, a saber "Down by the water" e "C'mon Billy". É provável que tenha havido mais umas quantas, mas não as reconheci, até porque a roupagem estava bastante diferente.
Ainda assim, o espectáculo foi um bom espectáculo, a senhora é realmente uma profissional (nem se esperaria outra coisa). Mas foi um espectáculo frio, sem grande sentimento. Miss PJ recusou-se a dirigir a palavra ao público até o concerto chegar ao fim, altura em que disse algo como "thank you and goodnight". Quando voltaram para o encore, apresentou a banda - os suspeitos do costume John Parish e Mick Harvey, e Jean-Marc Butty na bateria. Eles foram responsáveis por uma das partes muito boas deste concerto, a competência instrumental. Era tanta que às vezes nem parecia estarmos num concerto, mas sim a ouvir algo gravado em estúdio, tamanha era a "perfeição" estética das músicas. Isto foi, ao mesmo tempo, um ponto positivo e negativo, uma vez que fez com que o concerto perdesse alguma força e espontaneidade.
Foi, acima de tudo, um concerto competente de um álbum com fortes raízes no folk, com uma sonoridade que muito me agrada. Agora que a senhora anda deslumbrada com os agudos que é capaz de produzir, anda. E isso não é muito positivo...

Volta, PJ gutural! Tens mais jeito para cabra do rock do que para ser etéreo e angelical.

Indie Lisboa - La BM du seigneur



Imagine-se lá que já passaram mais de duas semanas desde que vi este filme francês na edição deste ano do Indie Lisboa. Só por aí, podem também imaginar que a impressão deixada não é muito favorável...
Então, este "La BM du seigneur" é um filme/documentário sobre um grupo particular de ciganos franceses (loiros de olhos azuis...), que vivem num parque de roulottes e que têm como ganha-pão roubar BMW's a gente rica. Certo dia, um deles tem uma aparição de Deus, que lhe deixa um cão, e a partir daí decide mudar de vida e nunca mais roubar. Mas a sua determinação irá ser colocada à prova...
Que posso dizer? Não muito. O filme é fraquinho, os actores (não sendo profissionais) são igualmente fracos e a história não convence. Ainda para mais, não é que o realizador estava presente na sala e houve sessão de perguntas a seguir à projecção do filme?!?...

Bem, se com pouca vontade andava de ir ao cinema, com menos fiquei depois disto. Preciso urgentemente de um bom filme para poder purgar esta experiência.

Max Frisch - Homo Faber



Prenda de Natal, chegou agora a vez deste "Homo Faber" saltar da secretária para a mesinha-de-cabeceira, e assim fazer parte das minhas leituras. Não conhecia nem este livro em particular, nem o seu autor, o suíço Max Frisch. Assim, as expectativas em relação a esta leitura eram praticamente nulas, não fosse o comentário de contra-capa aludir a Camus.... Aí, a minha curiosidade aguçou-se.
Ao ler este livro, depressa percebi o porquê das alusões a Camus - o sentimento do eu, enquanto ser volúvel que responde ao que se passa à sua volta, mas também as noções de coincidência e fatalismo, são temas que muitas vezes vemos nas obras do escritor argelino. Mas também a luminosidade da escrita é algo que vejo em ambos os escritores. "Homo Faber" é um romance escrito na primeira pessoa, voz activa de Walter Faber, um engenheiro pragmático, funcionário da UNESCO, que viaja pelo mundo em trabalho. Com uma mente puramente tecnológica e racional, Walter vê-se confrontado com uma série de acontecimentos inacreditavelmente coincidentes, que irão mudar o curso da sua vida.
Para além dos paralelismos com Camus, este foi um livro que também me lembrou Paul Bowles, outro dos meus autores de eleição. Talvez seja pelo movimento da escrita, semelhante à escrita de viagens.
É claro que, se num único autor consigo ter pontos de referência a dois dos meus escritores favoritos, gostei muito deste "Homo Faber". Por isso, levou-me apenas uma semana a lê-lo. Fico agora com muita vontade de ler outras obras de Max Frisch. O que se revela difícil, uma vez que não consta muito das prateleiras das livrarias portuguesas. Mas fica a vontade.

(Já agora: obrigada, João.)

Henry David Thoreau - Civil Disobedience and Other Essays



Quase três meses depois, finalmente terminei de ler a outra obra emblemática de Henry David Thoreau. Devo dizer, em abono da verdade, que ao mesmo tempo que lia este "Civil Disobedience", reli "Walden, ou a vida nos bosques", a propósito de um clube de leitura organizado em conjunto pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Embaixada dos EUA. Foi, portanto, uma dose dupla de Thoreau!!!
Esta obra inclui 4 ensaios, para além do que lhe dá o nome (Civil Disobedience): "Life without principle", "Slavery in Massachussetts", "A Plea for Captain John Brown" e "Walking". Este último vai buscar um pouco de inspiração a Walden, e é um ensaio interessante. Mas os que achei mais inspiradores foram Civil Disobedience e Life without principle. No geral, é uma obra muito rica e actual, faz-nos reflectir sobre temas bastantes actuais, como o capitalismo e o consumismo desenfreado (que começava, naquela altura, a dar os primeiros passos, após a Revolução Industrial). É para mim uma verdadeira inspiração ler uma obra como esta, visto que me revejo em muitas considerações feitas por Thoreau. É, na minha opinião, uma obra menos utópica do que Walden, mais ligada a pessoas e acontecimentos reais.

Deixo-vos com algumas citações (em inglês, porque é a língua em que foi escrito e em que o li), para vos, possivelmente, aguçar o apetite para futuras leituras.

"A man has not every thing to do, but something; and because he cannot do every thing, it is not necessary that he should do something wrong."

"Under a government which imprisons any unjustly, the true place for a just man is also a prison."

"It costs us nothing to be just."

"... for in order to die you must first have lived."

"There is no more fatal blunderer than he who consumes the greater part of his life getting his living. All great entreprises are self-supporting."

"Surface meets surface. When our life ceases to be inward and private, conversation degenerates into mere gossip."

Jane Eyre



Regresso a casa e regresso às rotinas, incluindo as sessões de cinema. Já se sabe que, quando o tempo começa a aquecer, a qualidade dos filmes em cartaz decresce a pique. Por isso há que aproveitar os poucos filmes com algum interesse que vão aparecendo.
Não sabia desta nova adaptação do marcante romance de Charlotte Brontë, Jane Eyre. Conhecia a versão de 1996, com Charlotte Gainsbourg e William Hurt nos papéis principais. Conhecia também a série de televisão de 2006. Esta última não me agradou muito como adaptação e do filme anterior tinha gostado muito, se bem que a atmosfera seja muito negra, talvez um pouco negra demais. Esta nova adaptação cinematográfica, a cargo de Cary Fukunaga, tem assim pontos que me agradam muito, nomeadamente uma luminosidade muito especial (porque Inglaterra não há-de ser sempre cinzenta...). A história, já todos devem conhecer - Jane Eyre, uma orfã rejeitada pela tia, de quem deveria ficar ao cuidado, tem uma educação rígida numa escola que a prepara para o ensino. Torna-se assim preceptora ao chegar à idade adulta e vai trabalhar para Thornfield Hall, onde desenvolve uma relação muito particular com o rude dono da casa, Mr. Rochester. Mas há ainda um terrível segredo que irá assombrar a relação entre os dois! Um clássico bem clássico, portanto.
Será, então, que um filme do qual já conheço toda a história consegue acrescentar alguma coisa ao que já foi feito? Pessoalmente, diria que sim. Há a questão da fotografia, à qual já me referi, e que gostei muito. Há também as interpretações de Michael Fassbender e Mia Wasikowska, que são de uma subtileza fantástica - conseguem dar toda uma profundidade às personagens que não me lembro de ver anteriormente. Só por eles, já vale a pena o filme. Gostei muito desta Jane Eyre, mais humana, ainda que metodicamente contida, mas onde conseguimos perceber as hesitações, apenas pela linguagem corporal - é quase como se nós mesmos conseguíssemos sentir os dilemas que a atormentam.
Por tudo isso, é um filme que justifica uma ida ao cinema, principalmente para quem gosta de clássicos. E, provavelmente, em tempos áridos como os que correm, não haverá muitos filmes assim.

Outra vez do outro lado do mundo...

Passaram menos de 6 meses e lá fui eu novamente para o outro lado do mundo, desta vez para paragens mais frias na América do Norte, mais concretamente para o Canadá.
Se os motivos da viagem foram profissionais, nada como aproveitar a deslocação para umas férias (já merecidas, por esta altura). Assim, fiquei uma semana a passear pela região da Colúmbia Britânica (ou British Columbia, no original), região que inclui a cidade de Vancouver e também a capital de província, Victoria - visitei ambas! Durante uma semana, houve sol, neve, arranha-céus, montanhas, bosques verdejantes - e muito mar. Houve, então, paisagens para todos os gostos, e paisagens bonitas. amplas. São de uma amplitude que não estamos muito habituados por cá, talvez porque há tanto espaço que grande parte dele acaba por ficar livre, perante os nossos olhos.
Foi uma viagem importante para mim. Pela experiência. Pela forma como me "enfrentei" a mim mesma durante esse período. Pelas dificuldades que encontrei e fui capaz de ultrapassar. E também pelas possibilidades que daí advieram - afinal, viajar sozinha não é nenhum bicho-papão.

Agora, ficam as fotografias.


Edifício do Governo, Victoria

Estátua de Emily Carr, ilustre artista de Victoria

Jardins da casa do governador, Victoria

Stanley Park, Vancouver

Esculturas do artista plástico chinês Yue Minjun, inseridas na bienal de Vancouver

Ruas de Vancouver

Whistler, local onde foram realizados os Jogos Olímpicos de Inverno em 2010

Teleférico entre as duas montanhas de Whistler


Whistler depois do nevão


Fotografias por Rita Barbosa

Num mundo melhor



A escolha para a última sessão de cinema durante um período de tempo mais ou menos longo foi o filme vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, o dinamarquês/sueco "Num mundo melhor", de Susanne Bier.
O filme versa, principalmente, sobre a dualidade entre a vingança e o perdão, com subtilezas que incluem o efeito destes sentimentos na formação de personalidades e nas relações interpessoais. Cruza as histórias de duas famílias, cujo ponto de contacto é a relação entre Elias, filho de Anton e Marianne, um casal em separação, e Christian, filho de Claus, cuja mãe morreu de cancro há pouco tempo, tendo obrigado a família a mudar-se de Londres para uma pequena cidade na Dinamarca. Anton é um médico que divide a sua vida entre a Dinamarca e um campo de refugiados, em África, onde exerce a sua profissão, e em ambas as realidades da sua vida se vê confrontado com o dilema supracitado, entre vingança e perdão. Anton acredita que o perdão é a resposta, mas o facto do filho Elias ser vítima de bullying na escola vai pôr as suas crenças em perspectiva...
"Num mundo melhor" é um filme interessante e bem feito. Não traz nada de novo, apenas pega em assuntos que todos conhecemos - do nosso dia-a-dia ou das notícias. Talvez por isso, não me fascinou particularmente, mas também não desgostei. Agora ter ganho o Oscar... Não sei. Não me lembro quem eram os outros candidatos, por isso não me pronuncio. Mas que não me pareceu estar particularmente à altura, não.

Mais um Clubbing Optimus, mais um grande concerto



Para fechar com chave de ouro uma semana que começou em beleza, sábado trouxe consigo mais um Clubbing Optimus na Casa da Música. O de Março foi um bocadinho alternativo, mas em Abril voltaram os cartazes apetecíveis, com a actuação de Roy Ayers, um senhor de 70 anos que é uma lenda viva do jazz rítmico. Claro que eu só soube disto depois de ser anunciado o cartaz do Clubbing, mas ainda assim é muito bom conhecer coisas novas (mesmo que já sejam antigas), principalmente quando são boas.
Continuamos em trio, se bem que com membros diferentes - desta vez, ficou tudo em família. O serão foi calminho, com jantar italiano (com alguns percalços) e depois um chill-out no bar da Casa da Música antes do concerto propriamente dito. O público estava, aliás como de costume, bastante ecléctico, com pessoas de todos os tipos e idades. O que é bom para refrescar os olhos.
Apenas assistimos ao concerto de Roy Ayers, mas não creio que a noite pudesse ter sido melhor do que foi: energia, energia, energia. Que banda espectacular! Embora a média de idades dos músicos não fosse baixa, não se notava nem por um momento, com um ritmo louco que dominou todo o concerto. O facto de grande parte do repertório não me ser familiar não atrapalhou em nada. Foram cerca de 90 minutos de pura diversão. No final, tivemos direito a sessão fotográfica e de autógrafos, da qual só aproveitámos estes últimos. Para mais tarde recordar. Porque a vida tem destes momentos bons.

9ª Festa do Jazz do São Luiz - O trio maravilha, seguido de uma sobremesa docinha



Sexta-feira trouxe consigo o primeiro dia da 9ª Festa do Jazz do São Luiz. Para mim, acho que foi mesmo uma primeira vez, embora a minha memória não seja propriamente de fiar.
O cartaz do primeiro dia incluía, como "cabeças de cartaz", as actuações do Bernardo Sassetti Trio e do projecto colaborativo entre Maria João e a Orquestra Jazz de Matosinhos. O trio conta, para além de Bernardo Sassetti, com Carlos Barreto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Um colectivo de habitués, portanto. Com algumas composições originais e outras adaptadas, envolveram a sala principal do São Luiz com a sua música por vezes mais enérgica, outras mais suave, mas sempre... "quente" (à falta de melhor adjectivo). Apesar de ser sexta-feira à noite, de todo o cansaço acumulado, estive bastante desperta durante a actuação do trio maravilha. Depois de um breve intervalo, foi a vez de subirem ao palco a Orquestra Jazz de Matosinhos e Maria João, que num projecto conjunto deram uma nova roupagem a variadas composições, quer de trabalhos anteriores de Maria João, quer de músicas pertencentes ao cancioneiro popular brasileiro, entre outras. O resultado, a ser brevemente editado, tem como título Amoras e Framboesas. Os arranjos de uma big band dão, algo obviamente, um outro ar às músicas. A interpretação de Maria João é fiel a si mesma, sempre altamente versátil. Mas não sei se a junção das duas coisas me convenceu por inteiro... Houve algum cansaço pelo meio, que me levou a desligar um pouco do que estava a acontecer à minha volta. Talvez por isso tenha ficado mais distante desta segunda parte da noite do jazz do que da primeira, liderada pelo trio de Bernardo Sassetti. Mas não sei se não gostarei mesmo mais do estilo musical deles... É difícil dizer, porque são muito diferentes.
De qualquer forma, foi uma noite muito interessante. As ruas cheias de gente, o passeio pelo centro da cidade, a temperatura agradável... Vai-se a ver, Lisboa até tem coisas boas. ;)

Mel



Mel é um filme turco realizado por Semih Kaplanoglu. Terceira e última parte de uma trilogia que anda para trás, Mel acompanha o percurso de Yusuf enquanto criança (os outros dois filmes, Yumurta, de 2007, e Süt, de 2008, referem-se à sua meia-idade e juventude, respectivamente). Yusuf vive com o pai e mãe numa zona remota da Turquia. O pai, recolector de mel, é o grande amigo do menino, a única pessoa com quem consegue ultrapassar o seu problema de comunicação. Os tempos estão difíceis na recolha de mel, que escasseia na região, e o pai de Yusuf vê-se obrigado a ir cada vez mais longe para colocar as suas colmeias. E, numa dessas expedições, não regressa a casa, deixando o filho imerso no seu silêncio.
Mel é um filme pungente. A acção é extraordinariamente lenta, os diálogos são escassos, e ainda assim é dos filmes mais belos e comovedores que já tive oportunidade de ver. Os planos de realização são normalmente demorados, talvez para nos fazer absorver o ritmo das vidas que ali são vividas. O ritmo de quem saboreia a Natureza que o rodeia, o verdadeiro ritmo das vidas a serem vividas. Desenganem-se se pensam que, por ser lento, o filme deixa de ser intrigante e de nos deixar presos à cadeira - é precisamente aí que vão ficar até perceberem o que acontece a Yusuf. Brilhantemente interpretado por Bora Altas, que está no filme como peixe dentro de água (não percebo como uma criança tão pequena é capaz de tal coisa) - e aqueles grandes olhos pretos... uma doçura.
Uma pequena grande obra prima, que me parece totalmente merecedora do Urso de Ouro no último Festival de Cinema de Berlim. A mostrar que há muito bons filmes por esse mundo fora, e que, com pouco, se pode fazer muito.

Souad Massi ao vivo na Fundação Gulbenkian, ou a voz quente que aconchega a alma em noites chuvosas



Uma segunda-feira chuvosa trouxe consigo este concerto de Souad Massi, cantora argelina que eu muito aprecio. Oportunidade para conhecer o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, onde nunca tinha estado (se bem me lembro). Souad Massi fez-se acompanhar de um quarteto de outros músicos, que no seu conjunto mais pareciam uma família do que uma banda...
O concerto teve como mote o lançamento do novo álbum de Massi, intitulado "Ô Houria", que em português significa Liberdade. Um título apropriado se pensarmos que Massi tem pautado a sua vida pessoal e artística por um activismo político que, inclusivamente, já lhe custou períodos de prisão no seu país natal. Esse mesmo que está em guerra civil praticamente desde 1992. Adiante. O alinhamento do concerto esteve mais ligado a este novo álbum, o qual não conhecia, mas também houve direito a passagens pelos anteriores "Raoui", de 2001, e "Mesk Elil", de 2006, do qual cantou a minha muito querida "Ilham" (que em português será Inspiração, nem de propósito). Foi um concerto que me fez, sobretudo, sonhar. De repente não estava ali, na Gulbenkian, mas num qualquer país distante. Quem sabe se na Argélia, país que muito curiosidade me suscita, se pensar que também foi de lá que veio o "meu amigo" Camus...
Um serão bonito e memorável, que acabou em casa da prima Carol a beber cházinho e a ouvir o já citado "Mesk Elil", para fazer perdurar na memória esse ambiente de sonho para o qual fomos transportadas pela bela Souad.

True Grit - Indomável



Na passada semana não houve sessões de cinema, por motivos principalmente relacionados com preguiça, mas esta semana estou de volta e com um filme de peso: Indomável (True Grit no original), última obra dos irmãos Coen. Uma aventura, portanto, depois do que foi assistir ao filme anterior deles (Um homem sério)...
A minha disposição geral era mesmo dormir. E não estava propriamente com grandes expectativas em relação ao filme. Foi mais do género "vamos ver como isto corre". Talvez por isso tenha gostado bastante. Não é um filme espectacular, mas é um filme bem feito e competente. A história é simples: Mattie Ross (Hailee Steinfeld), de 14 anos, quer vingar a morte de seu pai e para tal contrata o US Marshal mais implacável de todos os tempos - Rooster Cogburn (Jeff Bridges). A saga de ambos em busca de Tom Chaney, o dito assassino, será recheada de percalços e aventuras, incluindo a companhia de um Texas Ranger (Matt Damon) - humor e acção, eis o que mais povoa este filme. As interpretações são muito boas, cada um a seu jeito. Matt Damon tem aqui um papel realmente diferente daqueles a que nos tem acostumado. A jovem Hailee tem uma estreia cinematográfica em grande. E Jeff Bridges... igual a si mesmo.
Será que posso então dizer que os irmãos Coen se redimiram da impressão que deixaram com o último filme?... Não sei. É sempre melhor deixar um pézinho atrás, porque com estes senhores nunca se sabe o que vem a seguir. Mas que gostei deste "Indomável", gostei. Até me deixou com vontade de ver outros westerns (uma grande falha na minha cultura cinematográfica - entre outras).

Blue Valentine - Só tu e eu



Este é um filme sobre a separação. Consequentemente, é um filme doloroso. Talvez não deprimente, mas é impossível sair bem disposto da sala de cinema depois de o ver...
Dean e Cindy são um jovem casal em ruptura. Quando a narrativa começa, têm eles uma filha de 6, 7 anos. A partir daí, o filme vai-nos contar as circunstâncias em que se conheceram, misturadas com momentos presentes, e a história deles vai-se desenrolando. Parece-me extremamente difícil dizer mais do que isto sobre o filme. É um daqueles filmes que tem mesmo que se ver para se perceber o impacto que tem.
Ryan Gosling e Michelle Williams estão soberbos. O filme está realizado de uma forma inteligente. Sinceramente, até sinto dificuldades em expressar-me porque tudo o que me ocorre me parece demasiado banal. Deixou-me emocionalmente quebrada. Com um aperto no peito.
E mais não digo. Se vos parece interessante, vejam-no. Vale muito a pena.

Azul longe nas colinas



Esta ida ao teatro já estava há muito planeada, mesmo antes da peça estrear, para dizer a verdade. Tudo para poder aproveitar os bilhetes a metade do preço às quintas-feiras... Que uma pessoa gosta destas coisas, mas se puder poupar, tanto melhor (até porque estamos em tempo disso).
Bem, tenho que confessar que a razão mais principal de todas para ter ido ver esta peça foi o facto do Albano Jerónimo constar do elenco... Eu sei, nada nobre, esta razão, mas há que ser sincera nestas situações. Razões à parte, o elenco é muito bom, Albano incluído. Então e a história? Sete miúdos, amigos, passam os seus tempos livres em brincadeiras num bosque perto de suas casas, imitando as rotineiras vidas dos adultos. Sete crianças, interpretadas por adultos, a brincar aos crescidos... Interessante, no mínimo. A história, embora simples, encerra muita da complexidade humana. O nosso desejo, enquanto crianças, de imitar o que vemos à nossa volta, muitas vezes sem a capacidade de percebermos o que é certo ou errado. A natural falta de consequências nos seus actos faz com as crianças sejam, por vezes, cruéis, e é também isso que vemos retratado na peça. Tal como há tanto que nos é inerente, e não apre(e)ndido...
Esta reflexão sobre a natureza humana é obra de Dennis Potter, autor inglês, a encenação é de Beatriz Batarda, a música do seu marido, Bernardo Sassetti, e no elenco, para além do supracitado Albano Jerónimo, temos Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz e Nuno Nunes. Em cena na sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, até 20 de Março. E vale bem uma ida ao teatro.

O Discurso do Rei




Sessão de cinema pós cerimónia dos Oscares, não poderia trazer outro filme que não o vencedor, este "O Discurso do Rei", de Tom Hooper. O filme, que deu igualmente o Oscar de Melhor Actor a Colin Firth, conta a história do rei George VI e da relação que estabelece com Lionel Logue, um terapeuta da fala australiano, a quem recorre para ultrapassar a sua gaguez. A história centra-se no período da década de 1930, com a morte do rei George V, o problema da sua sucessão (George VI sobe ao trono após a abdicação do seu irmão, Edward), e a iminente II Guerra Mundial. Para além dos desafios políticos, o rei enfrenta o seu maior desafio, esse pessoal - o de ultrapassar o seu problema de fala.
Se, por um lado, é um filme clássico e tipicamente orientado para os Oscares, por outro lado não deixa de ser um filme muito bem feito e bonito. As interpretações são soberbas (tanto de Colin Firth, como de Geoffrey Rush e de Helena Bonham-Carter, como Rainha-Mãe, essa personagem tão acarinhada), há pormenores de realização fantásticos (enquadramentos, fotografia, etc.) e a luz dos planos exteriores... linda. Há uma cena em particular que adorei, filmada nos jardins de St. James, junto ao Palácio de Buckingham (se não me engano), em que a luz é tão difusa que os planos mais parecem pinturas.
Por isso, é um belo filme. Dá gosto ver. Mesmo que seja um clássico. Mas não há nada de mal nisso, não é?...

Clubbing Optimus - Fevereiro 2011, ou o rapaz de Tondela seguido pelo virtuoso da guitarra (ainda com tempo para ouvir o amor que nos separa)



Fim-de-semana de rumo a Norte, com planos variados e muita vontade de passear! Entre esses planos, constava este Clubbing de Fevereiro, na agenda há quase um mês... A companhia alterou-se ligeiramente (em relação ao último), mas nem por isso foi menos interessante. Numa noite de revivalismos, começámos por rumar até à sala 2, por onde tocava Samuel Úria, o música orgulhosamente tondelense, embora vendido a terras lisboetas... 45 minutos de voz e guitarra, a tocar o seu álbum "Nem lhe tocava". Muito simpático e falador, a honrar as suas origens beirãs (ficou todo contente quando a Marta gritou "Viseu" - há aí alguém de Viseu?, perguntou o rapaz), munido de todo o seu charme para seduzir uma plateia de cerca de 100 pessoas. Que desapareceram ainda antes da última música, porque na sala Suggia começava Peter Hook a tocar o álbum emblemático dos Joy Division, "Unknown Pleasures", em homenagem aos 30 anos que passaram pela morte de Ian Curtis. Já eu, para ser diferente, fiquei mesmo por lá, para ver Norberto Lobo, o rapazito da guitarra. Bem, mas que transformação! Da fragilidade do seu aspecto à pujança da música que extrai de uma simples guitarra. Momentos de reflexão, portanto, que muita falta fazem nestes dias... No final, ainda deu para ir até à Suggia, onde consegui apanhar o fim do concerto, com direito a ouvir "Transmission" e "Love will tear us apart" - a cereja no topo do bolo. Para acabar, ainda fomos até ao restaurante no último piso, abanarmo-nos ao som de DJ Kitten. Assim se passou um serão, cheio de música.

Pena que o Clubbing de Março não pareça minimamente interessante...

Sexo sem compromisso



Na semana passada, com tantos filmes candidatos ao Oscar, resolvemos simplificar e ir ver um filme levezinho, porque ninguém estava a querer pensar demasiado... A escolha acabou por recair neste "Sexo sem compromisso", com a agora vencedora do Oscar Natalie Portman e Ashton Kutcher, o sr. Demi Moore. Claro que a história é previsível, claro que é a típica comédia romântica. Não estava à espera de outra coisa. Os actores estão bem nos seus papéis, ela médica, ele qualquer-coisa na produção televisiva. Conhecem-se enquanto adolescentes e vão-se cruzando ao longo da vida. Já adultos, encetam uma relação sem compromisso - são amigos única e exclusivamente para sexo. Claro que isto não irá correr bem e, a determinada altura, começam a criar expectativas em relação um ao outro, seguidas de encontros e desencontros que culminam no habitual final feliz.

(longo suspiro)

Quer dizer, para quem não queria ver filmes deprimentes... Não é que este me tenha deixado particularmente bem disposta. Mas, se calhar, já tem mais a ver comigo, do que propriamente com o filme. Para a semana será melhor.