Richard Zimler - Meia-Noite ou o Princípio do Mundo




Prenda de aniversário que me suscitou alguma desconfiança, derivada do facto de nunca ter lido nada do autor, este "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo", de Richard Zimler, foi uma agradável surpresa. O livro conta-nos a história de John Zarco Stewart, desde a sua infância até ao início da meia-idade, no início do século XIX. E que viagem será esta!
John é filho de uma judia portuguesa e de um escocês, e vive no Porto. Devido à perseguição religiosa ainda presente no país, John desconhece a sua herança cultural, mas não deixa de ser uma criança de uma sensibilidade extrema. E as suas experiências de infância vão marcá-lo e persegui-lo para o resto da vida. Nós, leitores, somos convidados a acompanhar esse percurso, a desvendar os mistérios que lentamente se vão desenrolando...
Toda esta meada está muito bem enredada, e a forma como a história evolui acontece no ritmo ideal para manter o leitor interessado e ávido de respostas. Assim, a leitura deste livro de mais de 500 páginas foi feita num ápice, e com muito prazer. Recomendo vivamente.

Eels ao vivo no Coliseu dos Recreios, ou a noite do Blues Rock




O regresso de Mr. E a palcos portugueses, passados 9 anos de ausência, ocorreu no passado dia 19 de Setembro, com um concerto único no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
A noite estava calma, com pouca afluência de público aquando das 2 primeiras-partes a que o concerto teve direito. Só depois das 22h é que Mr. E e sua banda, todos barbudos e com óculos-de-sol, subiram ao palco, agora com mais público na audiência - primeiro mais calmamente, mas foi "sol de pouca dura". Ao fim da segunda ou terceira música, entraram na onda de blues rock electrizante que viria a caracterizar o concerto. Um concerto de pura energia, quase sem interrupções - o que facilitou a vida a pessoas como eu, que não conhecem assim tão bem a discografia do senhor. Do pouco que reconheci, Mr. E's beautiful blues teve direito a uma roupagem que quase a deixou irreconhecível, cantada ao som de La Bamba...
Mr. E, com o seu fato-de-macaco branco e lenço na cabeça (ao estilo ZZ Top!), esteve muito bem. Diferente do que estava à espera (um concerto mais intimista), mas muito bem. Antes assim. Pelo menos, não temos que nos preocupar com a sua depressão. Não enquanto houver esta catarse pelo rock. Para já, está a salvo.

Solércia




Há coisa de pouco mais de uma semana, fui, por sugestão da família, ver este espectáculo de nome Solércia. Representado pela companhia teatral TapaFuros, tem como espaço cénico a Quinta da Regaleira, em Sintra, onde diferentes obras de Gil Vicente vão sendo abordadas em diferentes espaços da Quinta.

O espectador segue os actores, por entre jogos de luz e sombra. Confesso que, ao início, havia naquele ambiente algo que me assustou: a capela recortada, habitada por seres mascarados, quase que me transportou no tempo...

Apesar da estranheza inicial, é uma experiência que vale muito a pena. A Quinta da Regaleira é um espaço lindo, perdido entre contos de fadas e rituais de iniciação. Tudo é simbolismo, lembrando, talvez, um significado maior para a vida. É, assim, uma forma priveligiada de visitar a quinta, ainda mais mágica, guiada por esses seres de outros tempos...

O espectáculo estará em cena até dia 10 de Outubro, de quinta a sábado às 22h, e aos domingos às 21h. Na Quinta da Regaleira, um serão bem passado.

O norte de França numa viagem de carro

O início do mês trouxe consigo uma viagem por terras alheias, há muito ansiada. Os detalhes serão pouco, ficam apenas as imagens, testemunho da beleza do mundo.


Bordéus, junto ao rio


Mont St. Michel (como que um conto de fadas)


Omaha Beach, uma das praias normandas do dia D


Jardim do pintor Claude Monet, em Giverny


Dune du Pylat, a maior duna da Europa
Fotos por R. B. e R. G.

Mia Couto - Na berma de nenhuma estrada




Já lá vai algum tempo desde que li esta compilação de contos de Mia Couto, intitulada "Na berma de nenhuma estrada". Como já podem ter dado conta, Mia Couto é um escritor que muito aprecio, tanto ao nível da prosa, como ao nível da poesia. Talvez por isso mesmo este livro me tenha deixado desiludida. Habituada à riqueza de expressão do autor moçambicano, achei este livro pobre, principalmente no que se refere à construção das (pequenas) histórias. Ficámos sempre à superfície, sem vontade de mergulhar. Talvez porque não haja profundidade suficiente...

Ainda assim, não é por isso que deixarei de seguir a obra deste autor, o qual claramente merece a minha atenção. Mesmo que, de vez em quando, apareça uma obra menor.

O Escritor Fantasma




Depois de "A Origem" (um óptimo filme) veio este "O Escritor Fantasma", o mais recente filme de Roman Polanski.
Ewan McGregor interpreta o papel principal do escritor que é contratado para rescrever as memórias do antigo primeiro-ministro britânico, Adam Lang. Contrato esse que surge depois de a pessoa que estava inicialmente encarregada dar à costa sem vida. Esta tarefa, aparentemente "inofensiva", parece, afinal, acarretar sérios riscos - há todo um enorme mistério em volta da vida de Lang e do início do seu percurso político...
As premissas são, então, boas para o filme de suspense que se apresenta. Mas a pena é que o filme promete mais do que aquilo que realmente dá. Em termos de história, está claro, porque achei que as interpretações foram bastante boas, com um Ewan McGregor de volta à boa forma (em todos os aspectos...). De resto, não consegui sentir um verdadeiro crescendo do mistério, a culminar no final, o qual, ainda para mais, não achei particularmente interessante!
Mas pronto, não posso dizer que não seja um filme interessante. Um bom passa-tempo, com certeza. Mas não muito mais do que isso.

A Origem




Regresso aos filmes. E que grande regresso, por sinal. Quis o destino que este "A Origem" (Inception, no original), o mais recente filme de Christopher Nolan, estreasse em pleno Verão, altura pouco propícia a cinema de qualidade. Nolan, esse, que eu muito aprecio e que realizou, há uns anos atrás, o filme que dá nome a este blog. Entre outros filmes (que eu vi quase todos...). Pronto, já deu para perceber que sou, digamos, uma fã.
A história talvez já conheçam: numa realidade em que é possível entrar na mente das pessoas através dos sonhos, há uma pessoa, Cobb (interpretado por Leonardo Dicaprio), cujo talento é ímpar em tal tarefa. Afastado dos E.U.A. por um crime misterioso, é-lhe dada a oportunidade de se redimir através de um pedido único: gerar uma memória na mente de alguém.
E por estes caminhos, de realidade em realidade, somos levados, pelo mundo dos sonhos. É engraçado como certas cenas parecem tão familiares, sugerindo sentimentos que normalmente nos são trazidos pelos sonhos.
O filme é muito bom e vale uma (ou mais) ida ao cinema, por isso não vou tecer mais comentários à trama. Apenas digo que foi dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, daqueles que nos faz sair do cinema com a adrenalina em alta. Acho que ainda o vou ver outra vez.

A minha rica terrinha

Porque o tempo foi de férias em Cinfães, coisa que já não acontecia há muito, muito tempo, quero partilhar aqui alguns dos momentos vividos por lá. Se bem que nem todos tenham sido, propriamente, em Cinfães!


O jardim Serpa Pinto, florido

As minhas Aveleiras, onde houve uns mergulhos bem bons

No caminho para as Aveleiras - Açoreira


Os anos da Marta

Chaves

Gato trasmontano

Em Chaves (se alguém precisar...)

Pedras Salgadas


Um coração a bater de amor - no casamento do ano :)
Fotografias por Rita Barbosa

Um homem na escuridão - Paul Auster





As minhas leituras não têm andado particularmente prolíferas. Muita preguiça é no que dá. Mas este "Homem na Escuridão", de Paul Auster, conseguiu retirar-me momentaneamente desse marasmo e, durante uma semana, andei entretida com a sua leitura.
O livro é bem ao jeito de Auster (como algumas pessoas dizem, todos os seus livros são vagamente semelhantes...) - um narrador que facilmente se identifica com o escritor, e que conta uma história dentro da história.
August Brill é um homem nos seus 70, 80 anos, que vive com a filha e a neta. Crítico literário, vive atormentado com o seu passado, se bem que lá não está nenhum segredo oculto. Há apenas as memórias e as ausências do presente. E para não pensar nelas, August conta-se histórias, inventa enredos e personagens. Que ganham vida na sua imaginação. Assim passa as noites de insónia, que teimam em persegui-lo. E que perseguem também a sua neta, essa sim atormentada por acontecimentos recentes.
Estão lá, assim, todos os ingredientes típicos de Auster. Os enredos familiares (mais ou menos desfeitos), a procura da catarse por auto-inflingido sofrimento, as histórias em espiral sem que se perceba muito bem onde está a realidade...
Gostei do livro, que é bom de se ler. E também gostei de ter ultrapassado a minha apatia, mesmo que tenha sido por apenas uma semana. Pode ser que lhe ganhe o gosto.

São Miguel - Açores

Estou de regresso ao continente, depois de uma bela semana de férias nos Açores, mais precisamente em São Miguel. Foi a minha primeira incursão às nossas ilhas, e devo dizer que gostei muito. Estou apaixonada pelos campos verdes e pelo mar azul - tudo uma imensidão.

Fica a vontade de conhecer mais e mais. Toda a beleza do mundo. :)

Aqui estão algumas amostras das belas paisagens que vi por lá.

Lagoa das Sete Cidades

Vila Franca do Campo


As belas e omnipresentes hidrângeas


Portas da cidade, Ponta Delgada



Plantações de chá da Gorreana


Lagoa do Fogo


Vista do miradouro de Santa Íria



Fotografias por Rita Barbosa

Partir



Regresso ao cinema, para ver este "Partir", que estava na calha basicamente desde a sua estreia. A história não é muito complicada. Suzanne e Samuel são um casal, ela inglesa, ele francês. Vivem em Nîmes, no sul de França (saudades...), têm dois filhos adolescentes. Ele é médico, ela é fisioterapeuta, mas deixou a profissão com o casamento. Banal, portanto. Suzanne decide retomar a sua actividade e, para tal, fazem obras num anexo da casa, que irá dar lugar ao consultório. Ivan, catalão, é o trolha encarregue da obra. E tudo desmorona quando Suzanne e Ivan se apaixonam. Ainda assim, a história continua sem grande novidade.
Então, o que tem de interessante este filme? (na minha opinião pessoal, está bom de ver...)
Primeiro, a paixão entre Suzanne e Ivan é uma coisa física. Ardente e incontrolável, é certo, mas parece não passar do primeiro patamar. Não obstante, juntos, mas principalmente ela, irão enfrentar tudo, desde as recriminações sociais até às dificuldades económicas.
Este tipo de relação coloca-me sérias reservas. Assim, é um filme para reflectir. Até sobre o que se quer da vida. Sobre a forma como nos relacionamos com os outros. Sobre o que significa VIVER.

Às tantas, ainda acho que era assim que o filme se deveria chamar...




Duas pequenas notas:

1 - é engraçado ver os dois protagonistas a falar francês, quando nenhum dos dois o é.

2 - há um pequeno diálogo, completamente secundário, em que é possível ouvir o sotaque do sul de França - lindo!

Os Todos Poderosos




No passado domingo, os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian receberam os lendários Le Tout-Pouissant Orchestre Poly-Rythmo, do Benim. Estes senhores, oriundos de Cotonou, estão em actividade desde os anos 1960, misturando funk, soul e afrobeat, com um ritmo contagiante. Agora, praticamente 50 anos depois, ainda estão aí para as curvas, cheios de energia, a mostrar que a idade nada é mais do que um número numa folha de papel.
O concerto, ao fim da tarde, foi um pedaço de alegria. Ao fim da segunda música já havia gente por todo lado, incluindo no palco, a dançar. O anfiteatro transformou-se, assim, num local de comunhão, como se público e banda fossem todos uma grande família. E com muitas crianças à mistura!
Vale a pena poder usufruir da oferta cultural da capital. Principalmente, destas pequenas pérolas que por cá vão aparecendo, dando-nos a oportunidade de viver experiências únicas. É preciso é estar atento.

Em Roma



Na expectativa de me entreter enquanto esperava por uns e outros que chegavam de comboio, fui ver este "Em Roma", definido como comédia romântica (está bom de ver).
A história não prometia nada de extraordinário. Uma jovem curadora de arte, trabalhadora e bem sucedida, com azar no campo pessoal, vai a Roma ao casamento da irmã mais nova com um italiano, que conheceu duas semanas antes. No casamento, em Roma, interessa-se por um dos amigos do noivo e pensa ver o seu interesse correspondido, mas entretanto vê o rapaz atracado a uma fogosa italiana e a sua velha frustração volta. Em revolta, entra na dita Fonte dos Amores (local que eu não reconheço, apesar de já ter ido a Roma...) e resolve roubar moedas dos "tontos" que, na esperança de um amor, as atiraram para lá. E, assim, lança um feitiço, porque os donos dessas moedas vão apaixonar-se por ela e persegui-la! Voilà a história de tão belo filme!
Qualquer um teria percebido que esta sinopse não auguraria nada de bom, mas eu achei que sim e lá fui, sozinha, ver o dito filme. Que se revelou muito fraquinho... Os actores têm prestações sofríveis, a história é completamente previsível, e o suposto humor é do mais desinteressante que já vi. Mas, pronto, se era para passar o tempo, é verdade que ele passou. Foi uma hora e meia de "puro" entretenimento. E mais nada.
O aspecto positivo é que voltei às sessões de cinema sem companhia, o que já não acontecia desde os tempos de Montpellier. Espanta-se, então, esse fantasma. E valha-nos o cartão Medeia para estas "aventuras", porque, de outra forma, seria simplesmente uma perda de tempo.

Vencer




Aproveitando o facto de se aguentar em cartaz há já algum tempo, fui ver o mais recente filme de Marco Bellocchio. Apesar de ter no seu currículo filmes bastante emblemáticos, para mim foi uma primeira vez.
Este "Vencer" conta uma situação não muito clara da história italiana do século XX. A vida de Mussolini tem um segredo: a existência de uma mulher e de um filho, que foram apagados de todo e qualquer registo.
Ida Dalser, fantasticamente interpretada por Giovanna Mezzogiorno, é amante de Mussolini durante o seu período socialista, e é ela que vai fazer tudo para que o homem que ama atinja todos os seus objectivos. Mas com a sua ascensão, Mussolini vai fazer desaparecer esta realidade, e Ida, juntamente com o filho de ambos, vai ser perseguida pelo regime.
O filme é, então, o espelho de uma luta pela identidade. O que será sentir que o mundo à nossa volta nos engole e recusa a nossa verdade pessoal?... Claustrofobia. Acima de tudo. Um desespero atroz, ao ver aquela mulher desfazer-se em pequenos pedaços, sem nunca negar a sua verdade.
No meio disto tudo fica, naturalmente, a dúvida. De quem era o delírio?
Um filme muito bom, com prestações muito boas tanto em termos de actores, como da construção histórica. A valer inteiramente uma ida ao cinema, mas preparem-se, porque não é para qualquer um.

As Ervas Daninhas




Tenho andado cansada e pouco inspirada para a escrita. Mas tenho mesmo que pôr este blog em dia, ou daqui a nada tenho uma dúzia de filmes sobre os quais escrever! Vamos lá, então.

Na passada semana, foi ver o mais recente filme de Alain Resnais, conhecido realizador francês com quase 90 anos, de seu nome "Ervas Daninhas" (no original, Les Herbes Folles). O filme começa com Marguerite Muir a ter a sua carteira roubada em Paris. Mais tarde, Georges Palet encontra o porta-moedas dela caído à beira do seu carro, estacionado no parque de um centro comercial. Abre o porta-moedas e fica fascinado com a personagem que ali "vive" - através da documentação de Marguerite. Entrega o porta-moedas à polícia, mas não sem antes tentar contactar Marguerite, cujo número descobriu através das páginas amarelas... E assim começa uma obsessão, salpicada de toques humorísticos, mas algo assustadora, porque a mente de Georges é um pouco retorcida. A relação entre Georges e Marguerite irá ser tudo, menos normal.
Estamos, então, na presença de um filme peculiar. Um pouco estranho, até. Às vezes, os franceses (lá estou eu a generalizar) têm um sentido de humor algo transcendente, um pouco surrealista mesmo. E acho que este "Ervas Daninhas" está nesse registo. Tem humor, é verdade, mas de gosto um pouco duvidoso.
Assim sendo, não gostei particularmente, mas soube bem ver um filme francês, estava com saudades.

Wendy and Lucy



Demorei um certo tempo até escrever sobre este filme porque, apesar de a história não ser particularmente rica, nem o filme muito bonito (em termos fotográficos), acaba por ter uma beleza imensa que ultrapassa tudo isso, e que me pôs a chorar logo a meio do filme. Assim, foi preciso digerir um bocadinho para poder escrever por cá.
Vamos então à história. Wendy é uma rapariga, em viagem, à procura de uma oportunidade de vida no Alaska. Consigo traz Lucy, a sua companheira de sempre, uma mistura de Pointer com Labrador. Algures no Oregon, pára para passar a noite. Na manhã seguinte, o carro, um velho Honda Accord, não pega. É preciso que seja visto por um mecânico, que teima em não aparecer na oficina. Daqui se começa a perceber que toda a história será um seguimento de "pequenas" contrariedades. Que culminam no desaparecimento de Lucy, despoletando, assim, uma espiral de desespero. Mas Wendy não espelha esse desespero. A câmara segue-a, de forma quase obsessiva, e a sua expressão parece não se alterar, aconteça o que acontecer.
Mas a calma é aparente, e decisões precisam ser tomadas. Nesta altura, já eu chorava baba-e-ranho, com soluços e tudo (que vergonha!...). Mais que previsível, esta minha reacção...
Como é possível constatar, o filme não é muito rico. Aliás, a acção está praticamente dominada por Wendy, uma Michelle Williams seráfica. Por isso, não é um filme para todos os gostos. A mim, tocou-me particularmente, mas a minha sensibilidade em relação às relações com animais é conhecida...
Tenho é que me controlar mais, saí da sala de cinema com a cara toda às manchas. Não sou uma chorona discreta.

Renovação

Como podem dar conta, este blog tem novo aspecto. Graças às funcionalidades do Blogger, é agora possível alterar o design do blog quase automaticamente, por isso é provável que vá experimentar um pouco nos próximos tempos...
Para já, parece-me mais airoso com este aspecto renovado.

Um ano passou...

... sobre esse dia em que a magia aconteceu. Um ano de muitas aprendizagens e repleto de emoções. Para culminar num dia de muita alegria, em que a pimpolha esteve feliz e contente, rodeada da família que tanto a ama. Com muitos momentos "para mais tarde recordar", que para isso cá estaremos nós, sempre prontos.




Porque a Natureza nos transcende, em toda a sua plenitude.



E porque o melhor do Mundo são as crianças. Pelo menos, dão-lhe outro colorido.


Parabéns, meu amor pequenino.

Que Vergonha Rapazes!



Aproveitando o feriado do dia seguinte, na passada quarta-feira rumámos até ao Maxime (que é sempre um bom destino), para ver este espectáculo de Miguel Guilherme.
Partindo de uma compilação de textos de humor da autoria de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, Miguel Guilherme constrói um espectáculo multivariado, recitanto Bocage, Miguel Esteves Cardoso, Alexandre O'Neill e Mário Cesariny, entre outros. Textos picantes, mais do que estava à espera. Aliás, todo o espectáculo tem uma forte conotação sexual - mas, realmente, o rapaz tem jeito para a coisa e descomplica a mensagem.
Assim, durante cerca de uma hora, vemos Miguel Guilherme, dono do palco, a "passear" de um lado para o outro, a misturar-se com o público - um autêntico animal de palco! Todo ele é um género único, e é uma hora bem passada. Forte, mas bem passada.

Tejo Internacional e arredores

Fim-de-semana prolongado por autorecriação, com destino ao Parque Natural do Tejo Internacional, que já há muito pedia uma visita.
Ficámos alojados na Casa do Forno, em Salvaterra do Extremo, uma vila pequenina e pitoresca bem na fronteira com Espanha (como será óbvio). A Casa do Forno é um turismo rural simpático, de gestão familiar - tudo gente acolhedora, embora não nos tenhámos alongado muito em conversas. Primeira coisa no sábado foi explorar a pequena vila, com direito a caminhada até ao Observatório da Caseta para ver o Rio Erges, que faz a fronteira com nuestros hermanos. Depois da caminhada matinal, rumámos até Idanha-a-Velha, aldeia histórica do tempo dos Romanos. A seguir, foi a vez de Monsanto, famosa aldeia que se localiza numa encosta, tendo assim um ar muito pitoresco - e significando grandes subidas para explorar o sítio! Depois de almoçarmos numa esplanada com uma vista fabulosa e de termos subido ao castelo, continuámos viagem até Penha Garcia, mesmo ali ao lado. Terra antiga, conta com uma rota dos fósseis, que fizemos na íntegra. Lá pelo meio, uma piscina natural onde nadava uma trilobite gigante fez-me roer de inveja por não ter fato-de-banho comigo... No dia seguinte, houve caminhada até ao rio Tejo, na sua zona internacional, o que obrigou a conduzir por um estradão de terra batida durante mais de meia hora. Depois, ainda houve caminhada para chegar ao Observatório de Alares e ver o belo rio serpenteando pelas encostas! Valeu bem a pena o esforço! No final do dia, e antes de regressar à capital, ainda fomos ao Ródão, para ver as suas Portas - duas escarpas a delimitar o rio, locais de eleição para a nidificação de rapinas. E houve uma boa dezena de grifos que resolveram ser simpáticos e sair para dar um ar da sua graça, enquanto admirávamos a paisagem.

Pena foi que, com tudo isto, pouca foi a fauna selvagem que observámos, porque as horas de passeio não foram as mais indicadas. Mas fica o conselho: é uma região de Portugal muito bonita e que merece ser visitada com tempo, até porque há imensos trilhos bem organizados e que permitem explorar os locais em todo o seu esplendor!



Vista do Tejo no Observatório de Alares


O Tejo visto do Castelo de Ródão


Rota dos fósseis em Penha Garcia


Monsanto


Monsanto


Papoila em Idanha-a-Velha


Oficina de gatos, em Idanha-a-Velha


Salvaterra do Extremo


Portas do Ródão

Fotografias por Rita Barbosa

Grizzly Bear: o monstro saiu à rua num dia assim



Chegou o tão desejado dia. Grizzly Bear pela primeira vez em Portugal, concertos a 26 de Maio em Lisboa, 27 no Porto.
A banda de Brooklyn subiu ao palco pouco depois das 22h. Antes havia estado por lá Cibelle, bastante desinspirada. Mas o que importa isso, se o que se passou depois fez esquecer tudo o que ficou para trás?...
O concerto começou com Southern Point, primeira música de Veckatimest, o terceiro e mais recente álbum da banda. Logo aí deu para perceber que seria um concerto poderoso, com os baixos muito pujantes, a fazer saltitar o coração (e a comichar nos ouvidos!). E daí partiu, passando por praticamente todas as músicas do álbum, ainda com incursões a Yellow House, nomeadamente com o fantástico Knife, que fez vibrar a plateia. As alternâncias vocais entre Edward Droste e Daniel Rossen trazem uma riqueza fenomenal à música, tal como os diversos instrumentos a que a banda recorre.
É difícil falar sobre este concerto, porque há demasiado sentimento. Gosto muito das músicas deles, é uma daquelas bandas que foi "entrando" aos poucos, e entranhou-se de uma forma indescritível. Em relação ao concerto, houve um momento que gostei particularmente, que foi quando tocaram Ready, Able, uma das minhas músicas favoritas. O encore também foi muito interessante, com uma versão acústica de All we ask a três vozes. Uma verdadeira maravilha. Fica o desejo de que regressem, sempre. Mas não a festivais, porque a música pede mais, e pede intimidade.

Soul Kitchen



Isto de ter um cartão que permite ir ao cinema as vezes que eu quiser é fixe. :D
Depois da estreia, o segundo filme que vi com o meu novo cartão foi este "Soul Kitchen", do realizador alemão de origem turca Fatih Akin.
Soul Kitchen é o restaurante do jovem Zinos, localizado num antigo barracão de uma zona pouco procurada de Hamburgo. A namorada de Zinos, Nadine, vai partir para a China e insiste que ele a acompanhe, mas Zinos tem o restaurante que não quer deixar. No entanto, vai começar a "fazer contas à vida" quando perceber que a sua relação está periclitante e que o próprio restaurante não sai da cepa torta. Curiosamente, é aí que se dá a reviravolta, com Soul Kitchen a tornar-se um local de referência da cena cultural da cidade! Pelo meio, forças "superiores" vão tentar estragar o negócio ao rapaz, o que vai dando ao filme muito ritmo.
Assim, este filme fala-nos da relação que se tem com os sítios que representam o nosso lar, e com as pessoas que constroem esses sítios. Amizade, família, amor e lealdade são tudo assuntos que percorrem o filme, com algum humor e boa disposição.
Não sendo um filme brilhante, é um filme agradável e despretensioso (bem bom!). Algo previsível, no entanto, tanto que até eu consegui perceber como a história se iria desenrolar! Um ponto muito positivo vai para banda sonora, muito na onda de blues - e não, não inclui a música dos The Doors, homónima do título. Só espero que seja lançada por cá.

Estômago - Uma história nada infantil sobre poder, sexo e gastronomia



Um desejo que vinha desde o tempo da faculdade cumpriu-se, finalmente. E sou, neste momento, uma orgulhosa detentora de um Medeia Card. É certo que houve tempos em que compensou mais. Mas espero que sirva, pelo menos, como desculpa para ir mais ao cinema.
O primeiro filme que fui ver com o meu novo cartão foi este "Estômago - Uma história nada infantil sobre poder, sexo e gastronomia", filme brasileiro de Marcos Jorge. O filme conta a história de Raimundo Nonato e passa-se em dois tempos diferentes: o presente, numa prisão brasileira imunda onde Nonato partilha uma cela, e o passado, em que acompanhamos o percurso do jovem, vindo do interior para a grande cidade à procura de singrar na vida.
Em ambos os momentos, vemos como a culinária é um ponto fulcral na vida de Nonato, e como tudo na sua vida se relaciona(rá) com ela...
Este "Estômago" é um filme muito interessante e bem conseguido. O papel principal, interpretado por João Miguel, é de uma candura quase angelical... E mais não posso dizer, se não perde toda a piada! Assim, apenas posso garantir que o filme é muito bom e divertido.
Fico a pensar: porque é que nós, portugueses, não sabemos fazer cinema assim, despretensioso?...

O Segredo de seus Olhos



Mais uma ante-estreia, desta vez com o alto patrocínio, não do excelentíssimo Presidente da República, mas da prima Joana. Depois de um dia extenuante no laboratório, fui em contra-relógio para o El Corte Inglès para assistir a este "O segredo dos seus olhos", filme argentino de Juan José Campanella que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado.
A história do filme alterna entre 1999, em que Benjamin Esposito, oficial reformado do Tribunal, aproveita a seu tempo livre a escrever um livro que se baseia no mais brutal caso em que trabalhou durante a sua carreira, e 1974, o ano em que o dito caso aconteceu. Benjamin procura, então, escrever sobre o violento assassínio da jovem Liliana Colotto. Apesar da polícia arranjar dois suspeitos como bode-expiatório, Benjamin e Sandoval, seu assistente, vão descobrir e perseguir o verdadeiro assassino. No entanto, a história do caso vai misturar-se com o rumo da vida do próprio Benjamin, tanto em 1974, como 25 anos depois.
O filme tem uma atmosfera de suspense, como é perceptível pela história que acabo de descrever. É um filme interessante e cativante, se bem que talvez um pouco longo. Ainda assim, é um filme competente. No entanto, e pensando que entre os outros nomeados ao Óscar estavam, por exemplo, Um Profeta, parece um pouco exagerada tal distinção.
De qualquer forma, vale com certeza uma ida ao cinema. Até porque, como dizem no filme, não se pode dissimular as nossas paixões nos nossos actos, se é que me faço entender.