Luísa Tender e Jill Lawson - Duo de pianos


No passado fim-de-semana, fui assistir a uma recital de piano que ocorreu na Culturgest, pelas mãos de Luísa Tender e Jill Lawson. O programa, embora em grande parte desconhecido para mim, pareceu-me interessante. Principalmente, porque incluía Tchaikovsky, que é um autor do qual gosto muito.
Assim, tivemos direito a quatro peças. O recital começou com excertos de "O Quebra-Nozes", de Piotr Tchaikovsky, com transcrições para dois pianos de Nicolas Economou. Seguiu-se uma obra mais densa, "La Valse", de Maurice Ravel, com transcrição de compositor. Após o intervalo, foi a vez de uma obra contemporânea, da autoria de Fernando Lapa, compositor português nascido em Vila Real. "Storyboard - seis miniaturas para piano a 4 mãos" foram algo enfadonhas, principalmente para quem não aprecia o género musical mais contemporâneo... Para finalizar, tivemos direito a ouvir "Suite nº2, op. 17" de Sergei Rachmaninov, da qual muito gostei.
Foi um final de tarde calmo e interessante. E diferente.

Os miúdos estão bem



Pronto, dá para perceber que a inspiração não tem sido muito... Que fazer?
Este "Os miúdos estão bem" foi o filme da semana passada. Escolha feita a pensar no facto de ser um filme que não se iria aguentar muito mais tempo em cartaz (e, realmente, saiu na semana seguinte). A crítica foi muito favorável a este filme que conta a história de um casal de irmãos, filhos de duas mães, que vão à procura do seu pai biológico. E, ao encontrá-lo, esse encontro irá colocar as vidas de todos de pernas para o ar.
Primeiro: soberbas interpretações, principalmente de Annette Bening (nomeada ao Oscar por este papel), completamente masculinizada. Mark Ruffalo foi um pouco de uma desilusão, porque tempos houve (em que estava maluquinha, só pode) em que achei esse senhor interessante. Não. O senhor é apenas canastrão. Não é mau actor. Mas não é bonito, isso com certeza. Bem, mas isso é pouco relevante para o caso. A personagem de Ruffalo, pai/dador de esperma, é quem vai pôr toda a acção na história. Nic e Jules têm uma relação sólida, em que cada uma delas teve um filho pôr inseminação artifical (ambos filhos de Paul). No entanto, a sua relação não passa pela melhor fase, uma vez que Jules não se sente realizada profissionalmente e acha que Nic não a apoia a 100% neste campo. O aparecimento de Paul vai destabilizar ainda mais a relação entre as duas, e a relação que têm com os filhos, Joni e Laser.
Assim, é um filme sobre a família, basicamente. Sobre o casamento. Sobre a idade. Sobre as exigências que a vida nos vai impondo. Muito bem conseguido, apenas tenho um reparo a fazer e que se prende com o facto de, algo bruscamente, Paul desaparecer da vida de todos. Pareceu-me algo estranho, uma vez que ele pertence a grande parte do filme. Mas, no fim, os miúdos estão bem. E isso é que interessa.

Cisne Negro



Mais uma semana, mais um filmezinho! É quase como que uma montanha-russa, estas sessões de cinema...
"Cisne Negro" é o mais recente filme de Darren Aronofsky, autor de filmes marcantes como "Requiem for a Dream" ou "The Wrestler", entre outros. Garantido era, assim sendo, um filme para não deixar ninguém indiferente. A história não é muito rebuscada. Nina, bailarina, atinge o sonho de uma vida: ser escolhida para o papel principal de "O Lagos dos Cisnes", obra emblemática de Tchaikovsky. Se Nina é perfeita para encarnar a personagem do Cisne Branco, o mesmo não se pode dizer da sua interpretação da "irmã das trevas", o Cisne Negro. Na procura do bailado perfeito, Nina arrasta-se até aos limites da sua sanidade mental.
Se a história não é rebuscada, a sua narração neste filme é intrincada e brilhante. Mestre dos thrillers psicológicos, Aronofsky persegue (quase literalmente) Natalie Portman na sua prestação de Nina. Os pormenores artísticos da realização são belos (jogos de luzes, fotografia, posicionamento das câmaras, ângulos de filmagem), o que faz deste "Cisne Negro" um filme belo. Mas desenganem-se desde já. Confrontada com a pergunta habitual "gostaste do filme?", respondo: deste filme não se gosta. É um filme lindo, bem feito, soberbamente interpretado. Tem tudo. Mas não é um filme de que se goste. É um filme que se admira.
Quanto a Portman, tem aqui, provavelmente, o papel da sua vida. Se não levar agora o Oscar para casa, não imagino quando isso possa acontecer.

Bravo!

As rosas de Atacama



Mais uma semana, mais um livro lido. Outro de Luís Sepúlveda, e outro livro de pequenas histórias, pequenas crónicas de vida. Muito na mesma onda de Histórias daqui e dali, este "As rosas de Atacama" colecciona histórias sobre o autor, sobre a sua vida no exílio, sobre pessoas que foi conhecendo aqui e ali, por entre o mundo de locais por onde passou. É, assim, um testemunho de uma vida cheia, daquelas vidas que nos fazem inveja, que nos põem a pensar na nossa vida que levámos por cá...
Sepúlveda é um contador de histórias. Capta as situações e pessoas com emoção, transmitindo toda a carga emocional inerente.
Assim, são livros muito agradáveis, que se lêem num ápice.

Bernardo Sassetti em concerto ou a aula sobre a história dos blues



Aconteceu, durante a última semana, um ciclo musical na Culturgest, organizado por Ruben de Carvalho, que, este ano, foi dedicado aos blues. Da oferta proposta, decidi ir ver o concerto de Bernardo Sassetti. Mas não foi de um concerto que se tratou. Foi antes uma aula sobre a origem dos blues, as suas temáticas, as suas raízes musicais. Sassetti falou com o público, mostrou exemplos, tocou trechos musicais relacionados com a temática em questão. Isto intercalado com passagens do documentário que Martin Scorsese dedicou a este género musical tão presente nas nossas vidas.
Foi um exercício muito interessante. Claro que eu, para não variar, não tinha lido a descrição do evento e, como tal, fui convencida de que iria apenas assistir a um concerto... Mas não. Ouvi boa música ao mesmo tempo que aprendi. Sendo que aprender é um dos verbos mais bonitos, não?...
Assim sendo, gostei muito desse serão. Pena é que não haja mais iniciativas deste género. Uma pessoa está sempre desejosa de aprender.

E, graças a este "concerto", relembrei-me de um gosto que já vai sendo antigo, que é o pelos blues africanos do Mali. Sendo que Ali Farka Touré é o meu intérprete mais favorito de todos. Esse grande músico...

Um ano mais



O mais recente filme de Mike Leigh (o mesmo de Happy Go Lucky, revisto neste blog) é, como não poderia deixar de ser, um filme sobre pessoas. Começo a chegar à conclusão que são esses os meus filmes favoritos, os que se debruçam sobre pessoas, mas pessoas a sério, com defeitos e qualidades e, acima de tudo, com limitações.
Tom e Gerri (isso mesmo) compõem um casal de meia-idade que vive confortavelmente a sua vida e a sua relação. Pessoas afáveis e sociáveis, vão vivendo rodeados de amigos, ao longo de um qualquer ano mais... Particular ênfase para Mary, uma mulher também de meia-idade que carrega o peso de ter vivido um casamento que não resultou, seguido de uma relação que também não teve pernas para andar, tendo chegado aos dias presentes sozinha e algo desequilibrada. Mary sente a sua relação com Tom e Gerri como um substituto de tudo aquilo que ela não alcançou, nomeadamente o ter uma família sua.
Mas, então, sobre o que trata este filme?
Precisamente sobre esta dinâmica: família vs amigos, vida própria vs vida dos outros, a percepção do nosso lugar no mundo. É um filme simples. Não há um enredo, princípio ou fim. Há apenas estas pessoas que se relacionam, com o que isso acarreta. E está tão bem conseguido, tão bem filmado e interpretado, que é um filme maravilhoso. Mas não é para qualquer pessoa.

Vais conhecer o homem dos teus sonhos



Sessão de cinema ao fim-de-semana, para não começar a acumular (demasiados) filmes para ver. Claro que não poderia faltar o mais recente filme de Woody Allen, esse mestre em retratar relações humanas...
You will meet a tall dark stranger ou, em português, "Vais conhecer o homem dos teus sonhos" (o título em inglês é, apesar de tudo, bem melhor) é um filme bem ao estilo do seu autor, repleto de encontros e desencontros de personagens a roçar o psicótico - que é exactamente o que nós (apreciadores dos seus filmes) tanto gostamos. Ora bem, temos a habitual teia de personagens, com suas histórias cruzadas, como não poderia deixar de ser. A saber: Alfie, antes casado com Helena, pai de Sally, está numa crise de meia-idade. Decide casar com Charmaine, uma prostituta de semi-luxo, que enche de presentes. Helena entra em depressão e procura ajuda em Cristal, uma pseudo-vidente, que vai ser a sua guia. Sally é casada com Roy, um escritor que teve um best-seller e nunca mais escreveu nada, estando a viver actualmente com o espectro do falhanço... Já estão deprimidos?
Bem, este conjunto de personagens vai envolver-se em situações tão caricatas que só podem ter piada ou, alternativamente, ser altamente trágicas. Eu optei pela primeira hipótese. Por isso, achei o filme muito divertido, acima de qualquer outra coisa. Embora não seja o meu filme favorito do Woody Allen.

Histórias daqui e dali - Luis Sepúlveda



Ler dois livros em menos de um mês é um feito que muito me agrada (até porque a pilha de livros em cima da minha secretária, planeados para 2011, só vai aumentando). Este foi também prenda de Natal, desta vez da minha mana. Colecção de crónicas de Luis Sepúlveda, trata principalmente de histórias passadas durante o seu período no exílio. O escritor passou por diversos países, tanto na Europa como na própria América do Sul. E acumulou uma riqueza de vida que dá para este livro e daria, provavelmente, para muito mais. É, portanto, mais um testemunho de vida do que outra coisa qualquer. Por isso, para além de ser um gosto ler a sua escrita, é também um óptimo livro para aprender sobre essa época perturbada da história do Chile, mas não só. Assim, proporcionou-me momentos de leitura ávida, enquanto passeou comigo neste última semana, no comboio de casa para o trabalho, e vice-versa.
Agora, é escolher o próximo.

Hereafter - Outra Vida



Regresso às sessões de cinema, depois uma semana de interregno. Começa a haver uma panóplia de filmes bastante interessante em cartaz, pelo que as sessões de cinema terão que se tornar mais frequentes, senão muita coisa vai ficar pelo caminho!
O mais recente filme de Clint Eastwood reparte a sua acção por três personagens: um operário norte-americano, uma jornalista francesa e um miúdo inglês. Como o filme trata, sobretudo, sobre a morte (com todas as suas consequências), as três personagens têm isso em comum: uma relação difícil com a morte. E, apesar de improvável, os seus caminhos irão cruzar-se e daí surgirá a solução para todos poderem seguir em frente com as suas vidas.
O tema é, à partida, um bocadinho fora daquilo que se esperaria de Clint Eastwood. Até a multinacionalidade das personagens é inesperada. Mas resulta bem e é credível. Aliás, todo o filme é extremamente credível (para quem acredita e para quem não acredita), o que o torna muito especial. Não é um filme lamechas, apesar do tema ser difícil de abordar (vida depois da morte, comunicação com os mortos, etc.). A abordagem é pragmática e desapaixonada e, talvez por isso, seja mais fácil não chocar susceptibilidades.
Devo confessar que não está estava muito à espera daquele final. Mas, agora que penso nisso, faz realmente todo o sentido.

Three Seconds - Anders Roslund e Borge Hellström



De volta aos thrillers policiais. E que belo regresso!
Presente de Natal da Íris (muito obrigada), 500 páginas a passar de uma escrita viciante e de uma história que nos consegue surpreender até ao fim. Passemos, então, à história. Piet Hoffman é um ex-criminoso que, depois de uma passagem pela prisão, se tornou um agente infiltrado da polícia sueca. Missão: infiltrar-se na Máfia polaca, que controla grande parte do tráfico de droga. Muito bem colocado na organização, Piet vai enfrentar o desafio da sua vida, ao voltar à prisão para colocar em prática o plano de tomar de assalto todo o tráfico de drogas nas prisões suecas...
Escrito em parceria entre um jornalista e um ex-criminoso, combina na perfeição as duas visões: a análise, o pormenor, o conhecimento da realidade. E uma dose de suspense tão no ponto que mesmo na última página conseguimos ser surpreendidos.
Não vou dizer muito mais sobre o livro, porque a ideia é mesmo que o leiam. Que eu saiba, ainda não há versão portuguesa. Mas, a julgar pelo sucesso que a trilogia Millenium, de Stieg Larsson, teve, não há-de faltar muito para este livro aterrar nas nossas livrarias.

Clubbing Optimus - Janeiro 2011



Primeiros concertos do ano, para que 2011 comece bem. Desde que me lembro que a Casa da Música (CdM) faz estas sessões de Clubbing, mas não tenho ideia de serem assim tão boas... Pois bem, falemos primeiro do conceito. Sábado à noite, a CdM é, em toda a sua plenitude, tomada de assalto por um conjunto de bandas e DJs, para contentamento de quem por lá escolhe passar a noite. Uma vez por mês, um sábado, e a CdM é nossa. :)

Janeiro trouxe-nos Jazzanova e Balla, na Sala Suggia e, entre outros, Noiserv na Sala 2. E trouxe-nos, também, uma lotação completamente esgotada. Muita gente pronta a entrar no espírito clubbing, incluindo as 3 estarolas (aka, nós).
Primeiro houve relax num dos bares, à espera dos concertos na sala principal. Depois, foi-nos barrada a entrada na Sala Suggia, estava supostamente cheia... Mas acabamos por entrar por outro lado e havia muitos lugares livres! Enfim... Jazzanova já estavam a tocar, cheios de energia. Muita gente em palco, um vocalista com um bambolear de anca muito sexy. O pessoal pôs-se de pé e... toca a dançar! Até porque o espírito é mesmo esse. No intervalo, aventura das aventuras ir até ao bar buscar uma cervejinha - nítida falta de organização, apenas 4 ou 5 pessoas a servir uma multidão sequiosa. Depois veio Balla, numa Suggia que metia uma certa dó, principalmente se comparando com o concerto anterior, em que estava completamente à pinha. Mas, pronto, sempre havia um pessoal (perceba-se, nós) cheio de energia a fazer a festa. Armando Teixeira comprovou ser um Senhor (sim, com maiúscula) do panorama musical português e, embora um pouco calmeirão, foi levando o espectáculo a bom porto. Ou Porto, como preferirem. Dois concertos que nos aguentaram até às 3h da manhã, o que prova que ainda cá estamos para as curvas.

E, em Fevereiro, há mais.


Mammuth



A conversa é sempre a mesma, e gira à volta do tempo excessivo que passo sem escrever neste blog. Desta vez, não o vou fazer (ou, por outra, vou esconder-me atrás deste parágrafo inicial, como quem não quer a coisa...).
Já passou mais de uma semana desde que fui ver este "Mammuth" com a prima Carol. Optámos por este filme porque já estava há algum tempo em cartaz e quisemos aproveitar vê-lo antes que se "fosse embora". A sinopse não era má. Um sessentão, recém chegado à reforma, descobre que lhe faltam declarações de trabalho para poder, efectivamente, reformar-se. Assim, pega na sua velha Mammuth, mota da sua afeição, e parte pelas estradas de França em busca dos ditos papéis, enquanto faz uma viagem ao seu próprio passado. Ora bem, não parece nada mal. Pois, mas a realidade revelou-se outra, fora dos cadernos de crítica cinematográfica e dentro da sala de cinema - Mammuth é um deplorável exercício de qualquer coisa que nem sequer me atrevo a chamar cinema. Dépardieu está um "pequeno" monstro com cabelo de Barbie, completamente bronco e sem qualquer tipo de profundidade enquanto personagem. A dita viagem, por incrível que pareça, consegue ser um chorrilho de situações completamente estapafúrdias. Mas sem piada.
O que torna esta ida ao cinema num verdadeiro desastre. Acontece...

O Mágico



Primeiro filme de 2011!!!
As expectativas eram altas para este novo filme de Sylvain Chomet, criador de "Les Triplettes de Belleville", um dos meus filmes de animação favoritos.
Um mágico francês vê-se obrigado a fazer uma digressão pela terras perdidas da Escócia, numa altura em que a magia está em declínio. Numa dessas terras perdidas, conhece Alice, uma menina que sonha com uma vida diferente e que vê nele a sua oportunidade. Esta relação irá mudar a vida de ambos...
Os desenhos são maravilhosos. A recriação de Edimburgo é, para quem nunca lá esteve (!), uma delícia. O filme, esse, é minimalista - diálogos fugazes, música simples. Talvez porque a história seja, a modos que, um "elogio do amor", neste caso de um amor paternal para com uma desconhecida... Ou talvez porque o importante seja mesmo a arte (e essa quer-se minimalista).
Devo dizer que fiquei um bocadinho desiludida, porque a história me pareceu, aparentemente, sensaborona. Talvez fosse bom repetir, tentar perceber se é mesmo assim, ou se será um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se"...
De qualquer forma, mesmo que assim seja, vale bem a pena uma ida ao cinema. Porque o filme, em si, é uma bela obra de arte.

Paul Bowles - The Spider's House



Já não é a primeira vez que falo sobre Paul Bowles neste blog. Por esta altura, já devem ter percebido que é um autor que gosto muito, muito. Já vou tendo é poucos livros dele para ler...
A acção deste "The Spider's House" passa-se (como não poderia deixar de ser) em Marrocos, mais particularmente em Fez, durante a década de 1950. Um escritor americano, John Stenham, vive há já alguns anos no país, apaixonado pela cultura marroquina. No entanto, grandes mudanças adivinham-se. Uma revolta nacionalista contra a ocupação francesa põe em causa tanto a permanência de estrangeiros no país como, mais importante, a própria identidade cultural do país. É no meio destes tumultos que o caminho de Stenham se cruza com o de Amar, um jovem marroquino que também se sente à margem dos acontecimentos...
Este livro é um retrato da rotina e cultura marroquinas, ao mesmo tempo que nos narra um período bastante conturbado da história desse país. Assim, é interessante pela temática e pelo tipo de escrita, mas também porque nos ensina algo. Sem ser marroquino, e nem sequer árabe, Bowles consegue retratar vividamente tudo isto.
Já disse que gosto muito dele?...

Não há família pior



Aqui está um filme que não precisa de grandes apresentações. Terceiro filme da saga "Meet the...", é uma comédia tipicamente hollywoodesca, com um elenco de luxo (DeNiro, Ben Stiller, Dustin Hoffman, entre outros). O tema, esse, é recorrente: famílias controladoras, genros-sogros que se odeiam, peripécias altamente improváveis que se repetem.
Posto isto, não há muito a esperar de um filme assim, para além de umas boas duas horas de descontracção e boa disposição. E foi exactamente isso que tivemos. E foi assim que uma perturbada tarde de terça-feira de repente se transformou num belo domingo... Ou, pelo menos, foi assim que me senti, quando saí do cinema!
É, então, um bom filme para entreter numa tarde aborrecida, principalmente se forem em boa companhia (tal como eu fui). E ainda mais se depois aproveitarem para comer um crepezinho salgado. Bem bom.

O Concerto



Meus amigos, agora sim posso dizer que tenho andado arredia. Não me apetece escrever e não tenho feito um esforço. Mas tem que ser, senão as histórias vão acumulando-se e quanto mais tarde, pior.
Há já algum tempo, escolhi este "O Concerto" como programa de domingo à tarde. Nada o género, no entanto. Filme francês de Radu Mihaileanu, maioritariamente falado em russo, conta a história de Alexei Filipov, famosíssimo antigo maestro da orquestra Bolshoi que, graças ao regime, é nos presentes dias empregado de limpeza no mesmo local onde antes dirigia a orquestra... Um dia, intercepta um fax vindo do Teatro Châtelet, em Paris, convidando a Bolshoi a ali efectuar um concerto. E decide reunir os seus antigos músicos, fazendo-se passar pela orquestra actual, para retomar aquilo que lhe foi retirado, 30 anos antes.
"O Concerto" é, como seria de esperar, um filme que respira música. Culmina numa interpretação do Concerto para Violino de Tchaikovsky, cheia de emoção. E, por entre peripécias engraçadas, mostra-nos como há paixões maiores do que uma vida. E como a vida faz mais sentido com elas.
E, já agora, relembrou-me os anos em que aprendi música e toquei piano. Saudades...

I'm still here




Depois de quase dois anos de interregno, o regresso de Joaquin Phoenix, neste filme/documentário sobre uma celebridade de Hollywood que decide retirar-se da carreira de actor e tentar a sua sorte no rap... Há dois anos, foi isso que Joaquin anunciou e, desde logo, a dúvida instalou-se: seria verdade ou apenas um projecto cinematográfico? Passado este tempo, provou-se que era a segunda hipótese a verdadeira. Realizado por Casey Affleck, cunhado de Phoenix, este projecto é uma inovadora forma de fazer cinema. Phoenix encarna a personagem JP, uma espécie de bad boy que vai chocando tudo e todos com as suas opções de vida, a forma como trata os seus colaboradores e a sua vida sem nexo - sexo, drogas e rap, há de tudo um pouco.
Qual a minha opinião sobre isso?...
Bem, é um exercício de cinema interessante, sem dúvida. Phoenix está muito bom na sua performance ou o que se queira chamar. Mas só espero que seja tudo um esquema, realmente. Porque, senão, que vida deprimente a dele. Assustador, mesmo. Que assim não seja.

O mito do jazz na sala demasiado grande




Ando a demorar muito tempo para escrever neste blog. Cansaço, falta de vontade... Um pouco dos dois. Mas cá estou eu a contrariar a tendência!!!
Na passada terça-feira (não ontem, mas na passada semana) fui ver o concerto de Herbie Hancock no Campo Pequeno. Hancock é um marco incontornável da música moderna, por isso há já algum tempo que ansiava vê-lo ao vivo. Lembro-me, em particular, de um concerto que deu, há uns anos, na Casa da Música, em que os bilhetes tinham o preço único de 60€... razão pela qual não fui. Desta vez, os bilhetes não estavam muito mais baratos, mas uma vez que o senhor já está com 70 anos, achei por bem abrir os cordões à bolsa e lá fui eu.
Primeira observação: o Campo Pequeno não é, nem de longe nem de perto, uma sala adequada para um concerto de jazz. Muito ampla, muito "fria", muito distante... Teria sido mais adequado fazer o concerto na Culturgest, ou mesmo na Aula Magna - não sei se cabia lá toda a gente, mas seria com certeza melhor. Não obstante, o concerto começou bem, apenas com parte instrumental, Mr. Hancock a dominar nas teclas. Depois veio a menina que cantava.
Segunda observação: a menina não cantava muito bem. Quer dizer, ela cantar bem, cantava. Mas tinha um timbre de voz que em nada se adequava ao registo. Muito agudo, muito límpido, sem "corpo". Não sei se me faço entender... É difícil de explicar. Mas, pronto, não gostei muito. Tocaram/cantaram algumas músicas no novo projecto, "The Imagine Project", em que colabora com músicos de todo o mundo para expressar uma mensagem comum, de paz. O próprio "Imagine", de John Lennon, foi cantado em palco, assim como "Don't give up", de Peter Gabriel, e "The times, they are a' changin'", de Bob Dylan.
Terceira observação: faltou, nitidamente, um saxofone ao conjunto musical. Um som jazz não é a mesma coisa sem um saxofone...
Bem, apesar destas críticas todas, gostei do concerto!!! Foi uma honra ouvir Mr. Hancock tocar durante quase 2 horas, sempre sem perder o fôlego, e com uma energia contagiante. E é o tipo de concerto que me faz "bem", porque me permite pôr muitas ideias no lugar. Ou tirá-las, dependendo do ponto de vista.

Uma semana do outro lado do mundo

16.000Km é muito quilómetro. O necessário para me levar até São Paulo e me trazer de volta. Uma semana do outro lado do mundo - um outro continente, hemisfério sul, quase Verão. Uma experiência nova, num país que nunca me seduziu particularmente... Mas que me despertou o interesse depois destes dias. Um país de contrastes, uma cidade cosmopolita e vibrante. Bons restaurantes, lojas de cair para o lado, e um nível de vida que surpreendeu por ser bastante mais alto do que estava à espera.

Nada mau.


O amigo Sérgio e os seus rascunhos





Já passou mais de uma semana desde que pude assistir, pela primeira vez, a um concerto de Sérgio Godinho. A espera ia longa, e a vontade mais do que muita. Altas expectativas, portanto.
O concerto, apelidado de "Final de Rascunho", propôs ao público estar um bocadinho presente no processo criativo da escrita de canções. Sérgio veio "treinar" as canções para o novo álbum, a sair em 2011 (espero eu). Veio também cantar canções mais velhinhas, mas com novas roupas. Porque cada canção renasce em cada interpretação. E nós renascemos em cada canção.

O alinhamento já estava mais ou menos definido. Começou com as músicas novas. Novas, mas algumas não inéditas. Novas versões de projectos antigos, novos arranjos musicais, alguns feitos por amigos (como Bernardo Sassetti ou António Serginho, ambos presentes no concerto e que actuaram ao lado de Sérgio e da sua banda, "Os Assessores"). Depois começaram a vir as músicas mais antigas (para delírio do público) e a magia completou-se. Recordo em particular o momento em que cantou "Espalhem a notícia" - senti os olhos a humedecerem-se de emoção. Percebi, como que num momento de clarividência, que Sérgio Godinho é um dos meus cantores favoritos. A simplicidade das músicas, aliada a letras que são verdadeiros poemas, enche-me o coração. É difícil de descrever melhor do que isto...


Agradeço à "minha" Mena, que me acompanhou neste programinha de sábado à noite. Foi muito bom, obrigada. :)

Mistérios de Lisboa




Bem, já que fui ver o filme, tenho que falar um bocadinho sobre ele. Escolhido como programa de domingo à tarde (as quase 5h de duração impedem que se veja à noite, a não ser que se saia do cinema de madrugada), este "Mistérios de Lisboa" foi, a modos que, uma desilusão. Sim, o filme está bem feito (se é fiel ao livro de Camilo Castelo Branco, isso já não sei dizer...) e os actores são bons (com algumas excepções, como João Baptista no papel de D. Pedro da Silva...). Mas não há nada na história que justifique o martírio de passar tanto tempo numa sala de cinema. A primeira parte da história é interessante e até promete mais do que aquilo que, efectivamente, nos é trazido pela segunda parte, que é apenas chata.
Enfim, estou desiludida. Pode ser que a versão mini-série seja mais interessante. Como filme, não faz grande sentido.

Dos Homens e dos Deuses



O filme desta semana foi este recém-estreado "Dos Homens e dos Deuses", filme francês realizado por Xavier Beauvois que venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes, e que será o candidato francês ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Muitos atributos para, pelo menos, despertar o interesse dos cinéfilos.
A história desenrola-se no início dos anos 1990, durante um período conturbado (que ainda assim continua) da Argélia. Num mosteiro perdido nas montanhas do Atlas, oito monges cristãos franceses vivem em plena harmonia com os habitantes da aldeia que os rodeia, muçulmanos. Mas a crescente agitação que abala o país, acompanhada por um fundamentalismo religioso, vai colocar em risco esta co-existência harmoniosa. A dúvida instala-se sobre o futuro do mosteiro e dos seus monges: devem ficar ou partir de regresso a suas casas?... E essa dúvida, aparentemente simples, acaba por ser uma questão "maior do que a vida", um símbolo de fé e de idealismo.
Inspirado em acontecimentos reais, ocorridos em Tibhirine, sul da Argélia, entre 1993 e 1996, o filme tenta dar a perspectiva dos monges destes acontecimentos trágicos. Não sei se é propositado, mas a forma como o faz é de tal forma distanciada, que o espectador não sente uma especial comoção. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo, e creio que é uma forma de mostrar que, na vida, devemos ter ideais a seguir, e que, se os seguirmos, estaremos em paz connosco e com as consequências que daí advierem. O que, por si só, já é uma mensagem muito importante que nos é transmitida por este filme.
Outro ponto que gostei foi as paisagens. Filmado em Marrocos (suponho que na Argélia fosse impossível filmar), nas encostas do Atlas, tem planos de uma beleza absoluta.
O que me lembra da falta que sinto de paisagens assim, que me façam sentir pequenina e admirar a grandeza do mundo à minha volta...

Uma Família Moderna




A sessão de cinema desta semana levou-me a ver este filme italiano, "Uma família moderna", de Ferzan Ozpetek. O filme conta a história da família Cantone, uma daquelas famílias tradicionais do sul de Itália, onde toda a gente fala alto e ninguém se ouve (um pouco como muitas famílias portuguesas, já agora...).
O filho mais novo da família, Tommaso, regressa a casa para um importante jantar em que será firmada uma nova sociedade da empresa da família. A viver em Roma na ânsia de se tornar escritor, Tommaso está decidido a pôr tudo em pratos limpos com a família, que pensa que ele se formou em Gestão - e a firme decisão é contar, durante o jantar, que é gay. No entanto, os seus planos vão por água abaixo quando o irmão mais velho, Antonio, resolve ele mesmo revelar os seus segredos, o que resulta numa sucessão de acontecimentos que ninguém esperaria. Tommaso é, assim, empurrado para a gestão do negócio da família - tudo o que ele não queria.
Um dos grandes temas deste filme é, sem dúvida, a homossexualidade, tema que é retratado de uma forma bastante desempoeirada. O outro grande tema é a relação que as gerações mais novas têm com as expectativas que a família tem sobre elas. Algo que me oferece uma reflexão bastante interessante. Não obstante, é um filme divertido, descomplexado e bonito, porque Itália é um país com uma luz e umas cores fantásticas! Gostei muito do filme, saí do cinema muito bem disposta, algo que nem sempre é fácil. É, realmente, um filme que bem dispõe.


Ah, e a actriz Nicole Grimaudo é tão bonita que mete inveja.

Estoril Film Festival - Copie Conforme




Este ano vive-se a quarta edição do Estoril Film Festival - e a primeira em que, finalmente, fui ao festival (muito embora já noutros anos houvesse bons motivos para passar por lá). São vários os filmes que despertaram o meu interesse, nesta edição, mas constrangimentos de disponibilidade (e vontade) fizeram com que este "Copie Conforme", o mais recente filme de Abbas Kiarostami, fosse o único a constar dos meus visionamentos (até ao momento mas, provavelmente, também até ao final do evento).
Abbas Kiarostami, realizador iraniano de renome, conta com uma vasta carreira cinematográfica, do cimo dos seus 70 anos de vida. Embora reconheça o seu valor, creio não conhecer muito da sua obra. Aliás, na minha cabeça paira ainda (e sempre, talvez) a confusão sobre ter ou não visto "1o", filme de 2002... Não consigo perceber se foi este o filme que vi, ou antes "O Círculo", filme do também iraniano Jafar Panahi... As temáticas não são muito diferentes, devo dizer, em abono da minha pessoa.
"Copie Conforme" é quase que uma Torre de Babel. Filmado em Itália, tem como protagonistas uma actriz francesa e um actor inglês. Os diálogos vão percorrendo as três línguas, sem grandes fronteiras. Ele, William Shimell, é um escritor autor de um livro sobre o valor e dignidade das cópias enquanto veículos da arte em si. Ela, Juliette Binoche, é dona de uma loja de antiguidades e uma mulher intrigante. A história, esse, vamos percebendo com o desenrolar do filme e, como tal, não convém aqui desvendá-la. Apenas posso dizer que é um filme sobre a natureza das relações a dois e suas expectativas. Muito bem filmado, muito bem interpretado, cenicamente muito bonito, e extremamente tocante. Muito bom, assim sendo. A sua edição em circuito comercial está para breve, pelo que soube, por isso estejam atentos.
Depois da exibição do filme, seguiu-se um sessão de perguntas e respostas com o realizador, que durou cerca de 1 hora e meia, e que foi muito interessante. Kiarostami é um artista de uma simplicidade que assombra.

Ondine




As sessões de cinema voltaram a ser mais frequentes, o que me deixa muito feliz. Na passada quarta-feira foi a vez do último filme do irlandês Neil Jordan, "Ondine" - filmado na Irlanda e com actores maioritariamente irlandeses. Uma maravilha para quem gosta tanto desse país verde, como eu.
Syracuse é pescador numa terra perdida nas verdes colinas do sul da Irlanda. Toda a população trata-o por "Circus", numa alegoria ao seu comportamento passado. Homem sem sorte, tem a luz dos seus dias na filha Annie, gravemente doente com uma insuficiência renal. Um dia, Syracuse apanha nas suas redes um bela rapariga, Ondine. E, a partir desse dia, a sua sorte muda - redes cheias de peixe, um novo alento. Como se de um conto de fadas se tratasse. Mas qual será a realidade?...
Ondine é um belo trabalho cinematográfico, tanto a nível fotográfico, como de história e interpretação. Colin Farrell está espantosamente bem na pele do pescador desalentado, olhar triste e incrivelmente magro. E Alison Barry, na pela da filha Annie, mais parece um anjinho, de tão doce.
Uma fábula moderna que vale a pena ver, que apenas peca pela quase "hiper" realidade que insiste em nos mostrar o que realmente está por trás da história. E os Sigur Rós tinham mesmo que estar presentes, num filme que elogia as criaturas do mar... :)